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Conhecendo a história de Chanucá

por Rabino Y. David Weitman
Antíoco

Chanucá é uma das mais populares festas judaicas, celebrada por judeus no mundo todo. Mas o que aconteceu em Chanucá? O texto a seguir é um breve histórico dos acontecimentos desta ocasião tão importante.

Como tudo começou

Há cerca de 2.355 anos, por volta do ano 336 AEC, o rei da Macedônia (norte da Grécia), Alexandre, o Grande, decidiu conquistar o mundo. Ele travou muitas guerras e, surpreendentemente, teve êxito em conquistar nação após nação, acumulando vastos territórios, incluindo o Oriente Médio e Israel. Após sua morte, o império foi dividido entre seus generais. Israel acabou ficando sob o domínio da Síria, sob o governo do general Seleuco.

Inicialmente, o povo judeu e os antigos greco-sírios se davam bem. Ambos valorizavam a sabedoria, a filosofia e o intelecto. Muitos judeus viviam de maneira assimilada, e muitos estudavam filósofos gregos, como Aristóteles e Platão. Ptolomeu, um rei grego, mandou traduzir a Torá para o grego. No entanto, um rei selêucida, chamado Antíoco, decidiu que todos, judeus e não-judeus, deveriam se converter às crenças do helenismo (cultura e religião grega).

Leis contra o Judaísmo

O plano maligno de Antíoco entrou em vigor por volta de 175 AEC, cerca de 150 anos depois que Alexandre conquistou o Oriente Médio. Antíoco proibiu os judeus de cumprir mitsvot, em especial o ritual da circuncisão, o cumprimento do Shabat e o estudo da Torá. As mulheres judias foram violadas, e a população em geral era intimidada com violência.

A intolerância era absoluta à medida que Antíoco obrigava todas as nações a seguir a cultura grega. Antíoco acreditava que, ao helenizar suas colônias, fortaleceria o império selêucida. Não demorou muito até que uma nação após a outra sucumbisse e aceitasse os deuses e a cultura grega.

O helenismo significava a aceitação de deuses pagãos e da filosofia grega, a crença total na razão humana e no culto à beleza física por si só. Na cultura grega, a Torá poderia ser admirada como uma obra de grande sabedoria e beleza — como literatura, filosofia, história e ética —, mas não poderia ser reverenciada.

Já basta

Alguns judeus de fato foram vítimas da cultura helenística e até ganharam destaque na sociedade grega. Eles adotaram nomes gregos e se vestiam como os gregos. No entanto, a maioria dos judeus se apegou aos seus princípios, à crença em um único D’us, transmitida por seus antepassados.

Apesar das tentativas dos gregos de erradicar a prática judaica, os judeus perseveraram. As crianças judias estudavam a Torá, mas fingiam estar brincando com piões (o sevivon) quando soldados gregos se aproximavam. A circuncisão e o Shabat ainda eram praticados, muitas vezes a um alto custo; afinal, muitos judeus perderam a vida por guardar os costumes. Algo precisava ser feito.

Matityahu

A integridade do povo judeu corria perigo, tanto físico quanto espiritual. Havia um grande problema: na época, o exército greco-sírio era uma das maiores superpotências do mundo. Seu exército, construído com base nas tropas gregas e com elefantes de guerra indianos, era praticamente invencível.

Em 165 AEC, um dos adeptos de Antíoco ergueu um altar na aldeia de Modi’in, onde morava Matityahu, um idoso judeu Cohên (sacerdote). Um soldado grego exigiu que Matityahu oferecesse sacrifícios aos deuses gregos. Matityahu respondeu: “Eu, meus filhos e meus irmãos, estamos determinados a permanecer leais à aliança que nosso D’us fez com nossos ancestrais!”

VER  Sheminí Atséret e Simchat Torá

A situação se agravou e Matityahu atacou o soldado greco-sírio. Rapidamente, o ataque se transformou em conflito armado, e Matityahu e seus cinco filhos derrotaram a guarnição selêucida, marcando assim o início da revolução.

Os Macabeus

Antes de morrer, Matityahu reuniu seus filhos e os incentivou a continuar lutando para defender a Torá de D’us. Ele nomeou seu filho do meio, Yehudá, como líder. Não demorou muito até que Yehudá fosse chamado de “macabeu”, uma palavra composta pelas letras iniciais das quatro palavras hebraicas “Mi Chamocha Ba’elim HaShem”, “Quem és como Tu, D’us”.

Antíoco enviou vários generais para exterminar Yehudá e seus revolucionários, os macabeus. Toda vez que Antíoco enviava outra tropa, os macabeus saíam vitoriosos. Para reprimir a rebelião, Antíoco enviou um exército de mais de 40.000 homens contra os judeus.

Os macabeus anunciaram: “Vamos lutar até a morte em defesa de nossas almas e de nosso Templo!” Seguindo a tradição de seus antepassados, eles suplicaram a D’us com muitas orações. Depois de uma série de batalhas, os macabeus foram vitoriosos.
Todos reconheceram que foi um milagre. É verdade que o império selêucida tinha tropas e elefantes de guerra, mas nosso D’us é mais poderoso do que qualquer exército.

A Inauguração

Em seguida, os macabeus voltaram a Jerusalém para libertar a cidade. Ao adentrar o Templo, eles retiraram os ídolos trazidos pelos vândalos greco-sírios. Yehudá e seus seguidores construíram um novo altar, o qual foi inaugurado no dia 25 do mês de Kislêv, no ano 164 AEC. É por isso que Chanucá, que em hebraico significa “inauguração”, começa no dia 25 do mês hebraico de Kislêv.

Ainda assim, os macabeus tinham um problema. Eles queriam acender a menorá, um dos serviços diários no Templo. No entanto, os gregos, em sua luta ideológica e espiritual contra os judeus, violaram propositalmente todo o suprimento de óleo do Templo.

Milagrosamente, depois de muito procurar, eles encontraram um jarro de azeite de oliva puro, que poderia ser utilizado no Templo. Mas o conteúdo do recipiente era suficiente apenas para acender a menorá por um dia. D’us fez um milagre, e o mesmo óleo queimou por oito dias seguidos, tempo suficiente para produzir novo óleo casher. Mais uma vez, Hashem teve Seu povo sob Sua proteção.

No ano seguinte foi criada a festa de Chanucá, para comemorar e celebrar o milagre da menorá e a vitória dos macabeus na guerra. A mensagem de heroísmo, confiança em D’us e liberdade religiosa é relevante para todos nós, ainda hoje, mais de 2.000 anos depois.

Fonte: Artigo da Revista Celebração do Beit Chabad Morumbi

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