O original do Tratado Sobre a Ressurreição foi escrito por Maimônides em árabe, com o título de Magala Fi Tehiyyat Ha-Metim. Esse original, segundo a maioria dos pesquisadores, está desaparecido.
A primeira tradução do árabe para o hebraico teve como responsável o famoso Shmuel Ibn Tibon e, mais tarde, possivelmente, houve uma nova tradução deste texto para o árabe, desta vez por Yossef Ben Yoel. Finalmente, essa versão foi novamente transposta para o hebraico por Yehuda Al Harizi.
Isto explica o fato de existirem duas versões distintas em língua hebraica. É bem possível que o manuscrito em árabe, que Ibn Tibon recebeu, tenha sido o único a alcançar a Europa Ocidental. Todos os manuscritos árabes conhecidos hoje são provenientes do Iêmen e, pela tradição, o Tratado Sobre a Ressurreição que lá chegou era de próprio punho de Rambam. Este foi copiado por escribas e posteriormente disseminado em todo o país.
Na guenizá do Cairo encontrou-se apenas um pequeno fragmento dele, escrito em árabe.
A primeira edição do Tratado foi impressa em Veneza, no ano de 1546. Em 1569, uma segunda edição teve lugar em Constantinopla e a 3, impressa na Basiléia, ocorreu em 1629. Desde então, a obra foi reimpressa dezenas de vezes em diversos idiomas.
Os fatos que levaram o Rambam a compor o presente tratado são, no mínimo, curiosos. No seu Comentário da Mishná e no Mishnê Torá, ele analisa brevemente o tema da ressurreição e inclui a crença na mesma como um dos Treze Princípios Fundamentais da Fé Judaica.
Maimônides, em geral, pouco se estendeu neste assunto e, assim mesmo, com explicações muito concisas. Como conseqüência, veio a receber em 1189 uma epístola do Iêmen, na qual o remetente queixava-se de correligionários que negavam a ressurreição dos mortos baseados no próprio Rambam! Eles atribuíam um sentido alegórico às passagens bíblicas e rabínicas, além de utilizar trechos dos trabalhos de Maimônides para avalizar suas alegações, fato que causou muita dor ao mestre. Em seguida, o autor da carta solicitava uma resposta que elucidasse esses pontos. Daí surgiu o Tratado Sobre a Ressurreição.
É importante assinalar que Maimônides sustenta que, após a ressurreição, com as almas reinvestidas nos corpos, haverá um outro estágio final, o Mundo Vindouro, exclusivamente para as almas, num mundo isento de matéria.
Em contrapartida, o Nachmânides, bem como a conclusão dos cabalistas, assume que a fase final e a recompensa do Mundo Vindouro será uma vida eterna pós-ressurreição, com as almas dentro dos corpos, neste mundo físico.
Possa o Todo-Poderoso, pelo mérito de levar as sábias palavras do Rambam àqueles impedidos por barreiras linguísticas, permitir que logo recebamos o Mashiach e possamos, então, desfrutar da tão aguardada redenção.
 
(Extraído do prefácio do livro Tratado Sobre a Ressurreição, Editora Maayanot)

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