Devemos cercar nossos filhos com o calor que só o amor emana; precisam se sentir membros da família, da comunidade e da sociedade. Mas, então, onde entra o pão ázimo nessa história?

Já houve épocas em que “levar bomba” na escola poderia ocasionar, no máximo, uma severa repreensão dos pais e a perda de um ano de estudos.

Atualmente, a bomba é literal. Estamos nos dias da Páscoa, quando a Lei Judaica nos obriga a se abster de qualquer pão convencional (fermentado) e a consumir apenas a matsá (o pão ázimo), lembrando a libertação do povo judeu da escravidão do Egito.

Ambos são elaborados com água e farinha, mas o pão cuja massa cresceu simboliza o orgulho; a matsá, o pão ázimo e achatado, simboliza a humildade.

Ordenou o Criador: “E cuidareis do pão ázimo” (Êxodo 12:17), para que a matsá não fermente. Na prática, existem duas formas para você inibir a fermentação natural:

a) Antes de começar a inflar, pegamos a massa e rapidamente a colocamos no forno.
b) Basta continuarmos a sovar a massa, trabalhando-a sem parar, não permitindo que ela fique “ociosa” -mesmo por horas-, e ela não fermentará.

Nossas crianças e nossos jovens são a “massa” mais preciosa que temos. Assim como, por natureza, qualquer massa fermenta e incha, de forma similar a criança, apesar de pura, é propensa ao egoísmo e pode tender para a maldade.

É nossa obrigação cuidar dessas massas jovens para elas não fermentarem nem azedarem, pois uma criança que se sente rejeitada pode causar danos irreversíveis à sociedade.

O judaísmo, como falamos, oferece pois duas alternativas para inibir a fermentação do caráter e a tendência para a arrogância e a maldade: o calor do forno e o trabalho com a massa.

Analogamente, devemos cercar nossos filhos com o calor humano que somente o amor emana. Eles precisam sentir-se queridos e membros orgulhosos e ativos de algo maior: família, comunidade e sociedade.

A tragédia de Realengo e o Pão Ázimo

Com efeito, os filhos querem amar e ser amados, conhecer o calor e a intensidade dos relacionamentos familiares.

Trabalhar a massa significa fazer com que os nossos jovens se interessem pelas coisas. Que estejam ocupados com assuntos bons e positivos.

A ociosidade é extremamente perigosa para eles. Temos que dar a eles muitas responsabilidades para cumprir a fim de que não tenham tempo nem sequer para pensar em errar.

Na triste tragédia da escola de Realengo, o assassino pois foi descrito pelos colegas como uma pessoa tímida e calada. Porém, numa análise mais profunda, percebe-se que ele cresceu sem o calor familiar necessário.

Passou por vários braços e sofreu então decepções e rejeições na vida. Também ficava horas e horas em frente à tela do computador. Assim, uma vez que a tecnologia é desprovida de moral e não produz pessoas melhores. Essa ociosidade e essa falta de “calor do forno” fizeram a massa fermentar.

Há décadas, o Rebe de Lubavitch, líder mundial judaico, já dizia: “Ao contrário do senso comum, que considera as crianças potenciais seres humanos, incapazes de atingir o seu valor completo antes da maturidade, a tradição judaica as vê como dignas e merecedoras do nosso tempo, já que personificam a pureza de propósitos, sinceridade, fé e amor à vida”.

(Matéria publicada no Jornal “Folha de S. Paulo” em 22 de abril de 2011)

 

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