Na Torá, a proibição de praticar feitiçaria, atos de adivinhação, quiromancia, necromancia e assim por diante, é repetida várias vezes. Portanto, mediunidade no judaísmo não é aceitável; ao contrário, é abominação.

Pela Torá fica explícito de que é proibido praticar ou frequentar todo e qualquer ato de feitiçaria, falar ou invocar os mortos, e coisas do gênero.

Estas práticas eram principalmente babilônicas, caldeias e canaanitas.

A Torá termina este assunto com um verso famoso, “Tamim tihye im Hashem Elokecha” que significa, “íntegro você estará com o Eterno teu D’us”.

No judaísmo, não devemos procurar saber do futuro mas sim ficarmos contentes em poder dominar o nosso presente. Sabemos que o futuro depende do presente, de nossas ações atuais.

Mediunidade no judaísmo se compara com os sacrifícios humanos

Tentar saber o que nos acontecerá implica numa falta de confiança em D’us. É querer “dobrar” a Providência Divina. Isto é o que o feiticeiro faz. É interessante frisar que cada vez que a Torá menciona estas proibições, inclui-as e compara-as com a proibição dos sacrifícios humanos.

É algo tão abominável, aos olhos de D’us cometer estes atos de superstição e feitiçaria, assim como é praticar o sacrifício humano, totalmente rejeitado no Judaísmo.

O judaísmo adverte várias vezes ao judeu para não praticar estes atos, não frequentar estes lugares. Não tentar se desconectar de D’us lendo o futuro através de animais e vegetais, ou manipular ossos de animais para falar com os mortos.

Não tentar manipular as decisões celestes como faz o feiticeiro. Todas estas são graves proibições.

Incoerência e descrença ao Altíssimo

Na Bíblia após o falecimento do Profeta Samuel, o Rei Saul desesperado por não ter mais o espírito de D’us consigo e não conseguindo comunicação com o Eterno, foi procurar uma necromante. Samuel queixou-se com o Rei “havia perturbado seu descanso eterno”. Sabemos que o castigo por este ato foi fatal.

Hoje, encontramos pessoas que não querem saber de Torá, pois se dizem modernas, esclarecidas, do século XX; e de repente, sabemos que estas mesmas pessoas frequentam sessões espíritas, em centros nos quais recebem “passes”. Vejam a incoerência! Não acreditam em D’us, mas têm medo do diabo. Que absurdo!

Será que estas coisas existem? Maimônides é categórico em afirmar que não existem mais estes poderes. Diz que nada disto é possível, que é charlatanismo, e que as pessoas são vítimas de ignorância e assim por diante.

Todavia, alguns de nossos sábios afirmavam que podem, eventualmente, existir estes poderes de feitiçaria, como os de Bilam, um feiticeiro na época de Moisés.

Mas, a Torá nos proíbe de seguir este caminho. Não é essa a escada pela qual os judeus têm que chegar a D’us, já que a magia retira a pessoa do mundo de D’us, coloca o homem em contato com poderes negativos.

Lado oposto à santidade

Segundo o judaísmo pessoas que frequentam sessões espíritas, que afirmam falar e invocar os mortos, são pessoas que têm contato com o lado oposto à santidade. Portanto, a mediunidade no judaísmo não é aceita.

O Talmud menciona a prática de pessoas que jejuam e dormem dentro do cemitério para poder se comunicar com as impurezas e com os mortos manipular o futuro.

Para nós não é este o caminho. O judaísmo acredita no esforço da própria pessoa para transformar e melhorar o homem. Preconiza subir a escada da pureza.

Quando um judeu frequenta um Tsadik (homem justo) e lhe pede conselhos, atinge a pureza através do Tsadik.

O risco de se pôr no imediatismo

O feiticeiro, é um mundo completamente diferente, é o contato com as forças negativas. Por isto é absolutamente proibido no judaísmo e, é algo abominável aos olhos de D’us assim como os sacrifícios humanos que devem ser combatidos de toda e qualquer forma.

Muitas pessoas frequentam estes lugares sem saber quanto mal isto lhes faz. São pessoas imediatistas, querem fórmulas rápidas, falta-lhes fé, a coragem religiosa. Consequentemente, esta prática não coaduna com os costumes judaicos, razão pela qual mediunidade no judaísmo é condenável.

Mesmo se acreditarem que frequentando um lugar deste serão curadas ou eventualmente, melhorarão de uma certa doença grave, têm que estar ciente de duas coisas: talvez o corpo tenha melhorado um pouco, mas fez um furo em suas almas.

E, mais ainda, sentem-se melhor, porque penetrou algo que as faz esquecer o primeiro mal. Entrou outro mal. É como se alguém tendo dor de ouvido, sentisse de repente uma dor na perna, algo maior. De repente ele esquece da dor de ouvido. Não há nenhuma possibilidade de o judeu se conectar com D’us desta forma.

Obviamente não podemos esquecer de alertar nesta hora, do perigo dos charlatões, da pura imaginação, onde a pessoa se sente aliviada principalmente materialmente sem ter obtido solução alguma.

Terá, sim, tornado a pessoa dependente, esquecendo de D’us que é autoridade máxima.

(Publicado na Revista Morashá em Junho de 1999)

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