Nossos Sábios dizem que, em “determinados lugares, as palavras da Torá são pobres (pouco desenvolvidas), mas são ricas (muito elaboradas) em outros lugares” (Talmud Keritot 14b, no Tosfot). Assim vamos encontrar o assunto da reencarnação e judaísmo.

O assunto da reencarnação é um típico exemplo. Ele não figura abertamente na parte revelada da Torá (no Talmud e seus comentários). Contudo, o assunto é abordado detalhadamente nos livros esotéricos da Cabalá, principalmente nos ensinamentos do Arizal e nas obras de seus alunos.

O tema reencarnação e judaísmo é parte integrante da fé judaica. Entretanto ficou hermético e não acessível durante séculos, houve até alguns sábios que duvidaram de sua existência.

Apenas a título de exemplo, o grande mestre Rav Yehuda Ariyê de Modena, Rabino de Veneza e autor de vários livros, escreve nos seus livros, quatro séculos atrás, que no início não acreditava em reencarnação, até que o filho de seis meses de idade da sua vizinha adoeceu e recitou o Shemá Yisrael como um adulto na sua frente, e então mudou de opinião (Shem HaGuedolim, do Chidá).

As almas podem reencarnar para completar uma missão. Podem ter uma oportunidade de crescimento, ou retificar uma falha de uma vida anterior. O estudo das migrações das almas é muito fascinante, pois descreve como uma alma de uma geração anterior volta numa geração posterior, em circunstâncias específicas, engenhosamente designadas para corrigir um erro do passado.

Por exemplo, conforme os ensinamentos místicos, Mordechai, na Pérsia, é uma reencarnação do patriarca Jacob. Este curvou-se para Esaú. Com isso, ele corrigiu este ato, recusando-se a se curvar para Haman, que era a reencarnação de Esaú. Assim como o feiticeiro Balaão é uma reencarnação de Labão. Foi por isso ele faleceu com 33 anos, valor numérico da palavra gal, o monte apontado por Labão como testemunho de sua promessa de não prejudicar os judeus, quebrada por Balaão.

A dinâmica encontrada no assunto de reencarnação e judaísmo

A dinâmica das reencarnações pode elucidar muitos episódios intrigantes da história. Por exemplo, os mártires falecidos nos autos-de-fé da Inquisição espanhola são almas que viveram na época do Primeiro Templo. Assim sendo lá praticaram idolatria (Miteler Rebe, Shaar Hateshuvá 5,1).

Porém, explicações como estas têm suas limitações e não podem ser usadas para explicar o Holocausto, pois reencarnações e retificações não poderiam trazer consigo crimes tão horríveis e uma aniquilação tão brutal e atroz (Sêfer HaSichot 5751, Vol. 1, p. 233).

Apesar de que nem todo sofrimento pode ser esclarecido através da reencarnação. Todavia ela pode ajudar a explicar tragédias individuais, como mortes prematuras, por acidentes, guerras, etc.

Pode ser que tais almas precisavam retornar apenas por um curto tempo para um propósito limitado. É provável que elas  cumpram grande parte de sua missão em suas vidas anteriores. O processo das migrações de alma também pode servir para confortar casais devastados pela infertilidade, sabendo que numa vida anterior já procriaram e tiveram uma linda família.

(Prefácio do livro Reencarnação e Judaísmo do Rabino Dov Ber Pinson – Editora Maayanot – 2015)

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