Os acontecimentos de Chanucá ocorreram na época do Segundo Templo, mais ou menos no ano 3610 da criação do mundo. Foi nesse período que ocorreu o milagre do azeite.

Grandes modificações haviam ocorrido na área. O grande império persa fora derrubado por Alexandre da Macedônia. Ele exercia, pois, além do domínio na área militar e política, uma forte ingerência no sentido de disseminar os hábitos gregos. Isso incluía ainda a cultura e filosofia helênicas. a religião politeísta e assim por diante.

Após sua morte o império foi dividido, e a Terra de Israel ficou sob domínio sírio. Apesar de Alexandre ter sido amigo do povo de Israel (por isso temos nomes como Alexandre, Alexandra ou Alessandra), seus herdeiros não demonstravam nenhuma simpatia em relação ao povo de Israel.

Dominados pelos sírios, o povo de Israel passou a sofrer as maiores perseguições na época do rei Antiochos Epifanis. Este proclamou decretos terríveis contra o povo de Israel durante seu reino.

Sua intenção era arrancar o espírito da Torá existente nos judeus, helenizando-os. Esta tentativa desembocou numa rebelião, a revolta de Yehudá, o Macabeu, cuja vitória festejamos a cada Chanucá.

Uma tentativa de eliminar o espírito de Israel

As perseguições de Antiochos não tinham como objetivo eliminar fisicamente os judeus com sua morte, como acontecera na época da rainha Ester e de Purim, mas sim destruir o espírito do povo de Israel.

O rei sírio queria acabar com suas raízes espirituais. Queria que se assimilassem às outras tribos idólatras, que praticassem e seguissem a cultura helenista.

Infelizmente, Antiochos conseguiu em parte seu propósito. Uma parcela do povo judeu passou a adotar a cultura helenista, sua estética e todos os deuses que fazem parte da mitologia grega.

Mas os membros da família dos Chashmonaim, que permaneciam com sua fé inabalada e viam o grave perigo que isto representava. A cultura grega seria terrível para o povo de Israel. Assim, eles iniciaram uma grande revolta. E esta, feito fogo, se espalhou rapidamente.

Durante sua luta contra a dominação síria helenista, os Chashmonaim adotaram para si o nome macabeus que é a abreviação das palavras Mi Camocha Baelim Hashem, ou seja, “quem é forte como tu, D’us”.

Os macabeus guiaram os judeus fiéis a seu D’us a uma vitória militar que libertou a Terra de Israel do domínio sírio, criando um estado que permaneceu independente por mais de 200 anos, até a chegada dos romanos.

Um grito de liberdade

Mas o propósito principal que levou os judeus à luta, a uma rebelião armada, não era libertar-se de uma nação que os dominava militar ou politicamente. Não era este o objetivo.

Certamente, o  que os levou à revolta foi a necessidade absoluta de reconquistar sua liberdade espiritual. Queriam uma volta às raízes, à Toró, à santificação do Templo, à reinauguração do serviço dentro do Beit Hamicdash.

Por este motivo, o milagre do azeite, que representa a Luz, a sabedoria, é o milagre da volta à Torá e às mitsvot pelo povo de Israel. Assim nossos sábios relatam principalmente no Talmud.

Reparem que a palavra Chanucá vem da raiz etimológica Chinuch, educação em hebraico.

Esta festa tem o propósito de nos educar e ensinar que o judeu tem que andar de acordo com a luz da Torá. Ele não deve se deixar impressionar com as sociedades ou culturas que estão a seu redor.

E, se ele realmente seguir o caminho certo, apegando-se a D’us, vencerá toda e qualquer escuridão que haja a sua volta.

Para acabar com as trevas, com a escuridão, é suficiente uma luz pequena. A luz da Torá é algo real, enquanto a escuridão é algo apenas relativo, é somente a ausência de luz.

Chanucá Derabanan

Chanucá é uma festa rabínica e, assim como Purim, não consta nos festivais mencionados na Torá. Diferentemente de Pessach, Shavuot, Sucot e assim por diante.

Mas apesar da festa de Chanucá se referir a acontecimentos que ocorreram muito tempo depois da outorga da Torá, mesmo assim temos algumas alusões a respeito de Chanucá dentro da Torá.

A palavra Chanucá pode se dividir em dois – chanucaf hei (=ca). Os macabeus pararam sua luta no dia caf hei, no dia 25 de Kislev, que hoje se tornou Chanucá.

No dia 25, descansaram da luta contra seus inimigos. Se pegarmos desde o início da Torá, no livro de Gênese, a primeira palavra é Bereshit e se contarmos 25 palavras, a 25ª palavra é a palavra or —luz. Algo indiretamente relacionado com o milagre do azeite.

Outra alusão interessante está no livro de Bamidbar. Lá a Torá enumera, na porção de Massei, todas as etapas da viagem dos judeus pelo deserto e as respectivas paradas.

A 25ª parada ocorreu em um lugar chamado Chashmoná. Isto é uma alusão à família dos Chashmonaim – a família de Matatias e de Yehuda, o Macabeu.

O milagre de cada dia é o milagre do azeite

A festa de Chanucá e as misvot relacionadas nos transmitem ensinamentos importantes, hoje em dia.

Ao fazer a brachá sobre as velas, por exemplo, afirmamos que o milagre aconteceu baiamim hahem. Isto significa naquela época, e igualmente bazman hazé, hoje em dia.

O fato de acrescentarmos uma vela a cada dia, durante os 8 dias da festa, nos ensina algo. Significa que cada um de nós deve aumentar e espalhar cada vez mais luz. Não devemos nos contentar com aquilo que foi feito ontem. Devemos sempre acrescentar algo mais, cada um de acordo com suas possibilidades.

A mitzvá de acender as velas de Chanucá ao lado da janela ou ao lado da porta nos ensina que devemos “iluminar para fora”. Devemos nos esforçar para que em cada lugar, mesmo um lugar público, seja lembrada a presença de D’us. Afinal, Ele próprio foi Quem operou o milagre do azeite.

O judaísmo pode e deve irradiar, esquentar e “iluminar para fora”. Quando se deve iluminar? Qual é a hora certa? Na hora que começa a escurecer. Quando há uma escuridão espiritual, moral ou ética, nesse momento, a tarefa do povo de Israel é ser um farol de luz.

A tarefa é aumentar pois cada vez mais a luz, iluminar ao nosso redor, iluminar a trilha e expulsar totalmente a escuridão.

(Matéria publicada na Revista Morashá em dezembro de 1997)

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