Tristeza Pós-Yom Kipur (nada que uma sucá não resolva)
PERGUNTA:
Sinto-me triste após o Yom Kipur. Todo ano fico muito inspirado pelo jejum e tenho confiança de que serei mais comprometido com o Judaísmo no ano que se inicia. No entanto, essa sensação, de alguma forma, se dissipa muito rapidamente (costuma durar até a terceira garfada depois de quebrar o jejum). Não quero deixar isso acontecer de novo este ano. Alguma sugestão?
RESPOSTA:
Sei exatamente o que você precisa. Você precisa ser envolvido.
Um bebê recém-nascido, instantes após o nascimento, é levado por uma parteira e envolvido em uma manta. Isso serve para mantê-lo protegido e aquecido. Ao sair da segurança e da nutrição do útero, o bebê está particularmente vulnerável e sensível. Ao envolvê-lo com uma manta aquecida, damos-lhe uma sensação de proteção contra o mundo frio e hostil em que ele acaba de emergir.
Contudo, o envolvimento não dura muito. É raro vermos por aí adolescentes envolvidos por um pano, com os braços atados (muito embora, talvez, alguns devessem sê-lo). A fase na qual envolvemos os recém-nascidos dura pouco e serve de elo entre a segurança do útero e os perigos da vida real. Um bebê bem aconchegado acabará crescendo para enfrentar a vida tal como ela se apresenta. A manta envolvedora ajuda-o a chegar lá.
Sua alma também precisa dessa conexão. Você emergiu do ventre de Yom Kipur, sua alma está pura e renovada. O resíduo negativo de seu passado foi apagado. Sua alma agora está terna e sensível, e, portanto, mais facilmente suscetível à frieza da apatia espiritual e outros germes morais que flutuam pelos ares. Você precisa de proteção. Você precisa ser envolvido. Você precisa de uma sucá.
A sucá está entre as únicas mitsvot que cumprimos com todo o nosso ser. A atmosfera sagrada que nos rodeia na sucá é capaz de nos envolver completamente. Ela transforma tudo o que fazemos em um ato sagrado. As simples ações de comer, beber e conversar viram uma mitsvá quando feitas à sombra Divina da sucá. Quando nos sentamos em uma sucá, somos envoltos em santidade.
Sair direto das alturas do Yom Kipur para cair na rotina mundana é como tirar um recém-nascido do útero de sua mãe e o expor à madrugada fria. Simplesmente não se pode fazer isso. Sente-se na sucá. Aproveite sua sombra sagrada. Sinta o embalo que provém da atmosfera, como um abraço caloroso.
Você não está sofrendo pela tristeza pós-Yom Kipur; você é apenas uma alma vulnerável. A sucá pode consertar isso.
Por Aron Moss, de chabad.org
Fonte: Artigo da Revista Celebração do Beit Chabad Morumbi





