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malabarismo

Era algo magnífico de se ver: os maiores sábios de Israel fazendo malabarismo; e isso acontecia todos os anos durante a Festa de Sucot.

EDITADO DE UM ARTIGO DO RABINO Y. Y. JACOBSON, BASEADO EM UM DISCURSO DO REBE,

OS MOVIMENTOS DO MALABARISMO

Era uma cena para ser vista. Nas noites de sucot, os judeus – homens e mulheres – ficavam acordados a noite toda cantando, dançando e se alegrando uns com os outros e com D’us, no pátio do Templo Sagrado, em Jerusalém. Mas havia um aspecto da celebração que a Mishná e o Talmud mencionam com destaque: os sábios que faziam malabarismo com fogo.

A Mishná afirma: Os homens justos e de ações nobres dançavam enquanto faziam malabarismos com tochas acesas.

Além disso, o Talmud relata a história de um malabarista em particular durante essas celebrações de Sucot. Ele não era um judeu comum; era Rabi Shimon ben Gamliel, o chefe do San’hedrin (Tribunal Superior Judaico), conhecido como “Nassí” – o Príncipe do povo judeu. Ele era o líder espiritual da nação. Nessas celebrações, Rabi Shimon acendia oito tochas e fazia malabarismo com elas, sem deixar cair nenhuma delas e sem deixar que elas se tocassem.

Era uma cena inusitada: o maior erudito e líder da época fazendo malabarismo com oito tochas acesas!

Mas parece estranho. Qual era o significado dessa prática durante os festejos de Sucot? Por que isso era feito pelo maior sábio de Israel? Alguém poderia pensar que essa brincadeira não estava à altura da sua posição. Por que o malabarismo com tochas acesas era um ponto alto da celebração, a ponto de justificar uma menção especial na Mishná e no Talmud? Nós podemos apreciar a música, o canto e a dança, que são formas naturais de expressar alegria – mas por que o malabarismo desempenhava um papel tão central? E a ponto de ser realizado pelo maior gigante espiritual da época?

A tradição de fazer malabarismo em ocasiões alegres continuou ao longo da história judaica. Alguns de vocês devem se lembrar da cena do casamento no “Violinista no Telhado”, em que um grupo de quatro convidados do casamento executa um passo de dança bem coreografado enquanto equilibra garrafas de vinho em suas cabeças sem derramar uma gota. Esses divertimentos ainda são praticados regularmente em muitos casamentos judaicos tradicionais.

A HISTÓRIA DA VIDA

O malabarismo capta, de uma forma muito física e tangível, o significado da vida – e o caminho para a alegria genuína.

Frequentemente, ouvimos as pessoas se lamentarem: “Eu tenho muitas coisas para resolver!” A vida em nosso mundo corrido, estressante, agitado e frequentemente caótico tornou-se um malabarismo, tanto no trabalho quanto em casa. Somos todos malabaristas.

No entanto, no Judaísmo, nós vamos além. Não estamos apenas fazendo malabarismo com deveres; estamos fazendo malabarismo com tochas de fogo.

DEIXE A SUA ALMA VOAR

“A alma do homem é uma chama de D’us”, diz o Provérbio. Cada um de nós carrega uma tocha ardente dentro de nós; nossa alma está cheia de fogo: paixão intensa, calor, luz e a incrível possibilidade de iluminar e aquecer o mundo que nos rodeia.

Na vida, você tem que ser malabarista, lançar a sua “tocha” o mais alto que puder. Você precisa deixar sua alma flamejante se elevar de vez em quando e se desligar de todas as pressões, estresses, responsabilidades e ansiedades de sua existência terrena.

Pelo menos por alguns minutos por dia, você precisa deixar sua alma “derreter” no sublime, para se unir à sua fonte primitiva. Todos merecemos alguns momentos de intimidade com nós mesmos, com nosso D’us, com a nossa verdade.

Isso é chamado de “tempo ocioso”. Todos precisam de um tempo ocioso, quando você pode simplesmente “largar” todos os deveres e pressões e relaxar. Momentos em que você se permite apenas “ser”, respirar, estar presente no momento, estar livre de obrigações.

