Aproximamo-nos do início do ano de 5757 a partir da criação do mundo, e dos chamados Iamim Noraim, os dias terríveis que marcam o início de um novo ano, quando são decididos os destinos de cada um de nós. Assim também nos aproximamos para entender mais detidamente o significado de Rosh Hashaná e Yom Kipur.

Este é um dos momentos de culminação do calendário judaico.

Em primeiro lugar, gostaria de chamar a atenção para o fato de que os cientistas, através de seus diferentes métodos de calcular a idade do universo, afirmam que o mundo tem alguns milhões de anos.

Realmente o mundo aparenta esta idade, só que sabemos ser sua idade verdadeira 5757 anos.

Os cientistas julgam de acordo com os sintomas que medem, através do Carbono 14 etc. Mas nós sabemos que D’us criou o mundo adulto. Isto consta no Talmud. Adão não foi criado uma criança, mas como adulto de 30 anos. As montanhas já existiam no primeiro dia. D’us criou o mundo aparentando ter milhões de anos. Os cientistas julgam a partir do que vêem, mas D’us nos revelou, na Torá, a verdadeira idade do mundo.

Rosh Hashaná é o dia do julgamento, Yom haDin. Existe um julgamento geral, D’us decide quanto cada um vai ganhar, como será a saúde de cada um, filhos, educação, prosperidade e assim por diante. O significado de Rosh Hashaná e Yom Kipur já começa a ser delineado aqui.

Mas há também um julgamento diário. Pode-se determinar, em Rosh Hashaná, que um homem vai ganhar X no ano que se inicia. Mas se este X vai ser usado para coisas boas ou não, para comprar um apartamento ou para cuidar da saúde, isto dependerá do comportamento diário.

A decisão geral de Rosh Hashaná será influenciada pelo comportamento diário da pessoa. Não somos fatalistas. Nós traçamos o nosso destino a cada dia. É nosso comportamento diário que determina a maneira da concretização da decisão Divina.

Dizemos também em nossas rezas que através da oração, do arrependimento e da tsedacá o homem pode mudar o julgamento Divino.

A explicação disto é que, ao arrepender-se, o homem torna-se outro. Não é mais aquele sobre o qual foi decretada tal e tal coisa. Não há uma mudança na decisão de D’us, mas sim uma mudança no indivíduo, que deixa de ser aquele sobre quem antes recaía um julgamento severo. É possível notar que isso por si tem real força para o significado de Rosh Hashaná e Yom Kipur.

O Dia do Perdão

Já Yom Kipur é o dia do perdão, o dia em que Moisés desceu da montanha com as segundas tábuas, mostrando que D’us perdoou o erro do bezerro de ouro.

O perdão Divino ocorre após o homem tropeçar e cair, não aguentar e pecar.

Quando há um retorno sincero, quando o homem reconhece que errou e decide, sinceramente, mudar, D’us o perdoa.

Não há pecado que D’us não possa perdoar, a não ser que seja um pecado premeditado.

O Talmud diz que aquele que diz: “eu vou pecar porque depois D’us me perdoa” não é perdoado.

O perdão existe quando aquele que pecou realmente se arrepende, e quer voltar, tirar as manchas com que se maculou. O arrependimento faz da pessoa outro ser.

É muito importante ressaltar também que Yom Kipur perdoa todos os erros do homem para com D’us: mezuzá, kasher, shabat, etc.

A outra parte, nossas falhas para com o ser humano, com nossos semelhantes, estas Yom Kipur não apaga. A lei é bem clara no Shulchan Aruch: se alguém enganou a outro, se roubou ou insultou ou difamou, antes da chegada de Yom Kipur ele deve pedir perdão a esta pessoa.

O perdão é apenas perante D’us. Perante o ser humano, cada qual tem que pedir perdão individualmente. E é daí que vem o costume de um pedir perdão ao outro antes de entrar na sinagoga, no Kol Nidrei.

O despertar da neshamá revela o significado de Rosh Hashaná e Yom Kipur

Todo judeu possui, dentro de si, a idishe neshume, a alma judaica.

Existe lá uma faísca Divina, e esta faísca está sedenta.

O judeu, por excelência, faz parte do povo que procura algo, não se contenta só com uma vida material. Está sempre sedento por alguma coisa, tem uma enorme atração pelo lado espiritual, intelectual, assistencial etc.

Muitas vezes os judeus procuram satisfazer esta necessidade fora do judaísmo, já que não o conhecem. Encontra-se judeus em vários movimentos idealistas, em seitas religiosas orientais…

O judeu não consegue abafar totalmente esta alma. A faísca está lá. Algo que está gravado, incrustado no coração, não pode ser tirado.

Em Rosh Hashaná e Yom Kipur, segundo a mística judaica, há um brilho especial, uma chamada lá em cima. O corpo não entende esta chamada, mas a alma a entende. E assim, milhares de judeus que passam o ano inteiro afastados da religião vêem-se levados às sinagogas. Portanto aqui é possível dimensionar o significado de Rosh Hashaná e Yom Kipur.

Quando chegam estes dias propícios, o ar é diferente, há um brilho e uma espiritualidade, D’us julga a humanidade. Há uma possibilidade de perdão e de expiação. A alma do judeu vai e faz coisas que o ano inteiro não faria. O próprio judeu surpreende-se com este despertar, com esta resposta ao chamado de D’us.

Indivíduo e comunidade; D’us e homem

No judaísmo, o indivíduo tem grande importância. Cada qual tem o seu valor e é por isto que o Talmud diz que quem salva uma vida humana, é como se salvasse o mundo inteiro.

Por outro lado, nossas preces sempre exigem um quorum, um minyan. Segundo a mística judaica, quando uma comunidade de no mínimo dez homens pede alguma coisa, D’us não recusa este pedido.

Isto porque a comunidade é vista como um todo. Mas quando um indivíduo formula um pedido isoladamente, D’us o olha isoladamente, vê suas virtudes e também seus defeitos.

Num grupo é diferente. Uns são melhores, outros são piores, mas D’us não pune uma comunidade por causa da maldade de um de seus elementos. É por isto que em todas as rezas, os pedidos a D’us são formulados no plural. Quando o indivíduo se inclui numa comunidade, ele pede para todos, junto com todos, incluindo a si mesmo.

Moisés trouxe das alturas duas tábuas da lei. Isto demonstra que, na realidade, o judaísmo tem duas direções.

Uma direção deve levar à outra

A primeira, expressa na tábua direita, fala das obrigações do homem para com D’us: guardar o Shabat, a proibição da idolatria, não mencionar o nome de D’us em vão, honrar aos pais e assim por diante.

Passamos, então, para a segunda tábua, que representa as obrigações do homem para com seu semelhante: não roubar, não matar, não cobiçar etc.

O judaísmo tem duas direções: a vertical e a horizontal. Se um judeu diz “sou um bom judeu de coração, ajudo a meu próximo, não minto, não roubo”, mas não guarda o Shabat ou não come kasher, falta-lhe algo para cumprir a vontade de D’us.

Se um judeu observa a kashrut, mantém o Shabat, tem uma mezuzá, mas não é uma pessoa honesta nos negócios, não é uma pessoa íntegra, tampouco é um bom judeu.

Os mandamentos que se referem às relações entre um homem e os seus semelhantes também fazem parte da vontade Divina, e é por isto que na Torá está escrito: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Eu sou D’us”.

Ambas direções, a vertical e a horizontal, completam o judaísmo. Assim também podemos compreender no todo o significado de Rosh Hashaná e Yom Kipur.

(Publicado na Revista “Herança Judaica” em setembro de 1996)

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