O ativismo na comunidade judaica sempre existiu, portanto o trabalho dos ativistas sociais têm sido permanente na história judaica.
Em princípio, é praticado por pessoas abnegadas, que colocam o interesse da coletividade acima do interesse próprio.
Os ativistas são portanto pessoas do bem que se ocupam com o bem-estar (social, financeiro, físico, espiritual, etc.) de outros indivíduos ou de suas comunidades.
Antigamente, os termos usados para esta função eram parnás, líder comunitário. Também se usava o termo shtadlan, que eram judeus próximos da realeza. Estes, entretanto, usavam de sua influência para defender e proteger os membros da sua coletividade.
Durante muito tempo também se usava, em iídiche, a palavra macher, aquele que faz. O denominador comum entre eles é que são judeus hábeis e eficientes, que disponibilizam seus talentos em prol de seus irmãos.
Ativistas Sociais são os beneficiários da comunidade
Atualmente, o termo mais usado para definir o ativista comunitário é ascan (ativista).
A palavra deriva do verbo hebraico ossêc, que significa “estar ocupado”, engajado pois em alguma coisa.
Esses ativistas comunitários por definição não podem ter outros interesses.
Tudo o que eles fazem é para beneficiar seus irmãos.
Seu sentimento deve se expressar de forma sincera e sem nenhum benefício próprio.
São pessoas que sempre respondem quando solicitadas. Assim, estão em correspondência com a conhecida expressão bíblica pronunciada por Avraham (Gênese 22:7) e Yaacov (Gênese 27:18): “Hineni”, “Eis-me aqui”.
Para esse tipo de ativistas, recitamos nas orações de Shabat, após a leitura da Torá, uma bênção especial chamada Mi Sheberach (“Aquele que abençoou”): “Vechol mi sheoskim betsorchei tsibur beemuná”, “E todos aqueles que com fidelidade se ocupam com as necessidades da comunidade — que o Santo, bendito seja, recompense-os, remova deles toda enfermidade, cure todo o seu corpo, perdoe todos os seus pecados, e envie bênção e sucesso em todos os seus empreendimentos, junto com todo Israel, seus irmãos; e digamos: Amên” (Sidur de Shabat). Interessante notar pois que a oração frisa “beemuná” “com fidelidade”, excluindo qualquer ativismo com interesses próprios, sejam financeiros, políticos, etc.
Vida comunitária gravada nos livros de atas e regulamentos
Antigamente, no Velho Continente, antes da invenção da imprensa, cada congregação possuía um livro manuscrito de atas, regulamentos e protocolos chamado de pincas. Infelizmente, grande parte deles foi destruída junto com os pogroms que dizimaram milhares de comunidades judaicas na Europa. Alguns pincassim foram preservados e publicados, o que permitiu então aos pesquisadores conhecer de perto a vida comunitária dessas cidades.
A intenção do pincas era sem dúvida registrar a vida coletiva. Isto incluía o desenvolvimento da comunidade judaica e as atividades das centenas de ativistas sociais e culturais para as próximas gerações.
No Brasil, o livro “Léxico” torna-se uma referência in memoriam aos fundadores e pioneiros da comunidade judaica moderna brasileira, bem como demonstra a grande contribuição judaica ao desenvolvimento cultural, econômico, social e científico do Brasil.
(Extraído do prefácio do livro “Léxico dos Ativistas Sociais e Culturais da Comunidade Israelita no Brasil – S. Paulo, 1953 a 1960”)



