O preceito de Talmud Torá, o estudo da Torá, é abrangente, e nele está incluído a filosofia chassídica, exigindo que todo e qualquer judeu a estude no limite de suas habilidades, utilizando o máximo de suas capacidades.

Isto inclui, pois, os quatro níveis da Torá:

  • Peshat (sentido literal);
  • Rémez (sentido alusivo);
  • Derush (hermenêutica);
  • Sod (mística).

Portanto, a busca pela Pnimiyut HaTorá (a parte mais íntima e mística da Torá) é uma obrigação fundamental de cada um.

Neste sentido, o advento do Rabi Israel Baal Shem Tov, o fundador do Movimento Chassídico, emprestou um ímpeto especial a este aprendizado. Foi então algo grandioso.

Na famosa carta ao seu cunhado, Rabi Avraham Guershon de Kitov, o Baal Shem Tov recorda, pois, uma experiência surpreendente:

Uma história verdadeira

“Em Rosh Hashaná de 5507, … eu ascendi, nível após nível, até atingir o palácio do Mashiach, onde ele estuda a Torá com todos os Tanaim (mestres da Mishná) e os tsadikim (justos)…

“Perguntei ao Mashiach: ‘Quando o mestre virá [redimir Israel]?’ E ele respondeu: ‘Através disto você saberá: quando seus ensinamentos se tornarem conhecidos e forem revelados pelo mundo e suas fontes forem espalhadas chutsá (para fora) … então as kelipot (cascas) perecerão e será uma Era propícia e de libertação’…”

Uma nova fase, então, iniciou-se com o Rabi Israel Baal Shem Tov, que revelou e propagou os ensinamentos da Chassidut, baseados na parte esotérica da Torá.

Neste novo estágio, o misticismo foi portanto popularizado em grande escala. Este Movimento tornou possível “provar da Árvore da Vida” e receber sua inspiração não apenas ao erudito, mas a qualquer um!

Esta expansão definitiva teve como efeito a remoção das últimas barreiras para a disseminação total e completa da Pnimiyut HaTorá. Isso se traduziu em que “as fontes da Chassidut, que foram reveladas pelo Rabi Israel Baal Shem Tov, que a vislumbrou como uma corrente de ‘águas vivas’, expandindo-se ampla e profundamente até atingir cada segmento do povo judeu, trazendo nova inspiração e vitalidade para suas vidas diárias”.

Tradução da Torá e os Maamarim do Rebe

Encontramos escrito: “No primeiro dia do décimo primeiro mês… Moshé começou a elucidar esta Torá” (Deuteronômio 1:3-5).

Rashi explica então que Moshé traduziu a Torá para as setenta línguas do mundo.

O Rebe de Lubavitch Anterior foi o precursor da tradução, não somente de textos elementares, mas também daqueles profundos, de aspectos tanto legais quanto esotéricos da Torá. Ele traduziu para outras línguas que não o hebraico. E também revisou a tradução de um grande número de diferentes textos em russo, alemão, francês, inglês, etc.

O Rebe atual, ZTK”L, continuou este trabalho. Assim, ele ampliou o número de traduções para vários idiomas de forma sistemática. O resultado é a atual abundância de títulos judaicos em quase todas as línguas.

A elaboração da presente obra levou vários anos, devido a sua complexidade. Para ser exato, iniciamos este trabalho profundo e pioneiro em 1980. Começou com a tradução de maamarim que foram publicados com uma frequência quase anual. Saíram em formato de fascículos, e foram utilizados em nossos grupos de estudo (shiurim).

Estes escritos, além de outros inéditos, foram inseridos em Discursos Chassídicos após uma minuciosa revisão. Foram acrescentados notas e observações pertinentes, transformando-se, pois, no primeiro volume.

Lá estão incluídos maamarim dos Rebeim de Chabad, que se dividem em dois grupos:

1º) : grupo no qual consiste de textos básicos;

2º): grupo no qual consiste de discursos que abordam e são recitados em festividades específicas. Por exemplo, em um Brit Milá, em um Pidyon Haben, em um Bar Mitsvá, um casamento, etc.

