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O judaísmo é feminista?

por Rabino Y. David Weitman
judaísmo é feminista

A visão unilateral do movimento feminista

Sem dúvida muitos leitores conhecem bem as sérias críticas feitas ao judaísmo pelas mulheres nos últimos anos. Críticas, em geral, ligadas ao movimento feminista na cultura moderna.

As pensadoras feministas desenvolveram algumas posições intelectuais coerentes e constrangedoras, que não têm relação com a nossa compreensão da espiritualidade em geral, e do judaísmo em particular.

A maior parte das pessoas não familiarizada com a área assume que as feministas são o que podemos chamar de linha dura, enfatizando a igualdade dos sexos em virtualmente todas as áreas da vida e declarando que as diferenças entre homens e mulheres são insignificantes.

As adeptas desta visão argumentam que toda sociedade humana, desde a da vida familiar até a das nações, pode ser organizada com base em um completo igualitarismo.

Todavia, em psicologia e no pensamento religioso, não é este o ponto de vista dominante nos mais recentes estudos.

Cada vez mais, estudiosas feministas sustentam que, embora a igualdade seja um valor primário, existem diferenças significativas entre os sexos.

Tem sido reconhecido por algumas escolas de psicologia, sobretudo a junguiana, que as diferenças entre os sexos são relevantes para a compreensão das personalidades do homem e da mulher no processo de terapia, que pode permitir à pessoa chegar à autorrealização.

Estudos recentes acrescentam ainda que as diferenças entre os sexos influenciam as atitudes, a formação do julgamento moral e a aquisição de conhecimento.

Esses estudos apoiam a alegação feminista de que todas as disciplinas do conhecimento e a maioria das profissões nelas baseadas estão, hoje, definidas em termos de valores masculinos.

A sociedade humana não pode, adequadamente, incluir as mulheres enquanto os valores, as atitudes e as formas de conhecimento femininos não forem apreciados e institucionalizados.

Muitas feministas vão mais longe, afirmando que os valores dominantes masculinos corromperam nossa cultura, conduziram ao racismo, à proliferação nuclear, à violência contra a mulher e à crise ecológica. Por isso os valores masculinos devem ser subvertidos pelos femininos.

As mulheres trabalhando nessa área estão desenvolvendo, gradualmente, uma perspectiva feminista da sociedade que promete ter grande impacto nas próximas décadas.

Os seus estudos terão, igualmente, implicações para a nossa compreensão da espiri­tualidade feminina.

Por enquanto podemos fazer, aqui, apenas uma avaliação preliminar, já que os estudos estão nas fases preliminares.

Observemos em que medida estas perspectivas são compatíveis com a visão da mulher no judaísmo tradicional.

Estaria o judaísmo sendo ultrapassado pela nova compreensão da mulher? Ou podemos nós, como mulheres judias, travar um frutífero diálogo com a visão moderna, de modo que possamos usar nossa força e corrigir nossa fraqueza, para criar uma vida judaica viável para nossas filhas no século vinte e um?

Penso que sim, e nos próximos dois capítulos sugerirei como.

O judaísmo é feminista?

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