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Micvê e a pureza feminina

por Rabino Y. David Weitman
menstruação e micvê

Nidá e Menstruação

Entre os mandamentos mais difíceis de entender, estão os relativos à nidá e à menstruação. A Torá nos diz que a partir do momento em que se inicia o ciclo menstrual da mulher, até que ela imerja no micvê, ela possui o status de nidá. Durante este período, toda atividade sexual e contato físico com o sexo oposto estão proibidos.

Como todas as outras leis similares, a nidá é uma chuká ou “decreto”, para o qual não é dado nenhum motivo. No entanto, ela tem sua base lógica, que tentaremos investigar.

Uma fonte comum de confusão é o fato de haver um tabu contra a mulher menstruada em muitas sociedades primitivas. Muitas dessas sociedades colocam restrições severas à mulher durante sua menstruação. Isto levou alguns escritores mal orientados a declarar que as leis da Torá sobre a nidá são apenas uma extensão dessas crenças e práticas primitivas.  Para apreciar corretamente o significado das leis da Torá, precisamos comparar os motivos delas com os motivos desses tabus primitivos.

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Quando analisamos a menstruação do ponto de vista das imperfeições humanas em geral, ela segue o padrão, sem dúvida alguma. Em consequência do pecado de Adão, o homem perdeu a capacidade de aperfeiçoar-se, tanto espiritual quanto fisicamente. Como mencionamos antes, a manifestação mais evidente desta imperfeição física é a mortalidade humana. O homem desgasta-se e morre. O corpo humano tem a capacidade inata de renovar-se constantemente; na teoria pelo menos, o homem tem o potencial de viver para sempre. Porém, isto é algo que ele não pode atingir enquanto estiver em seu estado de imperfeição.

Outra grande área onde a imperfeição humana fica evidente é a do sexo e da reprodução. Uma manifestação disso é o ciclo menstrual, que é ineficiente, incômodo e nada estético.

Outra manifestação desta imperfeição está no próprio parto. Em vez de ser a função natural, como logicamente deveria ser, frequentemente o parto é uma experiência muito traumática. A mulher é hospitalizada, como se estivesse sofrendo uma doença grave, em vez de participar de uma das funções corporais mais naturais. A Torá afirma abertamente que esta é uma manifestação da imperfeição humana, junto com o pecado de Adão e Eva; porque D’us disse à primeira mulher (Gênese 3:16): “Eu aumentarei a tua angústia durante a gravidez – com angústia darás à luz…”. Longe de ser a função biológica natural de dar continuidade à espécie, a gravidez e o parto tornaram-se experiências dolorosas e angustiantes.

Um terceiro aspecto da imperfeição do processo reprodutor humano é evidente em sua atitude geral com respeito ao sexo. Em vez de ser uma função biológica simples, natural, o sexo é a fonte das maiores compulsões e frustrações do homem. Houve muitos experimentos como o “sexo livre”, onde tentaram “restaurar” o sexo ao seu estado de função humana “natural”, mas todos eles fracassaram. A natureza humana inata exige que o homem tenha conflitos psicológicos em relação ao sexo.

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Voltando ao nosso exame original, agora fica óbvio por que uma mulher é considerada “impura” quando está menstruando. Isto, também, tem a ver com o estado degradado da humanidade, e a expulsão do Éden. De fato, nossos Sábios declaram abertamente que a menstruação é resultado do pecado da humanidade. Portanto, até que a mulher se purifique de sua impureza ritual, ela não terá permissão de entrar no recinto do Templo Sagrado, que é um Éden em miniatura. (Isto não se aplica a ir à sinagoga.)

Isto ajuda a explicar por que uma nidá está proibida de ter qualquer contato sexual com um homem. De acordo com os ensinamentos judaicos, o sexo não é algo intrinsecamente vergonhoso ou “sujo”. Muito pelo contrário, é uma das mais sagradas entre todas as funções humanas – sempre que seja mantido dentro das orientações da Torá, e que não seja pervertido. A palavra em hebraico para casamento é kidushin, que literalmente significa “santificação” ou “santidade”. Quando um homem casa com uma mulher, as palavras que declara a ela são: “Verei que você se torne sagrada para mim com este anel…”.

Um dos motivos pelos quais o sexo é tão sagrado é porque ele tem a capacidade de conseguir algo que está além do poder de qualquer outra função humana, isto é, trazer uma alma para o mundo, e produzir um ser humano vivo.

(…)

Exatamente pelo mesmo motivo que uma pessoa ritualmente impura não pode entrar no Templo Sagrado, uma nidá não pode participar da relação sexual. A nidá representa o estado da expulsão do Éden. No entanto, como resultado do pacto da circuncisão, o ato sexual é sagrado (kedushá) e, portanto, é associado ao estado do homem antes da expulsão. Logo, sempre que uma mulher estiver num estado de nidá, ela não poderá participar do ato sagrado do sexo.

Micvê e a pureza feminina

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