As línguas em geral, são todas convencionais e isso permite ver o hebraico e os outros idiomas de um ângulo bem interessante.

A princípio, a convencionalidade dos idiomas permite ver que homens se reuniram, observaram, analisaram e concluíram que, por exemplo, o lugar sobre o qual comemos chamar-se-ia “mesa”; o objeto com o qual escrevemos, “caneta”, e assim por diante.

Estas são as denominações que foram dadas pelos homens de forma convencional, criando e formando, deste modo, os diversos idiomas.

O hebraico, no entanto, é a língua com a qual a Torá nos foi outorgada e, mais ainda, de acordo com nossa tradição, foi o idioma com o qual D’us criou o mundo e com o qual conversava com Adão, o primeiro homem. E, até a Torre de Babel, até aquela geração, o mundo, a humanidade, apenas falava o hebraico.

O hebraico não é uma língua convencional, podemos compará-lo a uma pedra, enquanto que os outros idiomas são parecidos com tijolos, obras humanas. É por isso que no hebraico encontramos uma extraordinária riqueza de minúcias. Cada palavra tem diversos significados.

Uma diferença entre o hebraico e os outros idiomas é a vitalidade

Constatamos uma ocorrência interessante: quando se traduz o hebraico para uma outra língua, precisa-se, pois, o dobro de espaço.

Em todas as línguas, se pegarmos as letras de uma mesma palavra e mudarmos a ordem, não necessariamente irão formar novas palavras. Assim, se elas formarem novas palavras, talvez não tenham um significado.

O hebraico, uma língua especial, não apenas define um objeto, mas representa as características dos objetos, a vitalidade. Ele determina o fluxo vital divino que passa para aquele objeto. Aqui fica mais claro ver que o hebraico e os outros idiomas apresentam uma distinção clara.

Este é também o motivo pelo qual quando alguém está doente, acrescentamos um nome hebraico ao nome da pessoa. isto visa dar-lhe um acréscimo de vitalidade.

No hebraico constatamos que, mudando a ordem das letras, formamos palavras que, muitas vezes, têm significados opostos ou uma explicação. Pode haver ainda um comentário da palavra anterior.

Por exemplo, em hebraico, amigo é chaver. Se mudarmos a ordem, constitui-se a palavra cherev que é espada,  o contrário de amizade.

Temos, por exemplo, em hebraico a palavra raav, fome. Invertendo as letras formamos a palavra arev, gostoso. Tsará é uma aflição; invertendo-se as letras temos tsohar, que é claridade, luminosidade. Shabat é “dia de descanso”, alegria; invertendo-se apenas uma letra da palavra Shabat temos boshet, vergonha. Estudamos em memória de uma pessoa falecida uma mishná, uma lei oral, e se você inverte esta palavra forma a palavra neshamá, alma.

Outros valores encontrados na língua hebraica

Assim, também em hebraico, temos valores numéricos, substituições de palavras, combinações de letras, coisas incríveis que resultam em uma ciência completa que acompanha nossa língua sagrada.

Só a título de exemplo, recebemos a Torá de Moshé Rabeinu. As letras desta palavra somam 613, que é o número das mitsvot. Agora, a palavra Torá sozinha tem valor numérico de 611, porque foram apenas 611 que Moshé nos deu. Duas foram pronunciadas por D’us imediatamente na hora da outorga no Sinai.

Quantos são os dias da gravidez? Pegamos a palavra gravidez em hebraico herayon. Observando o valor numérico teremos o resultado 271, que são exatamente os 9 meses de gravidez.

Assim, temos muitas coisas interessantes e muitos e muitos milagres na língua hebraica.

Cada letra na língua hebraica é chamada de “ot”, que também significa “milagre”. Ou seja, é uma língua que realmente é uma obra divina e que pela sua santidade é denominada, até pelas outras nações, de “a língua sagrada”.

(Matéria publicada na Revista Morashá em dezembro de 1996)

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