RABINO, O QUE EFETIVAMENTE QUER DIZER CABALÁ, OU O QUE É CABALÁ?

A Torá, a bíblia sagrada, dada a nós por D’us no Monte Sinai, tem uma forma mística de interpretação. Chama-se Cabalá. Portanto, o que é Cabalá senão procurar entender a alma da Torá?

Ela poderia ser definida como sendo a parte oculta da Torá. Digamos ser a explicação de segredos nas entrelinhas do texto bíblico escrito.

Assim como o Homem possui alma, corpo e roupa, a Torá também é composta por três partes.

Poderíamos então fazer uma analogia entre elas. A roupa representa a história relatada na bíblia. Já o corpo seriam os mandamentos a nós outorgados por D’us. Por último, a alma pode ser determinada como a parte mística, ou seja, a Cabalá.

Por muitos séculos essa mística ficou restrita ao conhecimento de uma parcela muito pequena do povo judeu. Este, por costume, passava esses conhecimentos de geração para geração.

Somente através dos sábios Rabi Yitschac Luria e do Baal Shem Tov, entre outros, é que, paulatinamente, essa sabedoria começou a ser revelada para um maior número de pessoas. Assim, antes mesmo de perguntar o que é Cabalá, devemos buscar olhar a obra desses gigantes da Torá para conhecer os princípios dela.

QUAIS OS PRINCIPAIS PROBLEMAS VIVENCIADOS HOJE EM DIA EM RELAÇÃO AOS ESTUDOS DA CABALÁ?

Atualmente, o acesso a assuntos relativos à Cabala é muito fácil. Há farto material sendo comercializado em livrarias, muitos deles entretanto de qualidade duvidosa. Para serem realmente compreendidos, existe a necessidade de a pessoa estar muito bem preparada, com muitos anos de estudo; além disso, em muitas dessas obras, há tradutores mal preparados que traduzem apenas o sentido literário, sem passar, na obra, o verdadeiro sentido místico.

Juntando-se o leitor despreparado, que não tem condições de fazer uma análise critica, e obras mal traduzidas, que não correspondem ao original, tem-se como consequência uma confusão mental muito grande. Isso pode gerar um afastamento, ao invés de uma aproximação da Torá.

Outro fator gerador de grandes problemas são os cursos ministrados por pessoas totalmente despreparadas que almejam ensinar os “segredos da Cabala”.

Primeiramente já começam utilizando-se erradamente o nome. Vejo muitas pessoas dizendo por ai “vou estudar Cabala”; o erro já começa por ai! O correto é Cabalá – é uma palavra oxítona, com silaba tônica ‘lá’ – já que vem da palavra hebraica “lecabel” (receber) e Cabalá significa recebimento.

Se o conceito inicial já esta errado – ao utilizar a palavra Cabala ao invés de Cabalá – o que será então na continuidade desse “curso”?

Em segundo lugar, transformam o curso em um curso comercial, sem utilização de nenhum critério.

Em terceiro e, na maioria das vezes, aliado aos anteriores, esses ditos “professores” são extremamente mal preparados, não possuem nenhum conhecimento – muitas vezes baseiam-se naqueles livros mal traduzidos trazendo um prejuízo mental relevante ao aluno.

A consequência, frequentemente, é a fuga do judaísmo e o ingresso em seitas estranhas.

COMO DEVE PROCEDER O INTERESSADO EM ESTUDAR CABALÁ? EXISTE ALGUM PRÉ REQUISITO PRÉVIO PARA TAL?

Assim como existem degraus a galgar no estudo de qualquer matéria laica, no estudo da Cabalá não é diferente. A curiosidade pode ser o passo um para a pergunta – o que é Cabalá? – mas não se resume a isto.

Isso fará com que a pessoa se aprimore cada vez mais e se torne apta a, paulatinamente, adentrar, de forma correta e segura, no mundo dos ensinamentos místicos da Torá.

À medida que o aluno vai se aprofundando nos ensinamentos bíblicos, talmúdicos etc., ocorre um processo natural de evolução que fará com que ele, em determinado ponto, comece a estudar a Cabalá, aprofundando-se, cada vez mais, em temas mais complexos.

Com efeito é como trilharmos o caminho que nos leva a uma universidade. Não podemos, no primário, estudar temas que nos serão apresentados apenas no nível universitário. Não entenderíamos absolutamente nada e geraria uma grande confusão mental.

Existe a necessidade, portanto, de passarmos por etapas especificas até atingirmos o ápice de estudo.

Há pessoas que param no meio do caminho de seus estudos laicos pelos mais variados motivos; assim também é o estudo da Cabalá. Há pessoas que não estão bem preparadas para estudá-la e aí o que é recomendado é que não inicie; o problema gerado pode ser muito grande.

A QUEM DEVO PROCURAR PARA ESTUDAR DE FORMA CORRETA?

Há poucos professores aptos a ensinar a Cabalá. Além de serem em número escasso, são discretos, não fazem “barulho”, não causam estardalhaço ao divulgarem seus cursos e não viajam pelo mundo em busca de adeptos.

O cabalista é uma pessoa caracterizada pela retidão de atitudes e pelo refinamento de caráter.

Trata-se, pois, de uma pessoa que segue literalmente todas as leis do judaísmo e os costumes de conduta cabalísticos.

Atualmente, a despeito de inúmeros cursos enganosos, é possível encontrar cursos certos com professores adequados.

O importante é buscar sempre lugares que ensinem a Cabalá de forma acessível e popular – via exemplos que transformam o abstrato em algo compreensível – e não em sua forma pura e cristalina.

Por exemplo, aulas de Chassidut. É importante salientar que, desse jeito – seguro e correto –, não apenas que é permitido o estudo da Cabalá, mas principalmente recomendado, para que se possa fornecer à nossa alma o intenso saber oriundo da Torá e a resposta para o que é Cabalá.

(Publicado na Revista da Casa de Cultura de Israel)

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