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a força da oração
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Um breve introito ilustra a força da oração: Era uma vez, há muitos e muitos anos, um vendedor de relógios que ia de uma cidade a outra, levando sua mercadoria. Um dia então chegou a um pequeno lugarejo e vendeu relógios a todos os seus habitantes.

Algum tempo depois de sua partida, todos os relógios igualmente quebraram e acabaram sendo esquecidos, por seus proprietários, em algum canto de gaveta, com exceção de um cidadão que, por força do hábito, diariamente dava corda em seu relógio.

Um dia, o mesmo vendedor retornou ao pequeno lugarejo, sendo imediatamente procurado pelos seus moradores que lhes pediram para consertar os relógios.

Após examiná-los, disse que poderia consertar apenas um, aquele cujo dono dera corda todos os dias. Os demais estavam enferrujados e, portanto, destruídos para sempre.

A importância da oração cotidiana

Segundo o rabino David Weitman, esta pequena história ilustra a importância da oração no cotidiano de um judeu.

É um hábito aprendido que, gradativamente, incorpora-se à rotina dos indivíduos. Assim, a partir de um determinado momento, eça adquire um significado especial.

Como na história do vendedor de relógios, somente na hora de consertá-lo o seu proprietário percebeu a importância do gesto de dar corda diariamente. Sem isto, o relógio jamais funcionaria novamente.

“Assim também é com a oração. Há apenas uma diferença, mas que é fundamental. Rezar não é um gesto mecânico, como dar corda a um relógio. É um ato carregado de sentimentos, que nascem dentro do homem. Quando realmente precisamos do conforto de uma oração, percebemos como esta é importante e, principalmente, como é essencial conhecê-la e estar familiarizado com a mesma”.

A oração é um dos três pilares do judaísmo e representa um aspecto fundamental da religião: o momento da comunicação entre o homem e D’us.

Um momento que acontece somente por que D’us, em Sua grandeza, deu-nos um instrumento que permite esta aproximação, explica o rabino David Weitman.

Uma prática de santidade reveladora

Cabe ao homem aperfeiçoar este instrumento, procurando conhecê-lo sob seus diferentes aspectos.

“Quanto mais oramos, mais descobrimos as inúmeras possibilidades que as rezas nos oferecem, seja pelo significado das palavras, seja pela sua musicalidade. Ou seja, rezar também é um processo de aprendizado que se aperfeiçoa ao longo dos anos e, como na história do relógio, no momento em que necessitamos da oração – seja na alegria, seja na tristeza – a prece surge espontaneamente dentro de nós, abrindo um canal direto entre o Criador e o ser humano”.

Linha direta com D’us

Qual é a força desta linha direta entre D’us e o homem?

Muito maior do que se possa imaginar, responde o rabino David Weitman, principalmente por que a oração nasce no coração do homem.

Está baseada na fé do ser humano em uma autoridade suprema, em sua crença na bondade divina e na consciência de que tudo na vida e no mundo é determinado pela vontade de D’us e pelo livre arbítrio concedido por Ele ao ser humano. Esta escolha o diferencia de outras criaturas.

Ou seja, a oração é também um sinal da humildade do ser humano, pois aquele que ora para pedir uma bênção, um conforto ou para agradecer, está consciente da grandeza Divina.

VER  O sentido da oração

Mesmo que um indivíduo não conheça as palavras das orações, sua prece tem enfim a força dos seus sentimentos. A oração é um trabalho feito com o coração. Os sábios ensinam que a oração é uma escada: sua base está na terra e se ergue aos céus.

“Nada acontece sem o desejo de D’us. O homem, entretanto, pode alterar até decretos divinos de morte, doença e outras situações difíceis.

Ao orar, o homem pois se modifica, eleva-se e aproxima-se cada vez mais de D’us. Talvez nem seja D’us quem modifique o seu destino, mas sim o homem, através de seu comportamento. Ao mudar-se, afasta-se de um destino que já não mais se ajusta à sua personalidade. Este é o poder da oração”.

Oração individual e em grupo mostra a força da oração

Dizem os sábios que se a oração de um indivíduo tem a capacidade de alterar determinações divinas, maior é sua força quando se transforma em expressão dos desejos de um grupo. Pois em grupo, os defeitos se diluem e D’us, em Sua grandiosidade, consegue enxergar apenas os aspectos positivos de uma comunidade.

“Todos os seres humanos têm defeitos e qualidades. Alguns mais, outros menos. Quando nos reunimos para orar pelo menos uma de nossas características positivas aflora. Em grupo, somam-se os elementos positivos”, enfatiza o rabino. A força da oração, portanto, é maior.

A tradição, no entanto, também tem regras para orações em grupo. Uma delas é que se tenha um quorum mínimo de dez pessoas. Daí se alcança a força da oração e sua potencialidade se exterioriza.

O número 10

“Dez são os poderes da alma e é um número que representa o homem integral. Assim, ele fica apto a se comunicar com D’us, movido pela sua fé e pela força de seu coração. A fé é como uma bússola no deserto, ajuda os homens a se encontrarem consigo e com D’us. A fé resiste às maiores tempestades”.

Dez para pedir perdão, dez para pedir bênção e afastar tristezas. Principalmente para agradecer a D’us a graça da vida, um hábito que se aprende desde cedo. Portanto, a força da oração é um processo de interiorização que se exterioriza alcançando as alturas.

“O homem que abre seus olhos de manhã, sabe que deve agradecer a D’us, pois há aqueles que não têm esta chance. Uma criança, que ainda não sabe ler, também pode pôr a mão sobre os seus olhos e rezar. Acima de tudo, as palavras de uma criança, com sua linguagem própria; saem do fundo de seu coração”, finaliza o rabino.

(Matéria publicada no Revista Morashá de abril de 1997)

A força da oração

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