“Moshé recebeu a Torá do Sinai e a passou a Yehoshua; Yehoshua, aos Anciãos; os Anciãos, aos Profetas; e os Profetas a passaram aos Homens da Grande Assembléia.” (Ética dos Pais 1:1).
A Torá recebida inclui tanto a Lei Escrita como a Lei Oral: as Escrituras, a Mishná, a Guemará, as leis (Halachot), as histórias (Agadot), as formas de interpretar a Torá, os valores numéricos, as conversas dos anjos, a Profecia da Carruagem (Maassê HaMercavá), e muito mais, em quantidade e qualidade, de forma infinita.
Nela também está incluído o que futuros alunos possam inovar, o que foi e o que será, e todos os mistérios da Criação (ver Introdução de Nachmânides à Torá, Ibn Ezra Êxodo 31:18, Sucá 28b).
Desde Moshé Rabeinu, esta imensa sabedoria passou de geração em geração, dos Profetas para os Homens da Grande Assembléia, Tanaím, Amoraím, Sevoraím, Gueonim, Rishonim e Acharonim, e os grandes sábios judeus de todas as gerações (ver Maimônides em sua Introdução à Mishná).
No século 3 da Era Comum, Rabi Yehudá, o Príncipe, vendo que os discípulos diminuíram e as adversidades aumentaram, compilou esta Lei Oral na Mishná, para que este conhecimento pudesse ser facilmente estudado e não fosse esquecido. Com o decorrer dos anos e o aumento das aflições que assolaram o nosso povo, principalmente depois da conclusão do Talmud, os grandes líderes eruditos judeus sentiram a necessidade de compilar livros de halachá. Desde o autor das Halachot Guedolot, na época dos gueonim, e os sábios que os sucederam: o Rif, Maimônides, Nachmânides, o Rosh e seu filho, o Baal HaTurim, etc., todos viram a grande obrigação de compilar as leis necessárias para o cumprimento do Judaísmo (halachá lemaassê).
Até que os Céus concederam ao grande mestre Rabi Yossef Karo (chamado de Maran pelos sefaradim e de Mechabêr pelos ashkenazim), Grão-Rabino de Tsefat (século 16), o mérito de compilar todas as leis judaicas aplicáveis nos dias de hoje sob a forma de um código de legislação judaica chamado “Shulchan Aruch” (“Mesa Posta”), que foi aceito por todos os sábios de Israel. Rabi Yossef Caro ainda solicitou ao seu contemporâneo, o grande mestre Rabi Moshé Isserlis, de Cracóvia, que anotasse dentro de seu texto as conotações das diferenças de costumes e leis para os judeus ocidentais, que chamou de Mapá (“Toalha”). Até hoje estes livros, chamados de forma abreviada de “Shulchan Aruch”, permanecem a fonte da Lei Judaica e o código por excelência, dos quais legislam todos os grandes mestres da Halachá. Sem dúvida, esta é a mesa posta onde cada um pode degustar a lei judaica, exposta de forma clara e ordenada.
Com o decorrer dos séculos, uma vez que grande parte do povo não tinha a possibilidade de estudar detalhadamente todas as halachot do Shulchan Aruch de Rabi Yossef Karo por ser bastante extenso — isso sem falar do Talmud e dos legisladores anteriores —, veio Rav Shlomo Gantzfried e teve o mérito de compilar o Kitsur Shulchan Aruch (“Shulchan Aruch Abreviado”), obra que foi aceita em todas as comunidades e diásporas do povo de Israel como livro de referência e manual prático da Lei Judaica. Até hoje este livro é encontrado praticamente em todas as sinagogas, casas de estudo, escolas, bibliotecas e em todos os lares judaicos.
No Judaísmo, o conhecimento jamais foi dissociado do comportamento, como dizem os nossos sábios “Grande é o estudo que leva à ação” (Kidushin 40b). Cada aprendizado deve ser aplicado na prática. Não há erudição sem formação, como bem frisam nossos sábios na Ética dos Pais (3:17): “A pessoa cuja sabedoria excede suas [boas] ações, a que pode se comparar? A uma árvore cujos galhos são numerosos, porém suas raízes são poucas, e vem o vento, arranca-a e vira-a de cabeça para baixo…”
Lembramos o dito de nossos Sábios: “Todo aquele que estuda as leis da Torá diariamente, lhe está assegurada a vida no Mundo Vindouro, pois está dito: halichot (os modos) do mundo são seus. Não leia halichot, e sim halachot [leis da Torá]”.
 
(Extraído do prefácio do livro Kitsur Shulchan Aruch)

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