Tomo o papel da imprensa em uma mão e na outra o fato de que, no momento em que escrevo este artigo, nos encontramos na semana na qual é lida a porção da Torá de Shemini. Nela encontramos uma relação das aves não-casher.

Dentre elas, duas nos chamam a atenção: Daá (uma espécie de abutre) e Chassidá (cegonha).

O Talmud diz que a Daá possui um olhar tão aguçado, que mesmo estando na Babilônia enxerga carcaças em Israel.

A cegonha, por sua vez, faz bondade (em hebraico, chéssed, daí o nome Chassidá) com suas amigas.

Os nossos sábios perguntam: “Por que elas não são casher, se possuem tais qualidades?”

A resposta é porque a Daá só enxerga carcaças em Israel. Só coisas mortas e feias, não coisas belas e agradáveis. Já a cegonha faz bondade apenas com suas amigas, não com as demais aves. Assim, é uma bondade discriminatória. Portanto, suas virtudes tomam-se defeitos.

Relação entre jornal e as aves “errantes”

Um jornal que se preze não pode enxergar somente defeitos e imperfeições, mas deve ser capaz de ressaltar as virtudes e realizações positivas da comunidade.

O jornal que faz bondade apenas com “suas amigas” e promove somente segmentos da comunidade acaba incorrendo no mesmo erro destas aves.

Há tempos, podemos assistir então como a Imprensa internacional é subjetiva em relação a Israel.

Assim, temos que enfrentar uma imprensa parcial, mal informada, que publica acusações mentirosas e fotos de cenas repetitivas que ferem a moral judaica.

E, como se tudo isso não bastasse, vemos surgir certos jornais e jornalistas judeus, que se unem a esta imprensa e sentem prazer em denegrir certos segmentos de nossa comunidade, chegando ao ponto de recrutar colunistas no exterior e reunir material para ser usado na difamação de homens de fé e tradição.

E tudo isto em nome de conceitos nobres, como liberdade, pluralidade, pensamento livre, etc. A “liberdade de expressão” é confundida com “liberdade de agressão”.

Quem exerce o papel da imprensa precisa de muita responsabilidade

Grande é a responsabilidade daquele que deixa algo por escrito e, mais ainda, impresso. Assim, o papel da imprensa ganha ainda mais vulto

Algo impresso, dizem os nossos sábios, é um documento que fica para sempre. Portanto, antes de colocar a tinta no papel, há a necessidade de uma reflexão sincera. É preciso avaliar as consequências das palavras que serão publicadas.

Pertencer ao Povo do Livro significa um respeito pelas Escrituras. Não se pode transformar um jornal periódico num púlpito de demagogia, incentivando as divergências.

Abençoada é esta nova iniciativa – a Tribuna Judaica – que, pelo seu objetivo, permitirá a todos divulgar suas atividades e opiniões. E fazê-lo sempre no espírito de amor ao próximo de uma forma positiva.

Afinal, o propósito de um jornal judaico é pois trazer a mensagem do Judaísmo. Trazer enfim tanto para dentro como para fora da comunidade.

Divulgar o que a experiência judaica aliás possui de positivo, agradável e sábio. Colocar portanto o Judaísmo e os judeus no seu merecido lugar.

Desejo à Tribuna Judaica que, muito em breve, conforme o dito dos Rebes chassídicos, possa divulgar a chegada do Mashiach em sua manchete principal.

(Publicado no Jornal Tribuna Judaica em Abril de 1997)

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