Não é possível falar do significado da vaca vermelha na Torá sem as ilações costumeiras.

Por exemplo, ultimamente, após o aparecimento em Israel de uma vaca, totalmente vermelha, e a ampla divulgação pela mídia internacional, tem havido muito interesse em tomo do assunto.

A vaca vermelha é um dos tópicos mais enigmáticos, profundos e complexos dentro da Torá.

A existência de uma vaca vermelha é importante no judaísmo porque sem a mesma não poderíamos purificar as “impurezas” dos mortos.

Isto implicaria em que, ao tocar num morto, ou em alguém que tocou num morto, tornar-nos-íamos impuros para certas funções dentro do judaísmo.

Todos nós, diretamente ou indiretamente, já tivemos contato com mortos.

A impureza dos mortos

Aqui cabe uma explicação sobre o que se deve entender por “impureza dos mortos”.

Ao ocorrer o desenlace de alma — a morte — no momento em que esta se retira do corpo, um vácuo é criado.

O corpo anteriormente preenchido com a alma divina fica vazio, com um vácuo. E onde há um vazio, pode haver a penetração de impurezas. E por isso que a morte traz consigo uma certa impureza.

Hoje apenas os “cohanim” devem preservar sua pureza, pois esperamos que num futuro próximo, estes irão trabalhar no Beit Hamikdash, após sua reconstrução, mesmo que já tenham tido contato direto ou indireto com os mortos, não podem acrescentar mais impurezas. Por este motivo são proibidos de entrar em cemitérios ou ter contatos com pessoas recém-falecidas.

A única forma de se retirar esta impureza era através das cinzas de uma vaca vermelha. Eis, pois, o significado da vaca vermelha na Torá.

Mas para isto  a Torá impõe certas condições: uma vaca totalmente vermelha, que não tenha pêlos pretos ou brancos, que tenha a jovem idade de dois ou três anos. Também não pode ter sido usada para trabalhos, e que nunca carregou um “jugo”. Ou seja, que nenhum tipo de proveito tenha sido auferido com o animal.

Um enigma profundo é o significado da vaca vermelha na Torá

A shechitá, o abate ritual desta vaca vermelha, deve ser feito somente por um Cohen. Assim, outro Cohen a queimaria e um terceiro juntaria as cinzas do animal.

Em seguida, as cinzas devem ser colocadas em água natural. Completado este processo, a água com as cinzas são borrifadas em todos que tenham impurezas dos mortos.

E aqui vem o grande paradoxo da vaca vermelha. Os nossos sábios nos dizem que todos os “cohanim”, os sacerdotes que preparavam a vaca, tanto quem fazia a shechitá como quem juntava as cinzas, e se tornavam impuros.

Enquanto as cinzas da vaca vermelha eram necessárias para purificar os impuros, de um lado, a mesma vaca impurificava os puros, e isto é um enigma profundo.

É extremamente complicado entender este assunto. Nossos sábios, ao tentar dar uma explicação ao mesmo, dizem que muitas vezes o bezerro “suja” e a mãe “limpa”.

Em outras palavras, as crianças às vezes fazem sujeiras que as mães devem limpar. Já que o povo pecou com o bezerro de ouro, há necessidade de que se purifique através da vaca vermelha.

A vaca vermelha e o presságio da chegada da era messiânica

Mas o motivo absoluto e divino é desconhecido. Mesmo o Rei Salomão, que chegou a entender o motivo de todas as mitsvot, disse que o assunto da vaca vermelha é profundo demais. Assim sendo, ele não conseguiu entender seu sentido.

Sabemos que a primeira vaca vermelha foi preparada no deserto, na época de Moshé, e suas cinzas duraram muitos anos.

Em seguida, mais oito vacas vermelhas foram utilizadas para o preparo das cinzas que foram utilizadas durante centenas de anos.

De acordo com nossa tradição, é necessária a vaca vermelha, para purificar os impuros de nossa época, a fim de que seja possível reconstruir o Templo, para usá-lo e frequentá-lo. A décima vaca vermelha será preparada pelo rei Mashiach.

Por isto, encontrar uma vaca vermelha, de pêlos totalmente vermelhos, que preencha todos os requisitos, é algo extremamente raro.

Quando for encontrado um animal assim, é um presságio da vinda eminente da época messiânica. Daí portanto o significado da vaca vermelha na Torá será plenamente compreendido por todos.

(Matéria publicada na Revista Morashá em junho de 1996)

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