A Torá, a Bíblia Judaica, foi outorgada ao povo de Israel, no Monte Sinai, há mais de 3.300 anos. Junto com a Lei Escrita, foi entregue simultaneamente a Lei Oral, passada de geração em geração, até ser compilada nos livros do Talmud. Com uma bagagem histórica integrada à fé e ciência, o legado dos sábios judeus é inigualável.

Para o povo judeu, a Torá — Escrita e Oral — não é apenas um livro de ética ou de história, mas principalmente a expressão da sabedoria e conhecimento Divinos. O Zôhar, livro básico do misticismo judaico, descreve a Torá como a planta deste mundo, quando diz que “D’us olhou na Torá e criou o Universo” (Zôhar, vol. 2, 161).

Desde a antiguidade, os sábios judeus demonstraram grande conhecimento das ciências naturais.

Consta nos livros sagrados que os sábios da Grécia Antiga adquiriram seus conhecimentos científicos e filosóficos dos profetas e sábios judeus.

O próprio Aristóteles teve acesso aos escritos do rei Salomão, o mais sábio dos homens (Sêder HaDorot, ano 3385; Torat HaOlá, Shvil HaEmuná e Sêfer HaKuzarí).

Em vários momentos da história, eruditos judeus e rabinos foram confrontados com sábios das nações em matérias de ciência e conhecimento humano.

Quase dois milênios atrás, o talmudista Rabi Yehoshua ben Chanania — que várias vezes representou o povo de Israel em debates diante das autoridades de Roma e dos intelectuais gregos — foi questionado pelos anciãos de Atenas sobre o período de gestação de certos animais (Talmud Bavli Bechorot 8a).

Tesouros ocultos encontrados na Torá

Enquanto os sábios gregos obtiveram sua resposta por meio de experiências científicas, Rabi Yehoshua respondeu — e acertou — baseado apenas em derivações hermenêuticas do próprio texto da Torá. Pois, conforme mencionamos, a Torá contém os segredos do Universo, conhecidos por aqueles que a estudam em profundidade.

Muitos séculos depois, no ano de 1556, o grande sábio e rabino Maharal de Praga foi convocado pelo príncipe Ferdinando da Boêmia para resolver um complexo problema de matemática para o qual ninguém conseguia achar a resposta.

Para grande surpresa do príncipe, o Maharal escreveu rapidamente a solução, sem hesitar e sem se esforçar muito. Assombrado pela extensão do conhecimento do Maharal, o príncipe indagou como ele sabia tanto sobre matemática, botânica e psicologia.

O Maharal respondeu: “Todas essas ciências, e aquelas complementares a elas, como medicina e outras, encontram-se na sabedoria da Torá — que é a coroa das ciências —, algumas explícitas e outras subentendidas na Torá e transmitidas por meio da tradição oral pelos grandes sábios de Israel, que são os portadores da tradição de geração em geração” (Memórias do Lubavitcher Rebe, Editora Maayanot, vol. 2, p. 223).

Sem dúvida alguma, a pessoa que contempla o avanço da ciência e da tecnologia poderá constatar que as conclusões da ciência moderna se aproximam das conclusões da Torá sagrada do povo de Israel, principalmente na nossa geração e nas últimas décadas (Igrot Codesh, vol. 16, p. 26).

Devemos acabar com o conceito errôneo de que existe contradição entre o Judaísmo e a ciência moderna. Fé e ciência são compatíveis sob a ótica judaica.

Teorias que vêm e vão não delimitam fé e ciência

A ciência teórica, que se ocupa de fenômenos desconhecidos, necessita constantemente de reinterpretação, pois lida apenas com especulações científicas e hipóteses.

Algumas teorias até desaparecem, já que suposições e teorias não são certezas. Todavia, as conclusões científicas observadas e comprovadas estão totalmente alinhadas com o conhecimento judaico da Torá e do Talmud. Elas não somente correspondem, mas já eram conhecidas pelo Judaísmo séculos antes de serem descobertas.

Tendo isto em mente, poderemos prontamente constatar que não pode haver nenhum conflito real entre qualquer teoria científica verdadeira e a Torá. Já disse o Rebe de Lubavitch: “Saibam os cientistas que a ciência não contradiz a fé, e que, afinal, a fé se sobrepõe à ciência (Fé e Ciência, Ed. Chabad, p. 7).

Usando o dito mencionado em diversos Rishonim, que o Rebe Tsemach Tsedec também costumava citar: “Ama Platão, ama Aristóteles, mas ama a verdade acima de todos”.

(Extraído do prefácio do livro “A Revolução Iminente”)

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