Anjos no judaísmo pode começar olhando-se a palavra usada em hebraico para anjos — malachim —, que significa, também, emissários.

Os anjos são criaturas divinas, diferentes dos seres humanos bem como das outras criaturas que conhecemos.

Foram criados por D’us durante os dias da criação e têm uma corporalidade diferente. Enquanto o homem e todas criaturas que conhecemos neste mundo físico e material, são compostos de quatro elementos básicos — terra, fogo, ar e água — segundo Nachmânides, os anjos são compostos de apenas dois elementos, os mais leves, ou seja, o fogo e o ar.

Os anjos vivem num mundo diferente do nosso. Enquanto o homem vive no mundo da ação (assiyá), os anjos vivem no mundo da formação (yetsirá) ou da criação (briyá) e não são visíveis por nós.

Cada um tem uma função especial, uma missão que lhe foi designada. Os anjos têm um livre arbítrio limitado, tendo uma vida, digamos, robótica.

Seu livre arbítrio — e eventual castigo — existe apenas em relação à sua missão específica. Por isto, D’us se orgulha mais dos homens do que dos anjos.

Quando o homem, apesar de estar cercado tanto do bem como do mal, escolhe o caminho certo, dominando suas paixões e desejos, a satisfação do Criador é muito maior.

Nomes e funções específicas de anjos no judaísmo

Os anjos têm nomes em função de sua missão: o anjo da cura é Rafael; nosso anjo de defesa, Michael, enquanto o anjo do rigor é Gabriel e, assim por diante.

Existem centenas e milhares de anjos que têm seus nomes mencionados em nossa literatura mística. Maimônides enumera em seu Código, dez categorias de anjos; uns mais elevados que os outros, dependendo de seu grau de missão e pureza.

Por exemplo, os serafins, que têm tanto louvor a D’us, são quase queimados, pela intensidade do amor ao Criador.

Os mais baixos são ofanim e chayot hakodesh (animais sagrados), chamados assim devido a seu amor natural por D’us, como a piedade inata aos animais.

Os mais próximos dos homens são ishim (homens), responsáveis pela transmissão da profecia aos homens. Existem dois tipos de anjos: os acima mencionados, criados por D’us na Gênese (no 2º ou 5º dia) e os anjos criados pelo próprio homem, através de suas ações.

O homem pode criar anjos bons ou maus. Consta na Mishná-Pirkei Avot (Ética dos Pais) que quando se faz uma boa ação, adquire para si um “advogado” que o defenderá e protegerá; mas quando comete um erro, adquire para si um “promotor”, um “anjo acusador”.

Assim sendo, nossos erros alimentam anjos maus, como o processo de simbiose que alimenta os parasitas. Todavia cada boa ação trás uma energia positiva que se torna nosso advogado. Assim são os anjos no judaísmo.

(Matéria publicada na Revista Morashá em junho de 1995)

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