O Talmud nos diz que D’us quis dar a Torá, que é tríplice, a um povo que é tríplice, no terceiro mês, através de um homem que é o terceiro. O Tanach, composto de 24 livros, é dividido em 3 partes. A primeira composta pelos cinco livros de Moisés, é chamada também de Torá ou Pentateuco. A segunda parte, os Neviim, são os livros dos profetas. E a terceira, Ketuvim, (Apócrifos) são os restantes: os Salmos, os Provérbios, o livro de Ruth e Eclesiastes, para mencionar alguns. Moisés, o homem através do qual D’us revelou a Torá, era o terceiro filho pois tinha dois irmãos mais velhos, Aaron e Miriam. Finalmente, D’us deu a Torá ao povo de Israel em Sivan, o terceiro mês do ano judaico. O povo que a recebeu também é dividido em três: Cohen (sacerdotes), Levi (levitas ou cantores) e Israel.
O número 3 tem significado profundo no judaísmo, pois representa a soma de “1 + 2”. Isto não é apenas uma simples soma matemática, mas a ideia da união de D’us com o universo. O numero “1” representa D’us, pois somente Ele é Único, é Um. Por outro lado o universo, com sua inerente dualidade – nascimento e morte, dia e noite, bem e mal, etc. – é representado pelo número “2”. Portanto, o número 3 representa a união de D’us com o universo, e é a Torá que a possibilita.
Jacob teve 12 filhos que formaram as 12 tribos de Israel. Um deles, Levi, o terceiro filho, vindo após Rubem e Simon, foi educado desde a infância para ser aquele que se dedicaria mais aos ensinamentos divinos recebendo, mais tarde, a ordem e bênção paterna para tal. Mesmo durante os longos anos de permanência das 12 tribos no Egito, a tribo de Levi foi sempre a mais dedicada aos ensinamentos divinos. Eram os sacerdotes, apesar de o povo judeu não possuir até então uma Lei Divina codificada o que ocorreria somente após a revelação do Sinai. O próprio Faraó viu, nesta tribo, homens zelosos, dedicados sacerdotes, e por isto não os escravizou. O fato de a tribo de Levi não ter sido escravizada no Egito explica o motivo pelo qual Moisés e Aaron tinham livre acesso ao palácio do Faraó. Mais tarde, no deserto, essa tribo continuou demonstrando sua dedicação a D’us. Recusou-se, por exemplo, a participar do ato trágico que foi o do bezerro de ouro.
A lealdade e dedicação da tribo de Levi foram recompensadas. Quando D’us ordenou ao povo de Israel a construção de um Santuário — o templo portátil que precedeu o Grande Templo de Jerusalém — dividiu o povo em três. Aaron, o dedicado irmão de Moisés, tornou-se Sumo Sacerdote, Aaron HaCohen, o primeiro Cohen. Assim, seus descendentes seriam os Cohanim, os sacerdotes. Eram os que executavam o trabalho do templo, propriamente dito, como os sacrifícios, além de ensinar ao povo as leis. O título vem passando de pai para filho, até os nossos dias. Todos os outros membros da tribo de Levi, inclusive Moisés, seus primos, familiares e descendentes passariam a ser os Leviim. Os Leviim exerciam as outras funções no Templo, como cantar, tocar instrumentos, carregar objetos, etc. Aqueles que nós, hoje chamamos de “Israel” descendem de todas as outras 11 tribos.
Mais um fato histórico deve ser lembrado: após o Reino de Israel ter sido conquistado pelo rei Sinacheribio, da Assíria, dez tribos espalharam-se e se perderam. Por isto podemos assumir, hoje, que a grande maioria dos “Israel” são descendentes das duas tribos que formavam o Reino de Judá, ou seja, Yehuda e Benjamin. Isto não pode ser afirmado de forma categórica, já que as tribos eram misturadas, e os habitantes do Reino de Israel procuraram refúgio no Reino de Judá. Poucas são as famílias pertencentes a “Israel” que sabem, hoje em dia, a que tribo pertencem.
 
(Publicado na Revista Morashá em Junho de 1996)

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