Não, o uso de brincos no judaísmo vai-se encontrar resposta na Torá, segundo a qual D’us é absolutamente contra a mistura de quaisquer espécies.
Os mandamentos enfatizam a preservação e a integridade de cada espécie, de acordo com suas características individuais.
Como exemplos deste preceito, a Torá proíbe semear trigo em um vinhedo ou plantar cevada em um pomar, devendo-se sempre manter as sementes separadas.
Não é permitido o enxerto em frutas. A proibição ao cruzamento das espécies estende-se também ao mundo animal.
Segundo a tradição judaica, um dos pecados que provocou o dilúvio foi justamente o acasalamento entre animais de espécies diversas.
Portanto, não haveria de ser diferente no que se refere aos seres humanos. A Torá proíbe ao homem vestir-se como mulher ou à mulher vestir-se como homem.
O uso de brincos no judaísmo cai na categoria de misturas proibidas
Tal preceito inclui não apenas as roupas, mas também sua conduta perante D’us e a sociedade.
Este princípio torna-se mais importante no mundo contemporâneo, no qual as diferenças entre os homens e as mulheres estão cada vez mais diluídas e, às vezes, é muito difícil saber quem é realmente quem.
A proibição do uso de roupas que não sejam adequadas ao sexo do indivíduo visa justamente evitar que este adquira comportamentos e assuma tendências que não correspondam à sua identidade.
Não podemos, no entanto, desconsiderar os aspectos culturais que as vestimentas possuem. Assim, o conceito do que seja feminino ou masculino dependerá muito dos costumes de cada país e região.
No Oriente, por exemplo, a túnica era um traje comum entre os homens. Em alguns países da Europa, os homens não usavam anéis, considerados jóias femininas.
Esta é a razão pela qual muitos homens não os usam até hoje. Em relação ao brinco nas orelhas, entretanto, há um consenso de que é um costume feminino.
Dentro deste princípio, a Torá proíbe a sua utilização por homens, pois estariam misturando as espécies.
Ou seja, o judeu, para cumprir a Torá, deve manter as espécies bem definidas, como D’us as criou, permitindo a cada um melhor identificar-se com o que ele realmente é, sendo, portanto, mais feliz.
(Matéria publicada na Revista Morashá em setembro de 1997)





