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Entrevista Programa “BenjaMeMucho”

por Portal Legal Saber

PRINCIPAIS ASSUNTOS DA ENTREVISTA

Benjamin Back recebe o Rabino Y. David Weitman em uma conversa sobre futebol, fé e vida

Em uma entrevista leve, bem-humorada e ao mesmo tempo profunda, o jornalista Benjamin Back conversa com o Rabino Y. David Weitman sobre as conexões possíveis entre o futebol, a espiritualidade e os desafios da vida cotidiana. A partir do livro Lições do Futebol, escrito pelo Rabino, a conversa percorre temas como fé, disciplina, união, adversidade, humildade, redes sociais, responsabilidade e o papel das boas ações na construção de um mundo melhor.

Mais do que comparar futebol e religião, a entrevista mostra como o esporte mais popular do Brasil pode servir como linguagem acessível para falar de valores universais.

O futebol como linguagem espiritual

Logo no início, o Rabino destaca que o cuidado com o corpo também tem valor espiritual. Para ele, uma vida saudável permite que a alma se expresse melhor, e o esporte é uma das formas de cultivar esse equilíbrio. O futebol, por sua força popular e capacidade de unir pessoas, torna-se um campo fértil para lições sobre convivência, fé e propósito.

Fé dentro e fora de campo

A conversa aborda a cena comum de jogadores que fazem uma prece antes de entrar em campo ou agradecem após uma partida. Para o Rabino, esse gesto revela algo bonito da cultura brasileira: a presença espontânea da fé no cotidiano. A oração, nesse sentido, não pertence apenas ao templo ou à sinagoga, mas acompanha a pessoa nos momentos importantes da vida.

Entrar em campo: ser protagonista da própria vida

Um dos pontos centrais da entrevista é a diferença entre ser torcedor e ser jogador. O torcedor observa; o jogador participa. O torcedor pode ir embora antes do fim; o jogador permanece até o apito final. A partir dessa imagem, o Rabino propõe uma lição de vida: cada pessoa deve “entrar em campo”, agir, ajudar o próximo e fazer diferença no mundo, mesmo diante das dificuldades.

Tática, tradição e direção

Ao comentar a ideia de “tática” no futebol, o Rabino aproxima a organização do jogo de referências fundamentais do judaísmo, como a Torá, os Dez Mandamentos e os patriarcas Abraão, Isaac e Jacob. A imagem da tática serve para lembrar que a vida também precisa de direção, princípios e referências sólidas para que a pessoa saiba como agir.

O valor do time e da união

O futebol é um esporte coletivo, e essa dimensão ganha destaque na entrevista. Nenhum jogador vence sozinho. O passe, a cooperação e a confiança no outro são fundamentais. O Rabino associa essa ideia à convivência humana: pessoas diferentes, com talentos e limitações próprias, tornam-se mais fortes quando caminham juntas. Onde há união, há bênção.

O adversário como oportunidade de crescimento

Na conversa, o adversário não aparece apenas como inimigo, mas como parte necessária do jogo. Sem adversário, não há desafio; sem desafio, o time não revela seu verdadeiro potencial. Para o Rabino, o mesmo vale para a vida: dificuldades, tentações, desvios, ansiedades e frustrações podem se tornar oportunidades de crescimento quando enfrentadas com consciência e perseverança.

Regras, limites e responsabilidade

Benjamin Back provoca o Rabino com a pergunta: “Vale tudo para vencer na vida?”. A resposta é direta: não. Assim como o futebol tem regras, a vida também exige limites. Há atitudes que ficam “fora de campo”: desonestidade, injustiça, violência, egoísmo e falta de integridade. A liberdade humana precisa caminhar junto com responsabilidade.

Redes sociais: instrumento de bem ou de ilusão

A entrevista também passa pelas redes sociais e pelo mundo virtual. O Rabino reconhece que as mídias sociais podem vender uma realidade distorcida, marcada por aparência, comparação e vaidade. Mas também lembra que elas podem ser usadas para o bem: divulgar mensagens positivas, conectar pessoas, compartilhar conhecimento e até ajudar em situações concretas. Como muitos instrumentos humanos, tudo depende do uso.

Lealdade, “raça” e amor aos valores

Ao falar da paixão do torcedor por seu time, especialmente no contexto do Corinthians, Benjamin traz a ideia de “raça”. O Rabino prefere chamar isso de lealdade. A fidelidade ao time, mesmo na derrota, torna-se metáfora para a fidelidade aos próprios valores. Na vida espiritual, essa lealdade significa não abandonar Deus, o povo, a família, os princípios e a ética nos momentos difíceis.

