Pergunta: deixando agora a clonagem de animais, qual a sua opinião sobre a clonagem humana ou de seres humanos? 

RABINO DAVID: Não há dúvida que a grande discussão a respeito da clonagem animal se estende à clonagem humana ou de seres humanos.

Existem dois tipos de clonagem humana: a clonagem da reprodução, que procura auxiliar casais que não têm filhos há muitos anos, buscando oferecer-lhes esta possibilidade.

Há também a clonagem terapêutica. Recentemente, foi muito divulgada quando dois médicos, um italiano e outro americano, anunciaram que estavam aproximando-se da clonagem humana.

É muito importante entender, e talvez pouca gente o saiba, que para chegar à ovelha Dolly foram utilizados 276 óvulos, dos quais apenas 29 sobreviveram.

Estes foram introduzidos no útero de várias ovelhas e, dos 29 embriões, somente Dolly conseguiu nascer saudável.

Assim, testar conhecimentos em seres humanos é algo muito perigoso. É algo realmente gravíssimo. D’us nos livre, mas se trata de uma técnica que pode resultar em uma grande quantidade de abortos, fetos deformados ou natimortos.

Todos os cientistas são unânimes em afirmar um dado que chama a atenção. Falam que dos 100 primeiros embriões humanos clonados e implantados em várias mães de aluguel, 98 serão  abortados espontaneamente. Isso devido a anomalias genéticas.

E mesmo que nascessem, seriam seres alterados. Teriam seu peso bem maior do que o normal. Seriam  portadores de problemas cardíacos, circulatórios, com pulmões subdesenvolvidos, diabetes e outras insuficiências.

Uma concordância notável

Por esta razão, não apenas os humanistas como também os cientistas, concordam em uma coisa. Tentar aplicar e testar em seres humanos uma tecnologia perigosíssima, que ainda não é dominada, é um ato criminoso.

Até mesmo em uma situação onde um casal esteja tentando fazer uma “cópia”, uma clonagem de uma criança falecida prematuramente. É ilógico que uma criança falecida “gere” muitas outras crianças ou embriões mortos.

Para alcançar este objetivo seria preciso destruir muitos embriões humanos que, conforme o judaísmo, já têm vida.

Clonagem Terapêutica

No que diz respeito ao segundo tipo de clonagem, a terapêutica, a ciência afirma que é a grande promessa em matéria de clonagem.

Não se trata de “copiar” aqueles que faleceram, mas salvar os que estão doentes.

Sabemos que a técnica consiste em fabricar embriões geneticamente idênticos à pessoa em tratamento e tais células troncos, como são chamadas, após serem cultivadas, poderão ser induzidas a formar células cardíacas,  pancreáticas, cerebrais etc.

Isto, obviamente, poderia ajudar no tratamento do Mal de Parkinson e outras doenças. Porém para nós, judeus, este procedimento é imoral e absolutamente inaceitável.

Existem inúmeras objeções morais a respeito, pois o ser humano não pode ser visto apenas como um depósito de peças avulsas.

Fiquei profundamente chocado ao ler uma notícia. Nela um cientista teria dito que, afinal, “o embrião não passa de um amontoado de células, de uma pequena bola, menor do que a cabeça de um alfinete”.

Desde quando a vida tem tamanho? Se é grande ou pequena, é uma vida! Um embrião existe para gerar filhos, bebês, e não para fabricar peças de reposição.

Quem sabe quantos embriões vamos ter de “matar” para obter uma célula tronco? Teremos, no processo, uma matança maciça de embriões, D’us nos livre.