Dizem os nossos Sábios: “Tsedacá assá HaCadosh Baruch Hu im Israel shepizran leben haumot” – “Bondade fez o Santo, Bendito seja, com Israel, espalhando-os entre as nações” – (Talmud Pessachim 87b). A bondade consiste em dois aspectos: o primeiro é que mesmo que uma comunidade judaica esteja em perigo em um determinado lugar por causa de perseguições ou atos de intolerância, as demais comunidades sobrevivem, ou até pode haver a possibilidade de se buscar refúgio nas outras comunidades. Exemplo disso deu-se durante as perseguições da Inquisição na Península Ibérica, de onde muitos judeus fugiram e se salvaram nas comunidades da Turquia, Grécia, Holanda, etc.
O segundo aspecto é que os judeus, para onde quer que fossem espalhados, levaram consigo seu conhecimento, sua erudição, seu monoteísmo, sua ética e sua experiência. Isto fez com que os judeus fossem responsáveis pelo desenvolvimento econômico e científico ao chegarem a muitos lugares, e exemplos não faltam. A tradição histórica chega a dizer que um grande líder, ao olhar para as galeras cheias de judeus que deixavam a sua pátria após a conquista de Jerusalém, no século I, exclamou: “O mundo não será mais o mesmo”.
Todos aqueles que são versados na história do povo de Israel sabem que as comunidades judaicas no Oriente e nos países muçulmanos gozaram de grandes liberdades e tiveram seus séculos de ouro.
Muitas são as comunidades judaicas que em outros tempos floresceram sob o domínio do Islã. Delas saíram muitos sábios, eruditos, homens de ciência e de artes. Hoje, muitas dessas comunidades são apenas uma sombra de seu passado, seja por causa de eventuais perseguições ou devido às ondas migratórias. Muitas gloriosas comunidades se transformaram em ruínas e monumentos. Outras continuaram gozando da liberdade para praticar a sua fé até os dias de hoje. Porém, por maior que tenha sido a destruição e a decadência, o mais interessante é que sempre sobrou algum vestígio, nenhuma comunidade foi inteiramente apagada ou varrida. Como profetizado na Torá: “D’us os espalhará entre as nações… Assim, mesmo quando eles estiverem em terra de seus inimigos, Eu não desgostarei deles nem Me cansarei deles a ponto de destruí-los e quebrar Minha aliança com eles” (Deuteronômio 4:27, Levítico 26:44)
Depois que o Segundo Templo foi destruído, a Presença Divina foi transferida para as casas de estudo e oração. Assim como remanesceu do Templo a parede ocidental – o famoso Muro das Lamentações –, da mesma forma, nas comunidades espalhadas pelo mundo a kedushá (santidade) não saiu do seu lugar. Conforme o dito dos nossos sábios, “A santidade das sinagogas permanece mesmo depois de terem sido devastadas” (Talmud Meguilá 28a). Em geral, os antigos babilônios e romanos conseguiram apenas destruir a fachada física do templo – pedras e madeiras. Todavia, o espírito e a fé judaica permaneceram vivos e intactos nas diversas comunidades judaicas e em cada judeu espalhado pelo mundo. Basta olhar as sinagogas e casas construídas para assuntos sagrados espalhadas nos diversos países apresentados, que ainda estão de pé, pois todas foram construídas e dedicadas leshem shamáyim (por amor a D’us e Sua Lei).
 
(Extraído do prefácio do livro Um Judeu no Islã)

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