Quando se trata de um grande sábio e justo, como é o caso do Rabino Mordechai Eliahu, os Rabinos têm decidido.

A decisão é que mesmo no Shabat é permitido fazê-lo uma homenagem com palavras de hitorerut. Isso, pois, desperta em nosso coração um maior amor a D’us.

O autor do livro Guidulei Trumá permite fazer o hesped em Shabat ou dias festivos. Assim como consta na Torá : “Vaachechem col Beit Yisrael yivcu et hasrefa asher saraf Hashem” – “e seus irmãos, todo o Povo de Israel, irá se enlutar por aqueles que D’us os queimou”.

Esse versículo trata a respeito da morte dos dois filhos de Aharon. Ela ocorreu em meios às festividades da inauguração do Mishcan, o Templo móvel do deserto.

Também no nosso caso, Rabino Mordechai Eliahu zt”l foi um grande homem justo e sábio. Assim, pois, nesse caso, podemos inclusive no Shabat proferir palavras – divrei hitorerut – em sua homenagem.

Não à discórdia

Na porção dessa semana nós encontramos a rebelião de Korach, Datan e Aviram contra Moshé.

Esses homens resolveram acusar Moshé Rabênu de nepotismo. Isso porque ele apontara seu irmão Aharon como Sumo Sacerdote, o que na verdade foi uma ordem Divina.

Sabemos qual foi o fim trágico dessa história. Porém, mesmo que Moshé recebeu a ordem de D’us de transmitir ao povo: “hibadlu mitoch haedá hazot vaachale otam keraga” – “se afastem totalmente desses homens pois os eliminarei instantaneamente”.

Antes disso, Moshé tentou de todas as maneiras aproximar estes rebeldes para que mudassem de opinião, fizessem teshuvá e se arrependessem. Como está escrito: “Vayishlach Moshe licró leDatan velaAviram” – “E Moshé mandou chamar Datan e Aviram”. E daqui nossos Sábios aprendem : “não se pode manter uma discórdia”.

Nova tentativa de Moshé

Moshé deu um passo além do que deveria, principalmente em se tratando de Datan e Aviram. Com efeito, eles eram pessoas que já provocaram tumulto desde o Egito. Lá eles delataram Moshé ao Faraó por ter matado o egípcio.

Eles eram pessoas sem escrúpulos, desafiando abertamente a liderança de Moshé fazia anos.

Foram eles que ignoraram a ordem de Moshé e colheram o maná além da cota. Assim como diz o texto bíblico : “Vayotiru anashim mimenu ad boker” – “E algumas pessoas deixaram-no sobrar até de manha”.

Sua insolência culminou agora com a rebelião de Korach. Mesmo assim, Moshé vai atrás e tenta aproximá-los, dizendo a D’us: “Haish echad yecheta veal col haedá tic’tsof?” – “Apenas uma pessoa pecou e Tu dirigirás Tua cólera para toda a congregação?”

Amor incondicional ao judeu

Como Moshé disse que era uma só pessoa? Afinal muitas pessoas tinham aderido à rebelião! A resposta é que Moshé estava disposto a perdoá-los, não obstante tudo o que fizeram.

O verdadeiro líder não quer ver iniquidade em seu rebanho, e faz de tudo para salvá-los. 

Sem dúvida, podemos aplicar essas palavras ao grande Mestre Rabino Mordechai Eliahu.

Ele tinha um amor incondicional ao próximo, amava a todos os judeus, não importa o que fizeram, não importava o passado deles.

Ele sempre demonstrava amor cordial com carinho, um amor ao próximo fantástico para todo tipo de judeu, exatamente como Moshé tinha essa qualidade especial.

O falecimento de um Tsadic expia os pecados da geração

Nossos Sábios nos ensinam : “É duro o falecimento de um justo, tanto quanto a destruição do Templo”.

Infelizmente quando falece um justo é algo gravíssimo, porém essa tragédia expia os pecados daquela geração.

Da mesma forma o falecimento de Miriam está descrito na Torá próximo ao assunto da Vaca Vermelha, pois ambos expiam o pecado da geração .

Tem um Midrash que diz sobre o versículo : “Êle pekudei hamishcan mishcan haedut” – “Essa foi a contagem do Santuário, o Santuário do Testemunho”.

Nossos Sábios dizem que a palavra “Mishcan” vem da palavra mashcon que significa fiança ou garantia.

D’us fez do Mishcan uma garantia, podendo Ele retirar o Templo para perdoar os pecados do povo.

