O SIGNIFICADO DE YOM KIPUR (o Dia do Perdão)
Yom Kipur é o dia mais sagrado do ano, quando os judeus do mundo todo se unem em seus corações e pensamentos com nosso Mestre Celestial, D’us Todo Poderoso. O significado deste dia é ser o dia escolhido por D’us para ser o Seu dia do perdão.
O perdão, nos casos interpessoais, vem de um sentido de consideração, proximidade, amizade e amor, independentemente do comportamento passado. É este amor e intimidade que fazem com que queiramos manter o relacionamento, apesar dos erros e falhas cometidos.
Da mesma forma, mesmo quando transgredimos a vontade de D’us e, consequentemente, enfraquecemos nossos laços com Ele, D’us acolhe nosso arrependimento e está disposto a nos perdoar. Pois D’us é nosso Pai. Nossa essência, nossa neshamá (alma) é Divina e está ligada intrinsicamente com Ele.
Assim, ao reservar um dia especial para o perdão, Ele manifesta Seu amor por nós. Isso é o que torna este o “dia mais sagrado”, pois é quando D’us revela a profundidade de Seu vínculo conosco, independentemente do nosso comportamento e observância, ao longo do ano.
O que D’us nos pede é que nos voltemos a Ele, que nos conectemos com Ele. Fazemos isso ao cumprir Sua vontade, conforme aparece na Torá. É necessário reconhecer e admitir nossos erros, pedir perdão e tomar, com firmeza, a decisão de ser leal a D’us: obedecer a Sua vontade, estudar Sua Torá e comprometer-se a cumprir pelo menos mais uma mitsvá. Através desta nos ligamos a Ele, cumprindo Seu desejo, diariamente.
YOM KIPUR É O DIA MAIS SAGRADO DO ANO. É NESTE DIA QUE FICA MARCADA A MAIS SUBLIME DÁDIVA DE D’US PARA NÓS: O PERDÃO E A UNIÃO.
ALGUMAS PRECES ESPECIAIS DO DIA
COL NIDREI: Quando o sol se põe, iniciamos o serviço de Yom Kipur com o solene “Col Nidrei”, recitando-o três vezes com sua conhecida melodia tradicional. Cada vez recitamos mais alto que a anterior, como se entrássemos em um palácio espiritual e chegássemos cada vez mais perto do Rei Eterno.
Col Nidrei, que significa “todos os votos”, é uma anulação das promessas feitas sem reflexão. Declaramos todos os votos e promessas futuras inválidos e sem efeito. (É preciso enfatizar que existem condições e restrições quanto à natureza dos votos, nesta anulação. Não são anulados os votos feitos entre uma pessoa e outra.)
ORIGEM: Na Espanha medieval, os judeus foram forçados por autoridades armadas a jurar que abandonariam o Judaísmo. Conta-se que no Yom Kipur eles se reuniam secretamente e cancelavam formalmente tais votos, passados ou futuros. Assim, no dia mais sagrado do ano, poderiam rezar com a consciência limpa.
HOJE: Atualmente, ninguém nos obriga a negar o Judaísmo. Mas nossas próprias fraquezas espirituais muitas vezes nos levam a nos sentirmos restritos, limitados ou presos, de várias maneiras, e, portanto, impedidos de nos expressar-mos plenamente como judeus. Desculpas vazias como “eu gostaria de celebrar o Shabat, mas tenho que ficar até tarde no escritório” ou “não tenho tempo para colocar tefilin” são comuns hoje em dia. Mas não se justificam…
Tais limitações são uma forma de “voto”, ligando-nos ao mundano, ao mundo material. No Yom Kipur expressamos nossa sinceridade ao optarmos pela libertação de velhos hábitos para agir de forma diferente. Em troca, D’us nos ajuda a dissolver nossas restrições autoimpostas. Seja qual for nosso “voto” ou “promessa”, aparentemente normal no que tange aos valores seculares e materiais, no Yom Kipur temos a liberdade de expressar abertamente o amor pleno e a total devoção a D’us.
VIDUI (CONFISSÃO): A principal oração – repetida 10 vezes em 26 horas – é o Vidui. Nesta oração pedimos desculpas e assumimos a responsabilidade por todos os possíveis erros que possamos ter cometido. Como pode ser difícil memorizar todas as nossas falhas, no Vidui aparecem listadas por ordem alfabética as atitudes e os erros que podem nos ter levado ao pecado. Em cada uma das cinco orações do Yom Kipur recitamos o Vidui duas vezes. A cada vez a alma é libertada e se eleva mais e mais, até chegar ao último estágio, no serviço de Neilá, ao final do Yom Kipur, quando os Portões Celestiais se fecham e a alma sobe às alturas mais elevadas.
YIZCOR: É um dos momentos mais solenes durante as rezas de Yom Kipur. Sua importância se deve aos benefícios espirituais que esse momento confere às almas dos falecidos. A milenar tradição de recordar as almas dos entes queridos já falecidos está enraizada na crença fundamental do Judaísmo na eternidade da alma. Quando a vida física termina, apenas o corpo morre. A alma ascende a um mundo espiritual, onde pode alcançar níveis crescentes de pureza e santidade.
O Yizcor é mais do que uma prece de lembrança; é um momento de conexão com as almas de nossos entes queridos em um nível mais profundo. A tradição diz que, durante a prece de Yizcor, as almas dos falecidos descem do céu e se juntam àqueles que lhes são mais próximos, rompendo assim a barreira que separa este mundo físico (onde nos encontramos) do mundo espiritual (onde se encontram os que partiram), criando assim uma forte conexão de almas.
No momento do Yizcor nos comprometemos a doar tsedacá em memória dos entes queridos que partiram. D’us, em Sua misericórdia, credita esta boa ação aos falecidos.
NEILÁ: Esta oração significa “fechamento”. São os momentos finais destes dias solenes. Esta reza exclusiva de Yom Kipur marca o “fechamento” dos Portões Celestiais tendo-nos “do lado de dentro”, bem próximos a D’us. É o único serviço do ano em que as portas da Arca Sagrada permanecem abertas do início ao fim, simbolizando que os Portões Celestiais estão totalmente receptivos para nós, nesse momento.
Ao final da Neilá, clamamos em uníssono o Shemá Yisrael e tocamos o shofar. É importante lembrar que o toque do shofar indica apenas o final da Neilá. O jejum termina somente após a Havdalá.
Fonte: Artigo da Revista Celebração do Beit Chabad Morumbi







