A oração em congregação de forma fixa e com formulação estabelecida, conforme a conhecemos hoje, começou depois da destruição do Segundo Templo. Isso apesar de no Segundo Templo já existirem certas orações congregacionais. Foi quando o serviço das oferendas foi substituído pelo serviço do coração.

Todavia, existe uma ligação intrínseca e poderosa entre a história da oração e a história do povo de Israel, que andam entrelaçadas. Os Patriarcas já faziam as suas orações, no Monte Sinai recebemos as leis das orações confessionais que acompanham certas oferendas. Desde os dias de Moshé, o povo se reunia para ouvir a leitura da Torá. Assim, desde a época de Aharon e seus filhos, até hoje, o povo recebe as Bênçãos Sacerdotais (Bircat Cohanim). O Profeta Samuel e o Rei David, ainda antes da construção do Primeiro Templo, estabeleceram orações.

Não é possível entender o profundo sentido das preces e o significado de seus costumes sem conhecer a história dos nossos antepassados. E também as fontes bíblicas e talmúdicas e os acontecimentos que levaram à sua composição. Os nossos Sábios afirmam que, quando um judeu estuda Torá, ele se sente como um aluno frente a seu mestre. Dessa forma, porém, na hora da oração, é como um filho ao lado do pai (Hayom Yom, 26 de Tamuz).

A Tefilá (oração) é muitas vezes chamada na nossa literatura de “escada”, “cujos pés apoiavam-se no chão e seu topo alcançava o céu” (Gênese 28:12) — aliás, “sulam” (“escada”) possui o mesmo valor numérico que a palavra “col” (“voz”).
A Amidá, ou Shemonê Esrê  é a parte principal das orações diárias, onde nossos pedidos são formulados.

Uma oração deve ser viva

Assim como tudo no judaísmo deve ser feito de modo vibrante. Por exemplo, a nossa Torá é chamada viva, Torat Chaim. Isso deve valer do mesmo modo às nossas orações, pois “uma oração sem cavaná (devoção sincera) é como um corpo sem alma” (Abarbanel, Avot 3:13). A nossa comunicação com o Criador não pode ser um gesto mecânico, mas um ato carregado de sentimentos. Assim como está escrito: “Não faça da tua prece um ato rotineiro, e sim um rogo de piedade e uma súplica diante de D’us” (Ética dos Pais 2:13). Precisamos nos sentir como um filho que está diante de seu Pai, louvando-O, pedindo por suas necessidades e agradecendo-O.

Sendo a Tefilá chamada de “serviço do coração” (avodá shebalêv), o que importa não é a velocidade ou a quantidade de preces recitadas. O que vale então é a sinceridade, pois “D’us deseja o coração” (Rashi, San’hedrin 106).

Quanto maior o entendimento, mais facilmente e sinceramente poderemos orar ao Todo-Poderoso. É dessa forma que conseguimos escalar “as escadas da prece” e nos unir a Ele ainda mais. Portanto, é nossa vontade que esta obra auxilie “aqueles que O chamam” (Salmos 145:18) que “O chamem sinceramente”. Rogamos ao Todo-Poderoso que esta escada seja de duas vias. Anelamos com sinceridade que Ele possa escutar a nossa prece diária “Faz o rebento de David, Teu servo, florescer rapidamente”.
(Extraído do prefácio dos livros A Arte da Prece Judaica e A Arte de Dizer Amên)

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