A resposta deve ser dada em duas etapas.

1ª Etapa – Revelação do Monte Sinai

Existe a Torá como legislação, como uma constituição, formada das mitsvot, as obrigações do povo de Israel, e que são divididas em duas partes: as mitsvot positivas – os mandamentos que devemos cumprir e as proibitivas – que não devemos fazer.

Esta é a constituição israelita, que faz do povo de Israel um povo com leis. Isto realmente nos foi dado na revelação do Monte Sinai. Antes da saída do Egito, que resultou no Monte Sinai, o povo de Israel não era um povo, pois não tinha uma constituição.

Houve uma revelação de cima para baixo, D’us outorgou ao povo de Israel as Suas Leis. Os filhos de Abrãao, Isaac e Jacob passaram a ter uma constituição com obrigações e proibições. Esta condição teve início no Monte Sinai, com exceção de alguns mandamentos únicos que já existiam, por terem sido ordenados antes: D’us havia ordenado a Abrãao fazer o brit-milá, a circuncisão; havia também a mitsvá de não comer o nervo ciático do animal, desde que Jacob recebeu uma batida na perna, na luta contra o anjo Esaú. Também as leis do Shabat, fazem parte destes mandamentos anteriores, por terem sido recebidas um pouco antes do Sinai. Mas estas são exceções, pois, a Lei, como é conhecida, foi outorgada no Monte Sinai.

2ª Etapa – Estudo da Torá

Por outro lado, existe a Torá como “estudo da Torá”. A Torá é a ciência divina, é a sabedoria de D’us; e esta sabedoria existe desde antes da criação do mundo. É muito importante saber que Adão, criatura das mãos de D’us, podia conversar com Ele no Jardim de Éden.

Aqui na Terra tinha acesso a muitos conhecimentos divinos, e os transmitiu a seu filho Set, que os passou para Chanoch que, por sua vez, passou-os para Matusalém e assim por diante. Este conhecimento divino também é chamado de Torá.

Portanto, o conhecimento da Lei divina já existia. Mais ainda: nossos sábios dizem que o filho de Noé, Schem, e seu filho Éber, tinham uma Yeshivá, a escola talmúdica na qual se estuda a Torá.

Yaacov estudou quatorze anos nesta Yeshivá, e os sábios Abrãao e Isaac também estudaram a Torá.
Portanto, o estudo da Torá existia antes do Monte Sinai e mesmo no Egito havia uma tribo, chamada Levi, que sempre zelou pelo estudo da Torá.

Nossos patriarcas já guardavam as leis Divinas

Há, contudo, aqui, uma importante ressalva: apesar de a Lei ter sido outorgada com a revelação do Monte Sinai, quando D’us pediu e exigiu que os judeus cumprissem certos mandamentos, nossos sábios nos dizem que os patriarcas Abrãao, Isaac e Jacob amavam tanto a D’us ao ponto de já saberem qual era a Sua vontade e portanto, já guardavam as leis por vontade própria.

Assim, sabendo o que o Criador deseja, sabendo que D’us não gosta que se trabalhe no Shabat e que Seu desejo também é que comamos apenas alimentos casher, os patriarcas já respeitavam tais leis.

Mesmo no Egito, onde uma grande parte do povo deixou de respeitar essas leis, a tribo dos Levis fez questão de manter muitas das mesmas, não por obrigação, mas por vontade própria.

Era por vontade própria, pois a Lei como uma constituição, como obrigação, surgiu apenas mais tarde, no Monte Sinai.

Um lembrete providencial

Vale lembrar que a Torá como ciência, como conhecimento divino, já existia antes até da Criação do mundo. O Talmud nos relata que a Torá antecedeu o mundo em dois mil anos. D’us olhou na Torá e depois criou o mundo. Isto significa que dentro da Torá já está a planta, o blue print, impressão digital de todo o universo. O conhecimento divino que D’us condensou na Torá já existia mesmo antes da Criação.

(Matéria publicada na Revista Morashá em abril de 1997)

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