Pergunta: na sua opinião, quais são os perigos da clonagem humana?
RABINO DAVID: Há o perigo óbvio na clonagem humana de que os neonazistas, saudosos da guerra, queiram clonar Hitler ou um outro antissemita. Mas, é claro, existem outros perigos.
Por exemplo, falamos antes que no processo de clonagem humana haverá muitos fetos mortos. A conta é simples, pois, para concretizá-la, são necessários muitos óvulos.
A clonagem terapêutica precisa de muitas células troncos retiradas de embriões. O que pode vir a acontecer com o tempo é o comércio, um grande comércio de óvulos e de embriões.
Assim, todos os restos de embriões provenientes das clínicas de fertilização poderiam ser comercializados, D’us nos livre.
O pior de tudo, sem dúvida, é que o ser humano passaria a ser tratado como matéria-prima barata.
Como disse o cientista francês, Professor Axel Kahn, é preciso ficar bem claro que “um embrião não serve para criar um gatinho; o embrião existe para criar um bebê, um ser humano”.
Portanto, reduzir o homem à condição de matéria-prima, um simples depósito de peças, como se fosse um automóvel ou uma máquina, motivaria um comércio absolutamente assustador.
Por outro lado, há também uma competitividade muito perigosa entre os países e os pesquisadores. Quem será o primeiro a ganhar a fama e a glória de conseguir uma clonagem humana?
D’us nos livre que os fins justifiquem os meios. Mas o maior perigo que o judaísmo vê na clonagem humana é o fato de poder colocar filhos no mundo sem a necessidade de uma família ao seu redor, o que é muito grave.
Preceitos judaicos inalienáveis
De acordo com o judaísmo, é preciso amar o próximo como a si mesmo, dar a ele a possibilidade de uma vida digna e saudável.
Todos concordam que os recém-nascidos, as crianças e os adolescentes precisam dos pais para educá-los. Precisam de calor humano e precisam das figuras masculina e feminina que vão formar o seu caráter, dar-lhes a segurança e os valores necessários à vida adulta.
Por esta razão temos de tomar muito cuidado ao trazer ao mundo filhos que não vão ter, necessariamente, pais, já que é possível clonar uma célula a partir de uma mulher, ou da própria mulher e assim por diante.
Aliás, o problema de filhos crescerem sem os pais ocorre também com a utilização da técnica da fertilização in vitro.
A ciência e a tecnologia não estão muito longe de criar e fabricar um útero artificial em que seja possível abrigar o feto até o nascimento.
Neste caso, vamos ter um bebê de proveta na acepção da palavra, desde o início até o fim. Não teremos pais aqui que acompanhem a gravidez e aguardem o nascimento dessa criança.
Temos aqui graves riscos para a sociedade. Imagino até se alguns iriam usar a técnica para fins comerciais, políticos ou outros, D’us nos livre.
É obrigação de todos os homens ligados à moral e às leis da sociedade, incluindo os homens de halachá, os grandes sábios judeus, proclamar de forma clara e objetiva que criar crianças sem pais é um pecado grave com conseqüências absolutamente devastadoras para a sociedade, a moral e a ética.
A sociedade deve proibir tal procedimento da melhor forma possível com uma legislação que envolva sanções apropriadas.