Futebol não é religião, mas pode ensinar

A conversa também distingue meio e fim. O futebol pode inspirar, alegrar, unir e ensinar, mas não deve ocupar o lugar da religião ou do sentido último da vida. Para o Rabino, esporte, lazer e cultura são meios importantes para tornar a pessoa melhor, mas não devem se transformar em finalidade absoluta.

Disciplina: treino diário da alma

Assim como o atleta precisa treinar, cuidar da alimentação e manter uma rotina, a vida espiritual também pede disciplina. O Rabino compara a oração e as práticas religiosas ao treinamento de um jogador ou de um músico: nem todos os dias são inspirados, mas a constância prepara a pessoa para os momentos decisivos. A disciplina cotidiana cria força interior.

Foco e oportunidade: “olho no lance”

A expressão “olho no lance”, popularizada no futebol, ganha uma leitura espiritual. Para o Rabino, manter o foco significa seguir na direção correta, aproximar-se do bem e não perder oportunidades de agir com generosidade. Às vezes, uma chance de ajudar alguém aparece apenas uma vez; por isso, é preciso estar atento ao lance da vida.

Nunca é tarde para recomeçar

Quando o tema são os tropeços e fracassos, o Rabino afirma que nunca existe perdição total. Um time rebaixado pode lutar para voltar; uma criança aprende a andar caindo e levantando; uma pessoa que se perdeu pode reencontrar o caminho. A mensagem é de esperança: o erro não precisa ser o fim da história.

Religião, autoestima e recuperação

A entrevista aborda também pessoas que se perderam em vícios e encontraram na religião um caminho de reconstrução. Para o Rabino, a fé ajuda porque devolve disciplina, senso de responsabilidade e autoestima. A religião lembra à pessoa que ela possui potencial, que sua vida tem valor e que sempre pode se levantar com apoio, orientação e perseverança.

Cartão amarelo, cartão vermelho e livre-arbítrio

Usando a linguagem do futebol, Benjamin pergunta se existe “cartão vermelho” na religião. O Rabino responde que sim, mas de forma invisível. A vida tem consequências, mas Deus não interfere a cada erro de maneira imediata, porque o ser humano precisa conservar o livre-arbítrio. O bem deve ser escolhido por consciência, não por medo automático da punição.

Julgar menos, ajudar mais

Outro ponto importante da conversa é a postura diante do erro alheio. O Rabino defende que o líder religioso — e, por extensão, qualquer pessoa — deve evitar julgar o indivíduo e procurar ajudar. É diferente condenar uma pessoa e reconhecer que um ato foi errado. Essa distinção vale também para a educação: não se deve reduzir alguém ao erro que cometeu.

Reconhecer o erro e pedir perdão

A conversa trata ainda da humildade necessária para reconhecer falhas. Quando o erro envolve outra pessoa, é preciso pedir desculpas. Quando envolve a relação com Deus, é preciso pedir perdão. O Rabino destaca que reconhecer o erro costuma ser a parte mais difícil, pois o orgulho humano resiste. Mas, uma vez reconhecido, o caminho da reparação se abre.

Humildade como fonte de bênção

A vaidade aparece como um obstáculo espiritual. Para o Rabino, a humildade é fonte de bênçãos porque permite que a pessoa aprenda, cresça, conviva melhor e reconheça seus limites. O orgulho, ao contrário, isola e cria barreiras. A grandeza humana começa quando a pessoa deixa de se colocar no centro de tudo.

Comunicação, linguagem e tradição

A entrevista também aborda a importância de apresentar a religião de forma acessível às novas gerações. O Rabino reconhece que a linguagem precisa dialogar com o tempo presente, especialmente em uma época marcada por redes sociais e novas formas de comunicação. Mas faz uma ressalva importante: adaptar a linguagem não significa perder a essência da tradição.

A vida como plural

No encerramento, o Rabino oferece uma reflexão marcante sobre a palavra “vida” em hebraico, que aparece no plural. Para ele, isso ensina que ninguém vive apenas para si mesmo. Viver é influenciar, impactar, compartilhar, elevar e participar da vida do outro. A vida também aponta para uma dimensão maior: não apenas a existência material, mas uma existência com conteúdo, propósito e sentido.

Uma mensagem final: fazer o bem e melhorar o mundo

Ao final da entrevista, o Rabino resume sua mensagem aos torcedores e espectadores: assim como as pessoas torcem, rezam e se esforçam pelo sucesso de seu time ou de sua seleção, também devem se esforçar para fazer o bem e melhorar o mundo. A grande partida da vida, afinal, não se vence apenas com palavras, mas com atitudes.

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