Por Aaron Moss – chabad.org
Quatro perguntas do Ma Nishtaná
Pergunta:
Por que chamamos a seção do “Ma Nishtaná” de “Quatro Perguntas?” Se analisarmos o texto, constatamos que são quatro afirmações: “Por que esta noite é diferente de todas as outras noites?”
E o texto continua:
1. Em todas as outras noites, não somos obrigados a mergulhar nosso alimento nenhuma vez; nesta noite, mergulhamos duas vezes.
1. Em todas as outras noites, comemos chamêts (fermento) ou matsá; nesta noite, comemos apenas matsá.
2. Em todas as outras noites, comemos todos os tipos de verduras; nesta noite, comemos maror (ervas amargas).
4. Em todas as outras noites, comemos sentados ou reclinados; nesta noite, todos nos reclinamos.
ISSO SOA COMO PERGUNTAS OU AFIRMAÇÕES?
Resposta:
Às vezes, a pergunta é a própria resposta. O “Ma Nishtaná” está perguntando: Por que esta noite é diferente de todas as outras noites? Que poder único a noite de Pessach possui para inspirar até a alma mais distante e sensibilizar até mesmo o cético mais teimoso? O que acontecerá esta noite que mudará nossa perspectiva, abrirá nossos olhos espirituais e acenderá nossas almas?
A explicação é: existem quatro ingredientes nesta noite que a tornam diferente e lhe dão o poder de inspirar. Nós comemos matsá e ervas amargas, mergulhamos o alimento e comemos reclinados. Quando sabemos o que essas atividades representam, temos a resposta de “por que esta noite é tão diferente?”.
Nesta noite, comemos apenas matsá. A matsá representa a humildade. Ela é plana e insípida, ao contrário do pão, que é inflado e cheio de si. A humildade é o pré-requisito para o crescimento e o aprendizado. Alguém que está cheio de si não pode mudar. Somente alguém humilde e aberto pode realmente desenvolver-se como pessoa, um mentsch. Então, enquanto em outras noites nossos egos podem atrapalhar nosso desenvolvimento espiritual, nesta noite isso não ocorre, porque comemos apenas matsá, o pão da humildade. Nós internalizamos o espírito da matsá.
Nesta noite, comemos maror. Muitas pessoas estão fechadas para a espiritualidade, não por arrogância, mas por indiferença. Às vezes, simplesmente não damos a devida importância. Nestas circunstâncias, não podemos ser inspirados porque não temos sentimento, e estamos entorpecidos e insensíveis às questões espirituais.
Às vezes, precisamos de um choque, de algo para quebrar nossa complacência e nos tornar sensíveis novamente.
Não há nada como um bocado de raiz-forte para fazer seu coração disparar! Assim, comemos o maror para lembrar a amargura da escravidão que nossos antepassados experimentaram e, por extensão, para lembrar nossa própria amargura interior, nossa escravidão aos maus hábitos e ao lado mais sombrio de nossa personalidade. Todas as outras noites podemos permanecer apáticos e evitar sentir a dor, mas esta noite tomamos a pílula amarga — comemos o maror. Encontrar a amargura dentro de nós é um passo para sair da nossa rotina.
Nesta noite, mergulhamos o alimento duas vezes. Alguns de nós passam pela vida sem nunca estar presentes. Podemos estar fisicamente sentados em um lugar, com nossas mentes em outro. Estamos constantemente nos concentrando no que precisa acontecer a seguir, ou onde preferiríamos estar, e nunca experimentamos o momento como ele é. Uma vida assim não é vida.
Perdemos a magia do dia a dia simplesmente porque estamos procurando outro lugar. Portanto, esta noite é diferente. Esta noite nos imergimos no momento, no Sêder e em sua mensagem. Mergulhamos de cabeça nas palavras da Hagadá. Não uma, mas duas vezes: com o corpo e a mente estaremos presentes no Sêder.
Nesta noite, todos nos reclinamos. Um grande obstáculo ao crescimento é a sensação de que estamos presos e estagnados, de que não podemos mudar. Se ao menos percebêssemos quais poderes existem em nossas almas, saberíamos que há muito mais que poderíamos realizar.
Com todas as nossas falhas e fraquezas, possuímos uma alma que é pura realeza — uma centelha Divina que se eleva acima de todos os desafios que a vida traz. E assim, embora em todas as outras noites possamos não estar cientes disso, esta noite nos reclinamos como os reis e rainhas que realmente somos. Agimos como realeza porque somos a realeza, filhos e filhas de D’us.
E assim, as Quatro Perguntas são na verdade quatro respostas. Por que esta noite é diferente? Por que nossas almas serão libertadas esta noite? Porque teremos a humildade da matsá, romperemos com nossa indiferença e nos sensibilizaremos através do maror, mergulharemos nossas mentes e corpos na experiência do Sêder e reconheceremos a verdadeira nobreza e realeza de nossa alma infinitamente poderosa.
E são as crianças que nos ensinam como fazer tudo isso. Observe as crianças. Elas são verdadeiramente livres porque têm a humildade para aprender, a abertura de coração para sentir, a confiança para estar imersas no presente e a confiança para acreditar que podem fazer qualquer coisa. Vamos ouvir as perguntas das crianças. Nelas podemos encontrar algumas respostas.
Fonte: Artigo da Revista Celebração do Beit Chabad Morumbi
