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pão da fé

Pão da fé

Por Yanki Tauber, chabad.org

A matsá é o ícone básico da festa de Pessach. E qual é o seu verdadeiro nome? O nome bíblico de Pessach é “Festa das matsot”.

Por oito dias comemos este pão plano e sem fermento. E na véspera de Pessach, as três matsot do sêder, estrategicamente dispostas na keará posicionada na cabeceira da mesa, ocupam um lugar de destaque no palco dos rituais do sêder.

Há muitas divergências em torno do significado da matsá. Os sábios do Talmud e da Cabalá lhe dão nomes diferentes, até mesmo conflitantes: “pão da aflição”, “pão da pobreza”, “pão da humildade”, “pão da instrução”, “pão da fé”, “pão da cura”.

E também há uma questão cronológica: quando foi que a matsá apareceu?

No início do sêder, anunciamos: “Este é o pão da aflição que nossos antepassados comeram na terra do Egito”.

Mas, um pouco depois, recitamos: “Esta matsá que comemos, por que razão [a comemos]? Porque a massa de nossos pais não teve tempo de ser fermentada antes que o Rei dos reis, o Santo, bendito seja, Se revelasse a eles e os redimisse”.

Dessa forma, há a matsá pré-Êxodo e a matsá pós-Êxodo. Ou, como é referida nos ensinamentos do Chassidismo, a matsá pré-meia-noite e a matsá pós-meia-noite.

Quando você era criança, você foi abençoado com fé. O mundo era bom, as pessoas eram boas, e ser bom para você era simplesmente uma questão de seguir as orientações do que se deve e do que não se deve fazer, o que D’us disse para sua mãe e seu pai.

Daí você foi crescendo, conheceu gente que agia em desacordo com as regras e descobriu que segui-las nem sempre funciona da maneira que você imaginava. A moral se confundiu em uma mistura de incertezas e suposições.

A fé por si só já não bastava; era preciso também intelecto, sensibilidade, sentimento, vontade e desejo de navegar nessa coisa chamada vida.

Quando você se casou, você foi abençoado com fé. Seu cônjuge era a pessoa mais bondosa, inteligente, bonita, talentosa, atenciosa e amorosa do universo.

O amor de um pelo outro superava qualquer coisa. Então seu casamento envelheceu, adquiriu algumas rugas, batimento cardíaco irregular e surtos de demência. O amor por si só já não bastava: era preciso também intelecto, sensibilidade, sentimento, vontade e desejo para manter o relacionamento.

Tudo começou com fé e avançou para a experiência. Mas há também uma terceira etapa: a etapa em que a fé ressurge.

Um estágio em que você descobre que seu cônjuge é realmente a pessoa mais incrível e maravilhosa do universo.

Um estágio no qual você descobre que o mundo é bom, que as pessoas são boas, que as orientações de D’us a respeito do que se deve fazer ou não são a fórmula para uma vida significativa.

Não, não é tão simples e direto como sua fé da juventude. Mas esta fé madura, complexa, atenciosa, voluntária e inspirada tem algo que a fé jovem não tinha: densidade, textura, sabor. Uma riqueza.

Você voltou para aquela fé original, a mesma fé que brilhou com tanta força porque não estava encoberta de conhecimento e experiência.

Agora, entretanto, sua fé coexiste com — na verdade se alimenta de — seu conhecimento e experiência.

As raízes da fé vão além disso, sua coroa se eleva mais alto, mas também se inclina contra esses dois aspectos e é fortalecida por eles.

Este é o sentido da matsá: o pão da fé tem duas faces. É a fé da “pobreza”, que floresce nas almas puras, livres dos emaranhados do intelecto e dos fardos da experiência. E, quando emerge do outro lado, é uma fé enriquecida pelos próprios elementos que a sufocaram em seus anos de exílio.

Fonte: Artigo da Revista Celebração do Beit Chabad Morumbi

Quando surgiu a Matsá?

Hagadá de Pessach

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