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O Calendário Judaico (Cheshvan)

por Rabino Y. David Weitman

Resumo: O Mês de Cheshvan - Ciclo de Palestras "O Calendário Judaico"

Nesta palestra, o rabino Y. David Weitman explora as nuances do mês de Cheshvan, um período aparentemente simples que carrega em si tristezas históricas, mas também as sementes das mais grandiosas redenções futuras. É o mês que nos desafia a concretizar no mundo a espiritualidade elevada que adquirimos em Tishrei.

📺 Assista à palestra completa para se aprofundar nestes e em muitos outros conceitos fascinantes

1. O Mês “Amargo” sem Festas
Conteúdo: Cheshvan é conhecido por dois nomes principais: seu nome bíblico, “o Oitavo Mês” (a partir de Nissan), e Marcheshvan (“Mar” significa amargo ou gota). É o único mês do calendário judaico sem nenhuma festa ou data comemorativa.
Comentário: O rabino explica que essa “amargura” histórica vem de dois eventos trágicos: a instituição de uma festa idolatra pelo rei Jeroboão, que desviou o povo, e a captura e cegueira do último rei de Judá, Tzedequias, pelos babilônios. Cheshvan representa a transição da elevada espiritualidade de Tishrei para a rotina do ano, o que exige resiliência e propósito.

2. A Missão: Concretizar a Espiritualidade
Conteúdo: Após o intenso mês de festas (Rosh Hashaná, Yom Kipur, Sucot), Cheshvan marca o retorno à vida cotidiana. O primeiro Shabat do ano é dedicado à leitura da Porção Bereshit (Gênesis), que narra a Criação.
Comentário: Esta não é uma simples volta à rotina. A essência de Cheshvan é “Yaakov va’l’darko” (Jacó seguiu seu caminho), significando que devemos levar toda a inspiração e bênção recebidas em Tishrei e aplicá-las em nossas ações diárias. É o mês de colocar a espiritualidade em prática no mundo material.

3. A Promessa Futura: A Inauguração do Terceiro Templo
Conteúdo: O Primeiro Templo, construído pelo Rei Salomão, foi concluído no mês de Cheshvan. No entanto, sua inauguração foi adiada por 11 meses até Tishrei, para que coincidisse com o aniversário dos patriarcas.
Comentário: Esta aparente decepção esconde uma promessa gloriosa. Assim como D’us recompensou o mês de Kislev com Chanucá, prometeu que a inauguração do Terceiro Templo ocorrerá em Cheshvan. Esta futura redenção será a correção (“Tikun”) definitiva para todas as tristezas históricas deste mês.

📺 A explicação sobre como a conclusão do Primeiro Templo aplacou os tremores de terra remanescentes do Dilúvio é um insight fascinante. Não perca!

4. A Cabalá de Cheshvan: O Olfato e a Essência
Conteúdo: Na Cabalá, Cheshvan está ligado:
– Ao signo de Escorpião, um animal associado à água.
– Ao sentido do olfato.
– À tribo de Menashê, filho de José.
Comentário: O rabino revela uma conexão profunda: o olfato é considerado o sentido mais espiritual, pois foi o único que não participou do Pecado Original. A palavra Menashê compartilha a raiz com Neshamá (alma), que é revitalizada por bons aromas. José, pai de Menashê, foi vendido a uma caravana de perfumes. Tudo isso aponta para a capacidade de Cheshvan de discernir a essência espiritual pura por trás da realidade material.

5. Datas de Conexão Divina: A Chuva e a Mãe Rachel
Conteúdo: Duas datas importantes marcam Cheshvan:
– 7 de Cheshvan: Em Israel, começa-se a pedir por chuva nas preces diárias.
– 11 de Cheshvan: Yahrtzeit (aniversário de falecimento) de Rachel, nossa matriarca.
Comentário: O início das preces por chuva é um ato de amor ao próximo, pois se aguarda que todos os peregrinos de Sucot tenham voltado para casa sãos e salvos. A chuva simboliza a bênção divina direta, e seu pedido é um momento propício para súplicas. Já Rachel Imeinu é a “mãe por excelência” cujas lágrimas por seus filhos no exílio comoveram a D’us, garantindo a promessa de redenção final. Seu túmulo é um local de preces poderosas.

📺 A metáfora do “rei que abre seus cofres” para explicar por que o pedido de chuva é um momento tão propício é uma joia desta palestra. Confira!

Em resumo, Cheshvan longe de ser um mês vazio, é um período de profundo significado. É o mês do “trabalho de base” espiritual, onde a teoria se torna prática. Embora carregue a memória de tristezas, ele é portador da mais sublime esperança: a de ser, no futuro, o mês da inauguração do Terceiro Templo. Através do olfato espiritual, da prece sincera pela sustento e da conexão com a amorosa intercessão de Rachel, Cheshvan nos ensina a encontrar o divino na simplicidade da vida cotidiana e a trabalhar para tornar o mundo uma morada para D’us.

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