D-us apareceu para Salomão em sonho e disse: Pede o que queres. Ao teu servo pois, respondeu o Rei, dá um coração entendido para julgar o teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem o mal. Ao que o Todo-Poderoso replicou: Porquanto que não pediste para ti riquezas nem a vida de teus inimigos, mas pediste entendimento, te darei um coração sábio e entendido e também o que você não pediu: riquezas e glória. (I Reis 3:9)

Houve um Rei que queria recompensar seu ministro e lhe disse: “Pede o que queres.” O ministro pensou o que pedir: “Riqueza, glória, poder? Não. Pedirei algo que me garante tudo isto: pedirei a Filha do Rei.” (Midrash)

O Rei Salomão é reconhecidamente o homem mais sábio do mundo. Segundo a tradição, jejuou durante quarenta dias para receber de D-us sabedoria e entendimento. O que nem todos conhecem, porém, é que também possuía três nomes: Shlomo, Yedidia (o amigo de D-us) e Kohelet (aquele que acumulou sabedoria).

E O Livro dos Provérbios igualmente se divide em três partes, cada qual exaltando uma característica de seu autor. Logo no capítulo 1:1, temos a expressão “Salomão filho de David, Rei de Israel” (“Salomão” fala da juventude do justo, “filho de David”, dos ensinamentos recebidos de seu pai, e “Rei de Israel” da fase do reinado, quando já tinha méritos próprios).

A primeira parte segue até o capítulo 10:1, onde temos “Provérbios de Salomão filho sábio”. A terceira porção começa em 25:1, com “… provérbios de Salomão, cujos homens de Ezequias, Rei de Judá, compuseram.” Não há dúvida de que a autoria do livro seja de Salomão, mas foram os homens de Ezequias que copiaram os diversos rolos, editando-os na forma atual.

O que haveria por detrás desta divisão? Explica-se que a primeira parte é uma alusão à sabedoria, a segunda, à ética, sendo a terceira, à Torá.

Sabedoria superior resultou de Pede O Que Queres

Quanto ao conteúdo de cada uma delas não nos enganemos. Os Provérbios não são como as parábolas ou as lições de moral de outros sábios humanistas.

Já o primeiro versículo frisa que foi composto por “Salomão”, o mais sábios entre os homens, “filho de David”. Assim, pois, da mesma forma que O Livro dos Salmos de David foi inspirado por D-us, o Mishlê foi também concebido por inspiração Divina. Isso vale também para “Rei de Israel”, que baseou os escritos na Torá, a herança Divina do Povo de Israel, ensinando-a aos súditos.

Outro aspecto interessante da obra, o título em especial, decorre das alegorias contidas nos versículos (vide capítulo 27, trechos 8 e 15). Bem ao estilo dos profetas, que retiram lições indeléveis de comparações ou exemplos; assim também agiu Salomão, que proferiu 3 mil provérbios (I Reis 5:12).

Conforme os nossos sábios, até o surgimento de Shlomo, os ensinamentos da Torá eram como um poço. Isto é, as águas repousavam profundas e frias, sem que pudessem ser içadas. Então, surgiu um justo munido de cordas longas e resistentes para resgatá-las. Através de adágios, destilou as águas da sabedoria Divina. Seus ditados as libertaram.

Conforme o Talmud (Shabat 30b), os sábios, a princípio, desejaram excluir Provérbios e Eclesiastes do cânon. Isso em função das aparentes contradições entre os mesmos. Em seguida, ao conciliarem as suas dúvidas inciais, ambos os livros foram merecidamente reintegrados à norma. Talvez por este motivo, os dois escritos, juntamente com o Cântico dos Cânticos, ainda não desfrutavam da merecida difusão. Entretanto o Rei Ezequias reforçou-os, instilando os sábios daquela geração a se aprofundarem no seu estudo. Assim, pois, conseguiu elevá-los a um nível de santidade. E assim sucedeu com a sua divulgação que foi bastante ampla.

Relevância notória e notável de Salomão

Outras notas sobre a grandeza e extrema humildade do “filho de David” reside ao final da obra. No penúltimo capítulo, o sábio tsadic não tem receio de admitir o seu engano. Isso devido ao fato de se imaginar imune às agruras decorrentes do excesso de esposas, riqueza e cavalos, tal como advertido na Torá.

A princípio, o capítulo 31 se mostra um louvor à mulher de valor (Eshet Chayil). Aqui, Salomão é grato à sua genitora por tê-lo educado e repreendido no epísodio da inauguração do Templo Sagrado. E até hoje, a cada início de Shabat, costumamos recitar este provérbio em homenagem à mulher. A mesma mulher que prepara o ambiente sabático com esforço, talento e dedicação.

A lição: o homem mais sábio do mundo, aquele que reinou aos 12 anos, durante quarenta anos, como seu pai, e faleceu ao 52, como Samuel, e que dentre todas as tentações materiais escolheu a sabedoria, mesmo este homem não se ilude. Qualquer falha, por ínfima que seja, é sempre uma falha a ser corrigida.

Indiscutivelmente, os Provérbios são uma lição de vida. Cada palavra pois poderia preencher tomos e mais tomos, tamanho seu vislumbre e saber.

Segundo o Zohar, D-us disse a Salomão: “Já que o teu nome é como o Meu [Shlomo, da raiz Shalom], dou-te a Minha filha [a sabedoria] em casamento.”

E assim foi. Tudo, portanto, resultado da fala de D’us a Salomão: Pede o que queres.

(Extraído do prefácio do Livro dos Provérbios)

Livro bíblico de autoria do Rei Salomão, o homem mais sábio do homens, sobre as reflexões da vida. Ideal para quem deseja se aprofundar nas experiências de vida daquele que construiu o Primeiro Templo de Jerusalém.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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