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O mês de Tishrei

Tishrei: o mês judaico das Grandes Festas

OVERDOSE DE FESTAS

Se o ano fosse um trem, as Grandes Festas seriam a locomotiva. Uma mistura delicada de alegria e solenidade, festividade e jejum, prece e inspiração tece o início do ano judaico.

O feriado de dois dias de Rosh Hashaná é o começo do ano judaico, o momento em que D’us reinveste em Sua criação, enquanto O coroamos Rei do Universo por meio de preces, toques de shofar e celebração.

Uma semana depois, as Grandes Festas atingem seu ápice em Yom Kipur (o Dia da Expiação). Assim como os anjos, nós não comemos nem bebemos por 25 horas. Vestimos roupas brancas e rezamos na sinagoga, unidos como um só povo, filhos de um só Pai.

Mas a temporada das festividades não termina aí. Toda a atmosfera extraordinária das Grandes Festas é então transportada para as festas de Sucot e Simchat Torá, que trazem mais alegria para a temporada.

O mês de Tishrei está repleto de dias sagrados, um atrás do outro. Em primeiro lugar, há os dois dias de Rosh Hashaná. Oito dias depois, Yom Kipur, e entre eles existem os Dias de Teshuvá. Quatro dias depois é Sucot, comemorado por uma semana inteira para, logo em seguida, celebrarmos Sheminí Atséret e Simchat Torá.

Será que o Diretor de Planejamento dessas festividades não poderia espaçá-las um pouco mais, dando-nos um tempinho para recuperar o fôlego entre as datas? Parece que a gestão do tempo não faz parte de Sua lista de prioridades…

E então há a questão da overdose. Não bastaria uma pequena demonstração de festividade a cada mês para estimular nosso “sistema motor” espiritual?

O mês de Tishrei está repleto de festividades, alegria e intensidade. Já o mês seguinte, Cheshvan, não tem nenhuma data sagrada!

Claramente, isso é parte de um plano detalhado e deliberado. Assim se apresenta o paradoxo da vida: a única maneira de sobreviver e lidar com a “vida selvagem” é se preparar e fazer malas bem “cheias” de resistência espiritual antes de iniciar a jornada.

No entanto, a única maneira de desenvolver habilidades de enfrentamento e de vivenciar o verdadeiro crescimento autônomo é acampando em um local desprovido de quaisquer amenidades, instalações e recursos.

O ato de abastecer as malas e de se planejar em Tishrei — o primeiro mês do ano — são fundamentais para o sucesso de nossa trajetória, posteriormente.

Tishrei é a “cabeça” do ano (as letras he- braicas da palavra “Tishrei” também po- dem significar a palavra “reshit”: início e cabeça). A cabeça contém o cérebro, a boca, o nariz, as orelhas, os olhos e o rosto e, consequentemente, a inteligência, a fala, o olfato, a audição e a visão.

Tudo isso amontoado em apenas uma seção do corpo. Será que esses sentidos vitais poderiam estar espalhados por todo o corpo? Isso simplesmente não funcionaria.

A cabeça só pode conduzir todos os sentidos do corpo porque essas ferramentas vitais fazem parte dela.

Cada um dos dias especiais de Tishrei é uma seção da “cabeça”; uma fonte de força e inspiração para todos os dias que se seguirão, ao longo do ano.

Entretanto, a jornada real é feita com as pernas, ou melhor, os calcanhares (os membros menos sensíveis do corpo), que atendem ao comando da cabeça. Apenas os calcanhares realmente nos fazem chegar a algum lugar. Cheshvan é tempo de caminhada.

Para aproveitar ao máximo a experiência de nossa viagem, precisamos armazenar um bom estoque antes de partir, com comida para a jornada e alguns itens básicos, que são: a aceitação da soberania de D’us e o temor aos Céus (Rosh Hashaná); teshuvá (Yom Kipur); alegria e celebração de nosso Judaísmo (Sucot) e dedicação à Torá (Simchat Torá).

Tudo isso como preparativo para a chegada da realidade da “vida real”. Ter uma festividade religiosa em Cheshvan seria semelhante a deparar-se com um chão de concreto durante uma escalada nas montanhas. Estragaria a experiência! O mês de Cheshvan é, portanto, o momento de colocar em prática todas as nossas habilidades de enfrentamento e acampamento.

Portanto, vamos arrumar nossas malas até enchê-las, comer até ficarmos satisfeitos e realizar doações generosas — com santidade, alegria, compromisso, resoluções e aspirações para o ano que se inicia.

Fonte: Artigo da Revista Celebração do Beit Chabad Morumbi

Overdose de Festas

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