Para entender o assunto a que se refere o transplante de órgãos no judaísmo é muito importante diferenciar os vários tipos de transplantes que existem.

Há os efetuados em vida, nos quais tanto o doador como o receptor estão vivos, como é o caso dos rins. Aplica-se o seguinte princípio: alguém é ajudado sem o outro ser prejudicado. Ou seja, o transplante é permitido quando a retirada de um órgão do doador não coloca em risco sua saúde.

Este é o caso do transplante de rins. A medicina comprovou que o homem pode levar uma vida saudável com um único rim. Neste caso não só é permitido o transplante como a doação é considerada uma grande mitsvá já que está ajudado alguém a viver ou sobreviver.

O transplante  de órgãos no judaísmo em casos bem definidos

Existem também os transplantes post-mortem.

Aqui temos que frisar algo de extrema importância: enquanto para a medicina um homem é considerado morto assim que for registrada sua morte cerebral, para o judaísmo isto não é suficiente.

Não tendo, o direito de forma alguma, de abreviar a vida de um ser humano nem por um segundo sequer desligando qualquer tipo de aparelho, o falecimento segundo a lei judaica só ocorre numa parada cardíaca ou respiratória.

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Os transplantes post-mortem são permitidos em casos bem definidos. Em primeiro lugar somente no caso do doador estar morto conforme nossas leis.

Exemplos disto são os transplantes de córnea ou de pele. Mesmo assim, é permitido o transplante de órgãos menores quando a sua necessidade de uso é imediata.

A permissão só é dada portanto na medida em que se aplique o princípio de “salvar uma vida”. Logo, não é permitido pois doar estes tipos de órgãos para bancos de órgãos. Ali eles podem ser esquecidos ou usados para experiências.

Transplante de órgãos vitais

Por outro lado, existem transplantes de órgãos vitais, como fígado e coração.

Hoje em dia, são efetuados após a morte cerebral, que, vamos frisar novamente, não é considerada morte pela Torá.

Logo, não são permitidos os transplantes de coração nas técnicas atuais, em que o coração é retirado do doador imediatamente após sua morte cerebral.

Para a Torá, o doador ainda está vivo e morrerá na hora em que o coração for removido. Isso significaria salvar uma vida, abreviando uma outra.

Este tipo de transplante é absolutamente proibido. Então fica claro que o transplante de órgãos no judaísmo só é aceito em certos casos. Quem sabe, no futuro, com a evolução da ciência e tecnologia, será possível fazer uso do fígado ou do coração de alguém morto pela lei judaica?

Assim como o judeu pode doar órgãos, em casos específicos, poderá também recebê-los de qualquer pessoa. Isso, aliás, sem distinção de credo, raça, etc.

Nesta análise, não vamos esquecer que o corpo nos foi emprestado e temos que devolvê-lo em perfeita ordem.

A Torá frisa a necessidade de manter o corpo humano na sua integridade. Não se deve fazer autópsias desnecessárias, nem utilizar os corpos para experiências. Acreditamos que estes corpos se erguerão um dia, assim preservando aquilo que D’us nos deu, o princípio da vida que é, para a Torá, algo essencial. Por isso pode-se agir para salvar uma vida, sem jamais, no entanto, prejudicar outra.

(Matéria publicada na Revista Morashá em junho de 1995)

 

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