Não é por acaso que Jerusalém sempre ocupe um lugar de destaque, tanto nos escritos sagrados quanto na mídia.
Com certeza, não se trata apenas do seu aspecto político ou estratégico, ou mesmo da sua beleza inconteste. Estamos falando da capital espiritual do mundo; o ponto a partir do qual o globo terrestre foi criado. Um lugar que abrigou uma infinidade de milagres, elevados justos e eruditos, sem mencionar o esplendor da época dos Templos Sagrados. Uma cidade que recebeu nove das dez medidas de beleza enviadas à terra pelo Criador. E nove das dez medidas de sofrimento e heroísmo. O mesmo para as dez medidas de Sabedoria Divina, como diz o versículo: “De Sion sairá a Torá e a palavra de Deus de Jerusalém” (Isaías II:3).
E todos esses fatos apenas começam a explicar o fascínio sedutor e a atração irresistível que Jerusalém vem exercendo através dos séculos, não apenas sobre o judeu, mas também sobre o abastado mercador, o arqueólogo sedento de história e o grande conquistador. Começa a explicar porque as mais longas jornadas foram empreendidas até ela e as preces mais puras e sinceras entoadas em sua direção.
Por diversas vezes a cobiça dos povos a subjugou e por outras tantas a sua glória foi ofuscada. Foi perdida e recuperada, profanada e enaltecida. Mas nela a Presença Divina sempre se fez mais forte, de tal maneira que até mesmo a sua limpeza material deve ser preservada.
O Talmude cita o costume de varrê-la diariamente (Shekalim 7b) e a proibição de um morto passar a noite no interior das suas muralhas.
O próprio nome Jerusalém tem a sua origem etimológica na combinação das palavras Yirá e Shalem, que juntas formam a expressão “Temor Completo”, a perfeita submissão à vontade Divina. Não fosse ela o local mais alto de todo Israel, também chamada de “Vida”, “Justiça”, enfim, de “Mãe de Israel”! (Avot DeRabi Natan 34:10; Bereshit Rabá 43:7).
Construída sobre sete montanhas (Pirkei DeRabi Eliezer), a grandeza de Jerusalém pode ser percebida nas palavras dos sábios: “Jerusalém é a luz do mundo e a luz de Jerusalém é Deus” (Midrash Rabá 59:8).
Não poderíamos encerrar sem externar o tradicional desejo que une todos os judeus, estejam onde estiverem, sob as condições que viverem: “Leshaná habaá bYirushalaim habnuiá” – No ano que vem em Jerusalém finalmente com seu Templo reconstruído!
 
(Extraído do prefácio do livro Jerusalém, o Olho do Universo, Editora Maayanot, S.Paulo)