EM QUE CONSISTE O MIKVÊ?

Sobre o que é Mikvê podemos começar com a palavra Mikvê. Ela significa uma concentração de água. A palavra aparece na Torá no momento da criação, quando havia uma grande concentração de água.

O mandamento do Mikvê é pois um mandamento bíblico. Segundo a Torá, para que uma mulher possa unir-se a seu marido maritalmente, é absolutamente necessário emergir-se num mikvê sete dias após o término de seu fluxo menstrual.

Antigamente, o Mikvê também era usado para vários outros tipos de purificação. Basicamente, uma concentração de água que esteja então em contato direto com uma fonte de água natural.

Esta última poderá ser tanto água de chuva, como de um manancial, de um ribeirão. Ou seja, água natural que nos lembre uma volta à natureza.

Se quisermos então saber qual é exatamente o significado do Mikvê,  ou o que é Mikvê, deveremos nos aprofundar no tema.

ENTENDENDO O MIKVÊ

Segundo Maimônides, devemos com efeito entender o mergulho dentro do Mikvê como um nascimento.

Da mesma forma que o mundo surgiu das águas, quando um ser humano mergulha em água natural, ele emerge como se fosse uma nova criatura, alguém totalmente novo.

No Gênese, no início da Criação, havia apenas águas. A seguir, D’us separou as águas superiores das águas inferiores, formando o firmamento, depois surgiram os continentes e assim por diante.

É interessante notar que, quando um ser humano nasce, ele também surge das águas, pois emerge após nove meses nas águas amnióticas do ventre materno.

É muito importante entendermos pois o conceito de água natural corrente. Trata- se de uma água que não foi canalizada, que não foi modificada pelo homem, que não foi recolhida por nenhum tipo de recipiente.

Por este motivo, o Mikvê tem um depósito de água de chuva que vem direto do teto, sem ter de ser recolhida de nenhuma forma e está em contato com uma piscina de água normal canalizada por meio de vasos comunicantes.

ENTÃO O QUE É MIKVÊ ?

Para saber o que é Mikvê é entendê-lo como um revigoramento, uma energização. É uma renovação, particularmente dentro de um casamento.

Hoje em dia, sabe-se que uma grave crise está abalando a vida conjugal. Uma vida que, com o passar dos anos, torna-se às vezes monótona, baseada em hábitos, na falta de comunicação e assim por diante.

D’us, em Sua sabedoria suprema, outorgou através da Torá um sistema que possa renovar e revigorar mensalmente o casamento. A esposa torna-se, a cada mês, uma noiva, trazendo consigo toda a alegria e todo entusiasmo que isto significa.

É importante notar que hoje em dia procura-se cada vez mais o Mikvê. Obviamente nenhuma mulher revela publicamente se guarda ou não as leis de pureza familiar, ou se frequenta o Mikvê mensalmente.

São leis extremamente íntimas entre ela e seu marido. Porém, de acordo com as estatísticas, chegou-se à conclusão de que seu uso está aumentando especialmente entre casais jovens.

Mesmo os que não seguem todas as leis da Torá, fazem questão de manter e de guardar a lei do Mikvê, devido ao seu caráter benéfico para o casal.

A QUE SE DEVE ESTE FATO?

Provavelmente, estes jovens acreditam que as leis de pureza são uma necessidade numa sociedade cada vez mais materialista.

Todos nós sabemos que o amor é como uma chama que tem de ser constantemente alimentada, e esta é a forma que a Torá recomendou para que dentro do casamento haja também um tempo para as palavras, para a compreensão, para o amor platônico.

Alguns psicólogos modernos acreditam que este curto período de abstinência permite ao casal ter um relacionamento mais intenso, baseado em algo mais profundo.

As leis do Mikvê foram observadas pelo Povo de Israel há mais de 3.000 anos, mesmo nas piores condições.

São leis milenares. Foram encontrados em Israel dois Mikvês antigos, um em Massada e um Herodion.

Apesar de terem sido construídos há 1900 anos, apresentam exatamente as mesmas medidas, os mesmos poços e acessórios para água de chuva dos Mikvês modernos. Assim vemos o que é Mikvê desde tempos muito antigos.

Também na Europa – na Espanha e Alemanha, existem Mikvês antigos de 700 e 800 anos. Durante o inverno europeu, não era raro uma mulher ter de quebrar o gelo para mergulhar num rio e entrar na água gelada.

Era preciso muita dedicação. No Oriente, às vezes, as mulheres viajavam uma ou duas noites de trem até encontrarem um Mikvê. Mergulhavam nele e depois voltavam para sua família.

MAIOR APARATO PARA AS MIKVÊS MODERNAS

Nossas avós e bisavós guardaram essas leis com muita dedicação e com muita devoção sabendo da sua finalidade, sabendo as grandes bênçãos que o Criador promete para quem cumprir essas leis.

Hoje, Graças a D’us, está sendo bem mais fácil respeitar estas leis. Em todas as cidades grandes existem Mikvês confortáveis, equipadas para tornar a imersão, além de necessária, também algo agradável.

Muitas são verdadeiros salões de beleza, com serviços de baby sitter e manobristas.

O novo Mikvê da Sinagoga Beit Yaacov, que está sendo inaugurado na Rua Veiga Filho, é mais uma prova disto. Foi feito com grande luxo e sofisticação. Conta com grandes piscinas de águas tratadas quimicamente a fim de evitar quaisquer tipos de problemas.

Ao lado destas piscinas encontram-se banheiros individuais com banheiras, chuveiros, secadores, cosméticos e todo o conforto possível.

O Mikvê da Veiga Filho possui também garagem interna para garantir total segurança e privacidade.

(Publicado na Revista Morashá em Abril de 1998)

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