Como lidar com o mau olhado? O judaísmo admite a existência do “ayin hará”, mau olhado ou “olho gordo”.

Várias fontes, até bíblicas, indicam que existe a possibilidade de uma pessoa prejudicar outra através dos olhos. Portanto, não podemos considerar o “ayin hará” apenas uma superstição.

O olho no judaísmo é um órgão especial, o espelho da alma, olhos lindos demonstram uma bondade íntima como no caso do rei David, que possuía olhos especiais.

Assim como podem ter uma boa influência, os olhos podem também prejudicar.

A Bíblia relata que o patriarca Jacob mandou seus dez filhos, rapazes fortes e bonitos, para o Egito à procura de alimento. Ele fez uma recomendação no entanto. Disse-lhes para que cada um entrasse por um portão diferente, para não chamar atenção, para não atrair o mau olhado.

A própria lei judaica tem proibições relacionadas a este assunto. É proibido, por exemplo, ficar meramente olhando e observando o campo ou colheita alheia.

Mas apesar de tudo isto ser verdade,não se deve atribuir importância em demasia para o olho gordo.

Recomendações corretas para lidar com o mau olhado

A posição correta sobre o mau olhado consta nos livros de nossos contemporâneos.

O Rabino Moshe Feinstein diz claramente que o “ayn hará” afeta em particular as pessoas que lhe atribuem uma grande importância.

Não devemos ficar sintonizados neste assunto. De nada vale nos preocupar e analisar cada detalhe que acontece em nossa volta. O uso de amuletos ou fitinhas para proteção nos torna vulneráveis. Pelo contrário desligando-nos deste assunto nos tornamos menos vulneráveis.

A atitude correta é evitar a ostentação. Vale lembrar que as primeiras tábuas da lei, entregues com muitas pompas e cerimoniais, quebraram, enquanto as segundas dadas de forma mais discretas ficaram.

Isto não quer dizer nos esconder em casa, mas optar por mais recato (tsniut).

Nas nossas preces matinais pedimos à D’ us, entre outras coisas que nos proteja do mau olhado, de um vizinho mau.

A aproximação constante com a fonte divina e o cumprimento das mitsvot, de boas ações, são sem dúvida a melhor proteção contra o mau olhado.

(Matéria publicada na Revista Morashá em junho de 1995)

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