Moshé então perguntou para D’us: “o que acontecerá quando não houver mais o Templo?” D’us respondeu: “Irei retirar o justo daquela geração”.

Rabino Mordechai Eliahu passou infelizmente por um período prolongado de sofrimento.

Foram quase dois anos de doenças terríveis que os médicos não entenderam como ele conseguiu sobreviver milagrosamente.

Tantas vezes sua alma quase se desprendeu do corpo. Graças a sua fé incrível e inabalável ele conseguiu contagiar os médicos, transformando-os em homens de fé e fazendo teshuvá.

Sem dúvida que esse justo, vendo a situação difícil do Povo de Israel, se tornou disposto a ser uma expiação pelo povo.

A grandeza do Rabino Mordechai Eliahu

Quando o general Avner ben Ner faleceu, o Rei David se expressou dizendo : “Vayomer hamelech el avadav halo tedú ki sar vegadol nafal hayom haze beYisrael” – “E disse o rei aos seus súditos: ‘saibam que um líder e grande tombou nesse dia em Israel”.

Nossos Sábios dizem que tem pessoas que são líderes (sar, governante), mas não são ilustres na Torá (gadol, grande).

Também tem aqueles que são grandes na Torá, mas não são líderes de Israel.

Porém, essas duas qualidades juntas foram encontradas em Avner ben Ner. Sem dúvida a qualidade de líder genuíno e também grande na Torá foram acumuladas no Rabino Mordechai Eliahu.

Ele era grande em Torá, Halachá e Cabalá. Fazia parte daquela geração dos Sábios da Babilônia (Iraque) como Rabino Yitschac Caduri, Rabino Mutsafi, Rabino Yitschac Nissim, de abençoadas memória, que conheciam toda a Torá e todo o Talmud na ponta da língua.

O amor de Rabino Mordechai Eliahu para a Terra de Israel era muito grande também, e grande foi sua dor no episódio de Gush Katif.

A grandeza dele era principalmente em sua transparência e em sua humildade. Mesmo sendo gentil e cordial a todos, recebendo todos por igual com muito carinho e amor, mas ele sempre transmitia a Palavra e a Mensagem de D’us enfaticamente.

Ele falava com firmeza e ninguém podia mudar sua ideia e opinião. Ele era incorruptível e simplesmente dizia o que a Torá manda dizer.

Apesar de ser tão grande e tão reverenciado, inclusive pelas velhas gerações, ele se achava pequeno e recebia qualquer um com humildade extraordinária, que fazia ele se levantar em respeito aos outros.

A santidade do Rabino Mordechai eliahu

Por outro lado ele vivia numa santidade e numa pureza extraordinária. Nossa congregação Beit Yaacov teve a oportunidade de várias vezes recebê-lo aqui em S. Paulo. Ele discursou, aconselhou, abençoou, visitou, incentivou e encorajou várias iniciativas nossas.

Eu mesmo tive o mérito de poder acompanhá-lo em suas visitas e testemunhei que ele não comia absolutamente nada ficando praticamente de jejum.

Eu vi como seu secretário cozinhava batatas que ele trouxe de Israel no hotel, pois ele nem sequer quis experimentar das verduras daqui.

Ele não comia carne nunca, e de vez em quando aves. Ficou a semana inteira praticamente de jejum, todo dia preocupado com os problemas do Povo de Israel.

Ele era um homem dedicado que vivia em santidade e enxergava apenas as qualidades do outro. Todas essas qualidades que mencionamos dele: a humildade, santidade, transparência, força, vigor, firmeza em suas palavras, fizeram com que graças a D’us atsató emuná – seus conselhos eram fiéis e inspirados.

Seus conselhos eram sagrados e com certeza tinha apoio Divino com uma força especial.

Atraindo pessoas diferentes

Não é à toa que tantas pessoas o procuravam. Não é à toa que ele conseguia amalgamar vários tipos de pessoas diferentes.

Encontrávamos em sua ante-sala Rashei Yeshivot lituanos, líderes chassidicos, pessoas do exército, soldados e jovens, religiosos e não religiosos.

Ao seu redor ele juntou todas as camadas do povo sem discriminação e assim foi no seu enterro: ricos e pobres, ashkenazim e sefaradim, sábios e ignorantes, para ele não havia diferença.

O Rabino Caduri, que era bem mais velho do que ele, assim como Rabino Mordechai Sharabi. Ambos grandes cabalistas, o reverenciavam e o respeitavam.

