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Quando a Torá relata a destruição do mundo através do Dilúvio, ela conta que havia um justo chamado Noach (Noé), que era diferente da sua geração. Assim diz o texto bíblico: “Estas são as gerações de Noach: Noach era um homem justo. Ele era perfeitamente íntegro em sua geração. Noach caminhava com D’us” (Gênese 6:9).

Este versículo causa estranheza, porque faz questão de mencionar Noach, não uma vez, nem duas, mas três vezes. Isso é algo extremamente raro e aparentemente supérfluo no mesmo versículo. A Torá poderia ter dito simplesmente “Estas são as gerações de Noach, que era um homem justo e caminhava com D’us”. Por que mencioná-lo três vezes?

A literatura talmúdica, que é muito sensível às nuanças do texto bíblico, nos diz o seguinte: “Por que três vezes ‘Noach’ no mesmo versículo? Ele é uma das três pessoas que viram três mundos. Noach, Daniel e Iyov (Jó).

Noach viu o mundo habitado, viu o mundo destruído e viu o mundo reconstruído. Daniel viu o Primeiro Templo erguido, viu ele destruído e viu a construção do Segundo Templo. Iyov viu a sua casa estabelecida, destruída e reerguida” (Midrash Tanchuma, Noach 5).

Três vidas em três mundos

O Midrash nos ensina pois que Noach faz parte dos indivíduos que viveram três vidas em três mundos totalmente diferentes.

Primeiramente, Noach viu o mundo estabelecido e seguro, cercado de seus familiares, onde podia conviver com ordem e conforto. Depois Noach viu o mundo inteiro destruído pelo Dilúvio, um planeta submergido pelas águas, com pouquíssimos sobreviventes. E então Noach viu um mundo reconstruído e civilizado.

Ele foi então ordenado a deixar a arca e retornar à vida normal. Assim, após enfrentar o abismo e a morte num dilúvio tempestuoso, teve que se reinventar pela terceira vez.

É preciso ter muita bênção Divina e habilidade para se recuperar de uma devastação tão grande.

Com efeito, depois de um cataclismo, não é fácil conseguir sorrir de novo e acreditar mais uma vez em felicidades e alegrias. Esta última vida não foi nada fácil para Noach.

Pouca gente na nossa geração poderá entender a dimensão profunda desta explanação do Midrash, mas os nossos pais, avós e bisavós que cresceram na Europa antes da Segunda Guerra Mundial entendem muito bem essas três vidas de Noach.

Sobreviventes heróis

Na realidade, os sobreviventes retratados neste álbum especial sabem melhor do que qualquer um o significado desses três mundos.

Na década de 1920, o mundo não era perfeito, mas era possível levar uma vida tranquila, com momentos agradáveis e alegres.

Depois veio Hitler e devastou a Europa, destruindo brutalmente milhares de comunidades. Ele começou com massacres horríveis e terminou com o genocídio do nosso povo.

Infelizmente muitos leitores e seus amigos devem ter perdido parentes, pais, avós, irmãos, tios, sobrinhos, etc., nas câmaras de gás e nos crematórios. Seis milhões de vidas vibrantes foram ceifadas com um requinte de crueldade inimaginável.

Aqueles que sobreviveram milagrosamente tiveram que se reinventar pela terceira vez. Eles foram desafiados a retornar à normalidade. Como pessoas que viram o inferno diante de seus olhos, tiveram que reaprender a sorrir e se alegrar.

Pessoas que, como animais, procuravam por uma migalha de pão e gotas de água. Eles rastejavam para não serem metralhados pelos guardas nazistas. Assim, tiveram de se transformar em seres humanos dignos, com liberdade de viver, se expressar e amar.

Isto não foi nada fácil, e ainda chegará o dia pois em que isso será recordado como um dos grandes milagres dos anais da história humana.

Sobreviventes que optaram pelo amor

Os sobreviventes do Holocausto certamente poderiam, após a dor e a mágoa que passaram, escolher viver uma vida dura com atitudes rudes.

Portanto, eles poderiam desenvolver uma casca grossa e uma disposição mais agressiva e forte. Seria mais do que legítimo eles se tornarem pois céticos e desconfiados, fechando os seus corações.

Porém, estes heróis não permitiram que a imensa dor pela qual passaram os privasse de um poder maior: a habilidade de amar e sorrir.

Os sobreviventes construíram famílias lindas e sólidas, derramando sobre seus filhos muito amor, compaixão e esperança. Muitos ficaram paralisados em silêncio durante décadas, mas todos podemos testemunhar que estes grandes homens e mulheres — nossos pais e avós, sobreviventes do Holocausto — fizeram o melhor possível para proteger e educar os seus amados, proporcionando-lhes a oportunidade de celebrar a vida.

Será então que nós, os recipientes, parentes e amigos, seremos capazes de algum dia agradecê-los adequadamente?

Lemaan yed’u dorotechem”, para que as futuras gerações saibam pelo que passaram os nossos antepassados para manter a chama do Judaísmo acesa.

(Extraído do prefácio do livro “Sobreviventes”)

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Fonte: chabad.pt

 

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