O QUE SÃO OS DIAS DO OMER? O QUE SIGNIFICA ESSE PERÍODO PARA O POVO JUDEU?

Os dias do Omer ou Sefirat Homer são muito importantes na escalada do povo e de cada judeu igualmente.

Omer em hebraico é uma medida de volume. De acordo com a Torá, no 2º dia de Pessach, havia a obrigação de levar uma oferenda da nova colheita de cevada para o Beit Hamikdash. Obviamente, isto foi possível até a queda do Templo de Jerusalém.

A medida que se levava era o Omer. Assim, existia então o que se chama em hebraico de “Corban haOmer” ou “a oferenda do Omer”.

Simultaneamente, a Torá também ordena uma segunda obrigação que é a contagem do Omer. A partir do 2º dia de Pessach, contam-se 7 semanas. Contam-se os dias e as semanas, e no final dessas 7 semanas, após 49 dias, o quinquagésimo dia é Shavuot, o dia da outorga da Torá.

Shavuot é a única festa para qual a Torá não especifica data. Conta-se o Omer e, no término da contagem, o 50º dia, é o dia do recebimento da Torá, o que chamamos hoje pois de Shavuot.

Antigamente, quando o calendário baseava-se exclusivamente em testemunhas oculares que viam a nova lua, não sempre os meses de Nissan e Iyar tinham o mesmo número de dias.

Podiam então ter 30 ou 29 dias, dependendo da lua. Shavuot assim podia cair tanto no 5º dia de Sivan, como no 6º ou 7º, já que não tem data fixa e depende dos 49 dias que são contados.

QUAL O SIGNIFICADO DA CONTAGEM DESTE PERÍODO?

Os nossos sábios nos dizem que, ao saírem do Egito, os judeus ainda não estavam espiritualmente prontos para receber a Torá. Portanto, precisam desse período de refinamento espiritual.

O Todo-Poderoso não lhes deu a Torá imediatamente, mas sim esperou esses 50 dias cujo significado era pois uma preparação espiritual. Era necessário que o povo removesse todos os vestígios da impureza do Egito, preparando-se e elevando-se espiritualmente.

Para poder receber a Torá era imprescindível enfim uma ascensão espiritual.  De acordo com os livros profundos, existem 50 portões de entendimento, em hebraico Chamishim Shaaré Biná.

O homem pode subir e se elevar sozinho, podendo então atingir até o 49º nível, o 50º é uma dádiva de D’us.

Isso foi o que aconteceu realmente: os judeus foram então, neste período, se elevando espiritualmente até atingir o 49º nível. No 50º dia, no dia de Shavuot, receberam de D’us a Sabedoria Divina concentrada na Torá, nos Dez Mandamentos.

Assim, anualmente repete-se este período entre Pessach e Shavuot, sendo um período de elevação e introspeção.

SEFIRAT HOMER

Sefirat Homer é a contagem do Omer. A palavra Sefirat vem pois da palavra “safira”, que é uma pedra preciosa que brilha.

O Omer é o momento de polir sua alma, ver que ela brilha e que ela ilumine. E a contagem do Omer, Sefirat Homer, permite um auto-olhar na direção desse polimento da alma.

Nossos sábios místicos nos ensinam que existe dentro da alma de cada homem sete poderes emocionais. E, cada um desses poderes emocionais, tem portanto sete ramificações. Então 7 x 7 são 49.

São nestes níveis que a pessoa está a cada dia se elevando, refinando, melhorando.

Imaginem um homem escalando uma montanha. Ele coloca uma estaca atrás da outra até chegar, enfim, ao topo.

O mesmo acontece conosco: em Pessach saímos do Egito fisicamente. O povo, o corpo do judeu, foi redimido da escravidão, mas sua alma ainda não estava pronta para receber a Lei Divina. É durante o período de Sefirat Homer que nos polimos, refinamos nossa alma, nível após nível, até poder receber a Torá no 50º dia, receber o 50º portão da Sabedoria Divina.

ACONTECIMENTO FUNESTO

Muito mais tarde, aproximadamente no século II E.C., na época do Talmud, o Omer também ficou caracterizado como uma época triste.

Foi durante o Omer que entre os alunos do Rabi Akiva surgiu uma epidemia. Rabi Akiva foi um de nossos maiores sábios e está mencionado em quase todos os volumes do Talmud.

Ele chegou a ter 24 mil alunos. Segundo o Talmud, houve uma grave falta de respeito entre eles. Nos 33 dias que seguiram Pessach, uma epidemia dizimou a grande maioria de seus alunos até Lag Ba’Omer.

E por isto, até hoje, devido a esta tragédia, e a outras que aconteceram mais tarde na nossa historia em outras comunidades de Israel, este é considerado um período meio triste, de meio luto.

Este é o motivo pelo qual em todas as comunidades israelitas não são realizados casamentos, festas com música e os homens não fazem a barba nesta época.

Observa-se um meio luto em respeito a estes 33 dias de adversidade, de tristeza.  Porém, durante este período há um dia no qual o luto é levantado, o dia de Lag Ba’Omer, 33º dia do Omer. Ao contrário dos dias que o antecedem, esse é um dia alegre. Lag Ba’Omer foi o dia em que terminou a epidemia, e finalmente voltou a alegria.

LAG BAOMER E RABI SHIMON BAR YOCHAI

Lag Ba’Omer é também o dia no qual o grande aluno de Rabi Akiva, Rabi Shimon Bar Yochai faleceu.

Rabi Shimon Bar Yochai foi um de nossos maiores sábios e o autor do Zohar, o livro fundamental da Cabalá.

Um dos pedidos que o sábio fez antes de morrer, foi que esse dia de Lag Ba’Omer fosse lembrado pois como um dia de grande alegria.

Um dia no qual ninguém poderia se entristecer, já que era um dia muito especial para sua alma. Antes de sua morte,

Rabi Shimon Bar Yochai juntou-se enfim aos alunos e lhes revelou os maiores segredos da Torá. E da Criação também, coisas que ele nunca revelara durante sua vida.

Hoje em dia, Lag Ba’Omer é festejado em todos os lugares. Acendem-se grandes fogueiras em honra do Rabi Shimon Bar Yochai. Ele é chamado no Zohar de vela sagrada, já que ilumina e a própria palavra Zohar significa brilho.

(Publicado no Jornal Tribuna Judaica em Abril de 1997)

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