Pérolas de Torá

Vaierá

D’us pune os perversos

Na parashá Vaierá, nós assistimos à destruição de Sodoma e Gomorra. Eram cidades com pessoas perversas e extremamente avarentas. Não se ajudavam e a própria hospitalidade era proibida. Então D’us destrói essas cidades.

Parashá Vayerá

Destruição de Sodoma e Gomorra

Mayím Achronim – lavar as mãos

Nós temos um costume no judaísmo que. ao final da refeição, lavamos as mãos, e isto se chama Mayím Achronim. O ato é bastante simples: molhamos as pontas dos dedos e depois os passamos nos lábios. Isto é para retirar o que chamam os nossos sábios de “melach sdomit” (o sal de Sodoma). Assim, para não ter mais gosto de sal, lavamos as mãos.

Mas hoje não tem mais este sal de Sodoma, então o que significa esse ato de “melach sdomit”?

Dizem os nossos sábios que a gente tem que retirar qualquer vestígio de “pão-durice”, não ser avarento. Lá em Sodoma, eles não ajudavam ninguém, um pobre podia passar e não davam nada para ele, de modo que ele poderia morrer de fome. Por exemplo, a mulher de Lot não queria dar nem um pouco de sal para convidados de tão sovina que era. Por isso ela se tornou uma estátua de sal como a gente sabe – um monumento que existe até hoje de acordo com algumas opiniões.

Extinguir os maus costumes

Então, quando lavamos as mãos para retirar o “melach sdomit”, o sal de Sodoma, significa extinguir qualquer tipo de costume de Sodoma e Gomorra. Não podemos ter dentro de nós nenhum sinal de pão-durice ou avareza. Precisamos ser largos, ter uma mão generosa, abrir as mãos, ajudar as pessoas, inclusive receber as pessoas em nossa casa, assim como dizem os nossos sábios – “revê betrá patuach livrachá” (sua casa tem que estar aberta à hospitalidade), pois ela traz muitas bençãos, traz a presença Divina: “Guedolá Cabalá Tochim Ke achbalá Peniat Shechiná” – é como receber um pouco de divindade em casa. É este o costume judaico.

Chayê Sara

A fidelidade e a fé de mãos dadas

Na parashá Chayê Sara, nós encontramos o casamento de Yitzhak com Rivka (Isaac e Rebeca).

Eliezer, o fiel servidor de Avraham

Ele encontra Rebeca em um poço e faz uma condição – a de que se ela oferecer água não apenas para ele, mas também para os camelos, esta seria então a escolhida. E realmente acontece isto, a moça oferece água também para os camelos.

Presentes para Rebeca

Eliezer, em seguida, oferece presentes a ela – pulseiras, várias joias etc. Assim, depois das joias, com o assunto já na sua cabeça resolvido, Eliezer pergunta a ela: “bat mi at?” – você é filha de quem?

Linhagem de Avraham

E, realmente, Rebeca é da família de Avraham, como este queria, mas há algo estranho no fato de Eliezer ter invertido a ordem das coisas.

A certeza que atropela o senso comum

Em realidade, Eliezer teria que primeiro perguntar à Rebeca de que família ela era, pois ela poderia ser canaanita e Avraham não queria que o filho dele se casasse com uma canaanita. Mas vale notar que Eliezer primeiro dá as joias, já como se fosse ela realmente a moça certa para este noivado, e somente depois ele pergunta de que família ela era, algo que é bem contrário à lógica.

Certeza absoluta é igual à fé total

Mas os nossos sábios nos dizem que Eliezer tinha muita fé. Antes mesmo de sair para sua missão, Avraham falou para ele: “Olha, o D’us que me tirou de minha terra natal e me prometeu um filho – “Hu ish lach malachó lefanecha” – Ele mandará um anjo na tua frente para você ter sucesso.

A “brachá”(bênção) do Tzadik (justo) Avraham

Avraham deu para Eliezer uma “brachá” (benção) de sucesso nesta missão. Assim, no instante em que ele viu que a moça tinha um bom coração, ele ficou convicto completamente e nem passou por sua mente uma dúvida sequer de que Rivka era a noiva certa para Yitshak – “Aibatuach Bischutô She L’Avraham” – ele tinha certeza que, com a bênção de seu mestre, teria ele sucesso.

Digno de servo fiel

Assim, não lhe pairou dúvida de que a moça era a moça certa e D’us mandou a moça correta. E só depois que ele deu a joia é que perguntou de que família ela era. Isto é uma demonstração de fé extraordinária. Eliezer era muito ligado à Avraham, adepto fiel – “evet Avraham anochi” – assim ele se apresentava: “eu sou servo fiel de Avraham”. Isto mostra a fé que um judeu tem que ter na “brachá” (bênção) dos Tzadikim. Avraham deu uma benção, então com certeza vai dar certo.