A força que vem do Tsadic impulsionou a expansão da filosofia chassídica

Para tamanha tarefa, desfrutamos de grande incentivo do próprio Rebe ZTK”L, desde a publicação do primeiro fascículo, Bati Legani.

Em seguida, o Tsadic deu-nos sua sagrada bênção, tanto para a continuação da nobre empreitada, como para a propagação dos resultados em todos os países de língua portuguesa.

No decorrer dos anos, recebemos várias respostas do Rebe ZTK”L, incentivando a tradução dos textos, encorajando e orientando nosso trabalho.

Portanto, neste segundo volume usamos os maamarim dos Rebeim de Chabad traduzidos para o inglês. A base foi a excelente coleção “The Chassidic Heritage Series”, da Editora Kehot, nos Estados Unidos.

Além da tradução dos discursos e das notas explicativas do Rebe, notas adicionais foram colocadas. A princípio, era para ter todas elas bem elucidadas e comentadas.  Tanto quanto possível, as ideias pertinentes à filosofia chassídica poderiam ser bem ilustradas.

Nesta coleção, os textos em hebraico e português são justapostos, de modo que permitem aos interessados estudar o texto na língua original.

Somos muito gratos ao editor-chefe da Kehot nos Estados Unidos, Rabino Yossef B. Friedman, e sua erudita equipe: Rabinos Shmuel e Yossef Marcus, Avraham D. Vaisfiche, Ari Sollist et altris, pelo magnífico trabalho e pela permissão de publicar os textos em português.

Um reconhecimento providencial

Todavia, o grande mérito desta obra em português pertence à Sra. Sheila Barzilai, que conforme indicação do Rebe e graças ao seu talento especial, fez, durante anos, a tradução de diversos maamarim aqui publicados, preparando o livro em sua forma atual.

Um trabalho que exigiu, entretanto, além de um pleno domínio de ambos os vernáculos, um profundo conhecimento de Chassidut.

Que D’us recompense e abençoe todos os participantes deste projeto, material e espiritualmente.

Principalmente porque, ultimamente, há uma grande procura por traduções dos maamarim de Chassidut para o português. E a nossa meta foi e continua sendo possibilitar este estudo também para aqueles que até agora não tiveram acesso a este material profundo. Isto pelo simples fato de não conhecerem a língua hebraica.

Uma vez que os maamarim foram escritos para um público vasto e heterogêneo, os assuntos, como um todo, não são por demais esotéricos. O objetivo, com isso, é oferecer oportunidade de serem estudados sem maiores problemas mesmo por aqueles que adentram os portais da filosofia chassídica pela primeira vez.

Ao mesmo tempo, graças à natureza refinada intrínseca dos discursos, foram acrescidas notas e esclarecimentos entre colchetes no próprio texto. Ao final do livro, consta ainda de um abrangente índice remissivo.

A filosofia chassídica na ordem correta

Apesar do grande esforço para assegurar a exatidão desta tradução, podem ter sido cometidos erros, inadvertidamente, pelos quais os editores, e somente eles, assumem total responsabilidade.

Realmente, tudo foi feito para garantir a precisão deste trabalho, mesmo que por vezes tenhamos nos afastado das normas gramaticais da língua portuguesa.

Aconselhamos, também, que o leitor principiante estude estes maamarim com o auxílio de um professor versado em Chassidut. Assim, garante-se que os conceitos e a ordem correta do próprio estudo dos discursos sejam transmitidos. Porém, essa ordem não corresponde, necessariamente, à ordem em que foram aqui apresentados (esta obedeceu à cronologia dos autores).

O leitor já iniciado, por sua vez, encontrará maiores facilidades em percorrer a obra e os conceitos da filosofia chassídica.

Esperamos, finalmente, que esta tradução traga inspiração para aumentar o estudo da Torá e o cumprimento das mitsvot, sendo mais um passo em direção da propagação das fontes chassídicas, da forma prescrita pelo próprio Mashiach: “para fora”.

18 de Elul, 5777.
Prefácio do livro “Discursos Chassídicos Comentados Vol.2”, Editora Maayanot, Setembro de 2017

 

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