Consta na Torá: “Faça para Mim um Santuário e Eu habitarei nele” (Êxodo 25:8). Dizem os nossos Sábios que não está escrito “nele”, no singular, mas “neles”, no plural. Isto significa que D’us não deixa pairar Sua Divindade apenas no Templo, mas dentro de cada judeu e judia. Aliás, essa Presença Divina se encontra na pessoa desde a hora da concepção, conforme o dito de nossos Sábios: ”Há três sócios na concepção de um filho: o pai, a mãe e D’us”.

Uma das leis que mais contribui para atrair a Divindade e a santidade são as leis da Pureza Familiar, muitas vezes chamadas de “Leis de Nidá ” ou “Leis do Micvê”. Porém, estas leis, que contêm muitos detalhes e às vezes parecem complexas, são extremamente benéficas para o casal e precisam ser estudadas em profundidade.

Mesmo que a sua observância seja necessária mensalmente, às vezes o seu conhecimento é insuficiente. Seja por que um cônjuge se apoia no conhecimento do outro, ou simplesmente por desinformação. O correto seria estudar as leis de nidá todo mês, ou pelo menos uma vez por ano, em detalhes, a fim de não infringir graves proibições e para saber as dúvidas que devem ser levadas a um rabino.

É importante que noivo e noiva, nos primeiros meses após o casamento, estudem juntos estas leis para ficarem familiarizados com os seus pormenores. Como o famoso sábio Maharam Papirus, um dos alunos do Arizal, aborda extensivamente no seu livro Or Tsadikim (24:99): “Um homem tem a obrigação de estudar em casa as leis de nidá, tão necessárias para o lar”. O livro Heshiv Moshé (cap. 44) também frisa que os detalhes da leis de nidá, imersão e chatsitsá muitas vezes são esquecidos, pois não são revisados, e sua observância baseia-se apenas na tradição passada de mãe para filha, sendo uma grande mitsvá ensinar essas leis ao público.

As leis de pureza familiar são observadas há milênios, desde as nossas matriarcas, em todas as circunstâncias. Houve épocas em que, no inverno, as mulheres quebravam gelo para imergir no mar, e outras em que as mulheres viajavam dias e noites até uma cidade que tinha micvê. Como nossos Sábios dizem, “quando um homem se aproxima de sua esposa, e ela fala ‘enxerguei uma rosa vermelha’, então ele se distancia, isto é feito mesmo sem que haja um muro ou um animal selvagem entre eles, mas apenas por respeito às palavras da Torá” (Shir Hashirim Rabá, cap. 7).

Como já foi mencionado, apesar das dificuldades e de muitos inimigos terem tentado nos impedir que cumpríssemos essas leis, o povo de Israel sempre zelou por elas. Os antigos egípcios, bem como os gregos, tentaram proibir que as leis do micvê fossem observadas, mas não conseguiram, pois estas leis são extremamente queridas pelo Todo-Poderoso (Vayicrá Rabá, cap. 19).
Hoje em dia, quando praticamente todas as comunidades judaicas do mundo possuem micvês construídos com todos os confortos e facilidades do mundo moderno, não há desculpas para que essas leis não sejam observadas. Basta apenas estudá-las.

(Extraído do prefácio do livro Kitsur Dinei Tahará)

 

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