O Rebe de Lubavitch falava com ele ao telefone depois da meia-noite. Isso, pois, na hora do tikun chatsot, algo que era muito raro acontecer.

O Rabino Yehuda Tsadca, Rosh Yeshivá de Porat Yossef, que era seu tio bem mais velho, fazia questão de visitá-lo nas festas para cumprir o mandamento : “Chaiav adam lehacbil pnei rabo bareguel” – “A pessoa deve receber seu mestre nas festas”.

Pessoas do Estado Maior e ministros o procuravam e sentiam confiança para revelar seus segredos a ele.

Uma perda irreparável

O Midrash nos conta que quando o Patriarca Avraham faleceu, os líderes das nações disseram: “coitado do mundo que perdeu seu líder, e pobre do navio que perdeu seu capitão”.

Quando um rei falece o seu herdeiro assume, quando um ministro vai embora outro entra em seu lugar, mas quando tem um navio no meio do mar açoitado por ondas e tempestades e de repente o capitão não se encontra mais, a situação é grave e caótica, pois quem vai cuidar deles?

Por isso o Talmud conta que Rabi Zeira tinha em sua vizinhança pessoas perversas e ele os aproximava para fazer teshuvá.

No entanto, os Sábios da época o criticavam, pois não viam mudanças neles.

Porém o Talmud continua e diz que quando Rabi Zeira faleceu, esses perversos se juntaram e disseram: “quando ele vivia, ele pedia piedade por nós, mas agora quem fará isso por nós?”

Com isso eles refletiram melhor sobre suas vidas e fizeram teshuvá completa.

Nós também refletimos sobre o pesar do passamento desse grande justo. Com efeito, temos que assumir o que cada um de nós pode fazer melhor.

Ele em vida se preocupou principalmente em espalhar a Lei Judaica e também espalhar o assunto da Pureza Familiar.

Cada um de nós sabe o que pode corrigir e melhorar nesses dois aspectos; tanto em Torá como Pureza Familiar.

Uma história para terminar

Terminamos essas palavras com uma história que ele me contou.

Eu tive várias oportunidades de visitar e me aconselhar com Rabino Mordechai Eliahu em assuntos comunitários.

Ele me incentivou a escrever livros, inclusive analisando os manuscritos, dando sua aprovação.

Numa noite de inverno bem tarde, ele me contou a seguinte história:

Na guerra de Yom Kipur, havia uma colina no Sinai que de lá os soldados israelenses observavam os egípcios.

Essa colina era de difícil acesso e os soldados ficavam observando com binóculos e traziam comida para eles lá em cima.

Certa vez um soldado desmaiou e usaram bastante água para reanimá-lo e por isso não sobrou água suficiente.

Os soldados religiosos não sabiam o que fazer, já que não tinha água bastante para lavar as mãos.

Eles ligaram então via rádio para o Rabino Mordechai Eliahu que era muito procurado pelos soldados.

Ele respondeu que haviam algumas possibilidades como cobrir a mão ou lavar apenas uma delas.

No meio da conversa a telefonista do exército reclamou como eles estavam ocupando o tempo do exército para tratar dessas coisas.

O Rabino que era muito inteligente respondeu que estavam conversando em código e assim a telefonista se acalmou.

O Rabino que pensou que a moça já não estava mais na linha, levantou seus braços para o Céu. Disse ao Todo-poderoso: “D’us, veja o que Seus filhos fazem por Ti, até em meio à guerra perguntam suas dúvidas de Halachá. Veja o quanto eles Te amam!”.

A operadora de rádio ao ouvir que ele estava falando com D’us, começou a gritar entusiasmada: “Já que suas palavras vão direto para o Céu, então você pode usar quanto tempo quiser do rádio”.

Força que vem de cima

Já que o Rabino Mordechai Eliahu tem força lá em cima, pedimos para ele, pelo grande amor que ele tinha pela Terra de Israel, pelo Povo de Israel e pelas causas judaicas, que lá em cima, junto com os outros grandes justos, possa pedir ao Todo Poderoso proteção para “o carneiro cercado de 70 lobos” , para que D’us possa logo trazer a redenção em breve em nossos dias.

Umacha Hashem Elokim dim’á meal col panim” – “D’us irá enxugar as lágrimas de todos os rostos”, “Hakitsu veranenu shochnei afar” – “Despertem-se e alegrem aqueles que deitam no pó”.

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