Numa época onde muito se fala sobre os direitos da mulher, com movimentos feministas lutando pela igualdade dos gêneros, é bom relembrar mais uma vez que o Judaísmo sempre demonstrou o devido respeito pela mulher.

Ambos, homem e mulher, são ordenados a seguir os mandamentos Divinos prescritos na Torá. A própria Torá mostra o quanto é importante levar em consideração a sensibilidade da mulher. Por essa razão isentou a mulher de certos mandamentos. Isso porque ela já possui grande responsabilidade para com seu marido e filhos, e para não entrar em conflito com o seu lar (Avudraham, Portão 3).

O Talmud nos diz: “Cuidem muito bem para não magoar as suas esposas, pois elas choram facilmente” (Talmud Baba Metsia 59a).

Mesmo em se tratando de recompensa no Mundo Vindouro, não há diferença entre homens e mulheres no Judaísmo. Como bem disse Rabi Shimon bar Yochai: “Felizes são os justos, homens e mulheres, que andam no caminho reto neste mundo e merecem todos os deleites do Mundo Vindouro” (Zôhar Shelach, p. 167b).

Sendo assim, D’us outorgou três preceitos precisamente nas mãos das mulheres:

1) Hadlacat hanêr (acendimento das velas de Shabat);

2) Chalá (Separação das massas); e

3) Nidá (Leis de pureza familiar).

A verdadeira graça da mulher judia

Aliás, o acróstico destas três palavras em hebraico forma a palavra Hachên (“A graça”). Isto representa a verdadeira beleza e graciosidade da mulher judia.

A água, o fogo e a farinha são elementos essenciais para a sobrevivência do ser humano. Sem água, ele fica desidratado; sem farinha, ele não come; e sem fogo, ele não cozinha.

Então, para cada um desses elementos, D’us associou uma mitsvá.  E isso representa muito mais do que uma ação física e a entregou para as mulheres judias:

a) com a água, D’us deu as leis do micvê. Ao cumpri-las, a mulher atrai santidade e pureza para a vida familiar. É assim que faz por merecer um lar sólido e abençoado com filhos e filhas íntegros;

b) com o fogo, D’us deu a mitsvá de acender as velas de Shabat e Yom Tov, através das quais a mulher ilumina o seu lar fisicamente e, principalmente, espiritualmente, trazendo paz e harmonia para a sua família;

c) com a farinha, D’us deu a mitsvá de chalá, que consiste em retirar um pedaço da massa do pão — que é o alimento principal — antes de ela mesma ter proveito dele.

Isto simboliza a participação da mulher na mitsvá de tsedacá (justiça social) e também representa a sua grande responsabilidade pelas leis alimentares da casa, chamadas de Cashrut.

Chalá, parnassá e muitas brachot

Ao cumprir a mitsvá de Chalá, a mulher merece que D’us faça com que o seu alimento — e em geral o sustento (parnassá) — seja usado de forma benéfica, para saúde e bênçãos, e não para ser gasto com remédios e assuntos adversos.

É um antigo costume judaico a mulher preparar as chalot para Shabat (os pães sabáticos). E é nessa hora que se faz prelevação da massa. Contudo, é possível também cumprir a mitsvá de Chalá em qualquer dia da semana. Encontramos a fonte para isso na Torá, que chama a porção do maná de sexta-feira de léchem mishnê (porção dupla de pão).

Dizem os nossos Sábios: “Não leia mishnê, mas meshunê — “diferente”; todo dia era recolhida uma porção do maná, mas na sexta-feira eram duas porções. Todo dia o seu cheiro era bom, mas na sexta-feira o aroma era especial. Todo dia ele tinha a aparência amarelada, mas na sexta-feira era dourado como o ouro” (Mechilta, Beshalach).

Há outro motivo para que esta mitsvá seja cumprida na sexta-feira: uma vez que a mitsvá de Chalá é também uma expiação do pecado de Chava (Eva) — que ocorreu na sexta-feira da Criação —, é bom que ela seja feita na sexta-feira, a véspera do Shabat (Chidá, Devash Lepi, letra chet).

Esta prática é muito benéfica. Segundo algumas opiniões é tão grande quanto cumprir os 613 mandamentos (Hagahot Maimoniot). Assim como na opinião de outros é uma simpatia (segulá) para ter filhos, farto sustento e boa saúde.

Receita de felicidade no lar judaico

As mulheres no Judaísmo têm em suas mãos ações tão importantes que podem iluminar a sua casa, tornar seu lar caloroso e então atrair a bênção Divina de saúde e de felicidade material e espiritual para o seu lar e para todos os membros de sua família, e este livro é uma receita para essa felicidade.

12 de Tishrei, 5779

21 de setembro de ‘018

Extraído do prefácio de O Segredo da Chalá de Shira Wiener

Editora Maayanot – 2018