No Judaísmo, chamamos isso de “disponibilidade” – é o momento em que você arremessa a sua alma e a deixa voar, livre de suas correntes e grilhões.

Assim como uma criança corre para os braços de seu pai apenas para ser levantada e abraçada, sem quaisquer motivos, também a alma precisa de seus momentos em que possa ser elevada no abraço de seu Pai Celestial, livre de qualquer preocupação ou motivação, a não ser a oportunidade de habitar no seio de sua fonte transcendente.

AM OU FM?

E, ainda assim, a nossa tocha não deve ficar lá em cima para sempre. Ela precisa descer e voltar às nossas preocupações e responsabilidades do momento. Ela deve descer, voltando à realidade, à rotina diária. Não podemos viver no céu; temos que viver na terra.

O malabarista é a pessoa que tem a habilidade única de operar continuamente em dois níveis, vivendo simultaneamente em dois estados de consciência.

Tem pessoas que vivem na rádio “AM”, e tem outras que funcionam na rádio “FM”. Alguns vivem em torno de “manchetes”, “entrevistas” pessimistas, boletins de trânsito e escândalos e crises políticas. Como diz certa rádio, “em 20 minutos, tudo pode mudar”. E nesses 20 minutos você ouve o suficiente para ficar nervoso, ansioso, preocupado, estressado e devastado.

E então há almas que vivem na “rádio FM”. Elas marcham ao ritmo de uma música suave, livres e imperturbadas pelas realidades e pressões das “notícias”. Elas não se importam se a ponte X ou o túnel Y estão com um congestionamento quilométrico. Elas não estão ansiosas para saber das “últimas notícias” e dos intermináveis boletins sobre a pandemia. Elas simplesmente se divertem no mundo doce, delicioso e sempre relaxante dos canais de música FM.

Qual é a abordagem judaica? Viver em AM ou FM?

A resposta é: fazer malabarismo. Ter sempre “parte” da sua alma lá em cima e parte da sua alma aqui embaixo. Uma tocha sobe, enquanto a outra desce. Uma parte de sua alma flamejante permanece em cima, enquanto a outra desce. E então, inversamente, a outra vai para cima, e a que foi lançada ao ar volta para baixo.

Ser judeu significa que você tem a capacidade de atuar simultaneamente em AM e FM. Ter a consciência profunda, por um lado, de que todo este universo é apenas “uma gota do mar” do infinito, e não deve levar isso tão a sério; e, por outro lado, apreciar a verdade de que fomos enviados a este mundo para transformar a terra em céu, e as trevas, em luz, para pegar os infinitos detalhes de nossos dias e infundi-los em santidade e propósito Divino. Nós vivemos em FM e AM simultaneamente, fazemos malabarismo, e permanecemos lá em cima, enquanto estamos presentes aqui e agora.

AS ALMAS INTEGRADAS

Fazer malabarismo, portanto, incorpora a essência do nosso festival de alegria. A vida de felicidade exige o domínio da arte do malabarismo. Se eu fico aqui embaixo o tempo todo, preso no modo AM, fico muito enredado nas pressões da vida. Eu fico sobre- carregado e esgotado. Se eu fico lá em cima o tempo todo no modo FM, sinto que estou abandonando a minha missão e não posso estar contente. A felicidade exige que eu cultive o ato de malabarismo espiritual.

É a grande alma, definida no Talmud como o “chassid”, que domina a arte de fazer malabarismo: voe alto, mas deixe uma parte de você se lembrar sempre de sua responsabilidade para com D’us e o homem. Fique lá em cima, mas esteja dentro.

O mestre malabarista era ninguém menos que o grande líder Rabi Shimon ben Gamliel. Pois este é o sinal do verdadeiro líder de nosso povo. Ele nunca se enreda nas armadilhas da fragilidade e da sordidez humana. Mas ele também não se isola, separando-se de seu rebanho. Ele está sempre totalmente presente, mas nunca perde a sua conexão com o céu, com a pureza, a santidade e a inocência. Ele nunca se torna cínico, desiludido e corrupto. Ele ou ela é mestre na arte da integração.

Fonte: Artigo da Revista Celebração do Beit Chabad Morumbi

 

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