Equilíbrio na educação é um tema que inspira principalmente quando antecede Rosh Hashaná. Uma época  propícia para refletirmos e revermos nossos atos do ano que passou.

É hora de pensarmos em como melhorar nossas atitudes no ano que se inicia.

Quando se tem filhos, as preocupações são ainda maiores, pois eles são temas recorrentes.

Pensando em proporcionar aos pais discussões e reflexões a respeito da educação dos “pimpolhos”, a Escola Beit Yaacov trouxe mais uma vez o Rabino Y. David Weitman, que enfocou quatro aspectos fundamentais na relação pais e filhos.

Mensagem de ano novo

O diretor pedagógico de Hebraico e Judaísmo da Escola, Rabino Meir Fuksman, abriu a noite. Ele transmitiu aos presentes uma mensagem de Rosh Hashaná.

Perguntou por que comemos maçã com mel nessa festa, e não outra fruta. Em consequência explicou que a macieira é uma árvore que primeiro dá os frutos. Então, só depois dá as flores e pode ser comparada à atitude do povo judeu no Monte Sinai, quando disse “Naasse venishmá”— “Faremos e depois entenderemos”. Ou seja, partir para a ação antes de tudo.

Através de histórias antigas e atuais da mídia, o Rabino Weitman transmitiu aos pais quais são os valores necessários para um lar onde educar os filhos para um bom caminho. O objetivo foi realçar o equilíbrio na educação dos filhos.

Reportagem significativa

Ele citou uma reportagem publicada nos Estados Unidos a respeito de uma mulher sino-americana que em seu livro comparava as atitudes dos chineses e dos ocidentais em relação aos filhos.

Na reportagem, ela exemplificou falando da liberdade que os americanos dão permitindo aos filhos que durmam na casa de amigos ou frequentem colônias de ferias.

Diferentemente desses, as crianças chinesas são obrigadas desde cedo a tirar sempre notas altas, ficar em casa e aprender instrumentos musicais como piano e violino. E também são repreendidas quando são más estudantes.

A própria autora comenta que chamava sua filha de “lixo” quando tirava notas baixas.

O curioso foi a repercussão que isso trouxe, em blogs e respostas dos leitores, na qual muitas mães, em especial judias, criticavam esse tipo de atitude. Então vem a pergunta novamente: Como se obter equilíbrio na educação dos filhos?

Resumindo, a questão é: qual é o equilíbrio entre mediocridade e perfeição?

Trecho do Talmud

Respondendo esta e outras perguntas, o Rabino Weitman deteve-se como foco principal a um trecho do Talmud, no capítulo 35 do livro de Shemot (Êxodo).

Nele são relatadas as doações em ouro feitas por homens e mulheres para a construção do Mishcan, o tabernáculo móvel que usavam no deserto após o recebimento da Torá no Monte Sinai.

Em relação aos homens, diz apenas que “doaram ouro de todo tipo”, porém, sobre as mulheres especificam-se quatro coisas: brincos, anéis nasais, alianças e braceletes.

De qualquer maneira, todo aquele material seria derretido para se transformar em outros utensílios. Então cabe a pergunta: por que precisamos saber especificamente o que foi doado?

Sobre o equilíbrio na educação repousam as “joias da familia”

Explica o Rabino que a mensagem da Torá é eterna. Todos nós queremos que nosso lar seja abençoado como um santuário, com pureza, serenidade e harmonia.

Assim como é normalmente. Quem cuida da casa é a mulher, as quatro joias representam quatro pilares de educação:

1) Os brincos seriam a audição, ou seja, prestar atenção ao que dizem os filhos. Mesmo que não seja diretamente para os pais e ouvir conselhos e pedagogos; 2) Os anéis nasais representam o olfato, perceber o que está no ar, cheirar e detectar problemas dos quais os filhos não falam e acompanhar quem são seus amigos; 3) A aliança é o dedo indicador, mostrar o caminho, o que está bom e ruim, certo e errado, honesto e desonesto, não dar somente ordens; 4) O bracelete é o braço firme, a disciplina, a liderança que os pais devem ter, não serem vítimas dos filhos. Mas antes é importante os próprios pais se disciplinarem para dar bons exemplos.

Para ilustrar outros exemplos em educação, o Rabino Weitman comentou sobre uma enfermeira australiana. Ela havia trabalhado anos em UTI com pacientes terminais e escreveu um livro abordando os arrependimentos mais frequentes desses pacientes.  Entre os primeiros da lista estava terem trabalhado demais e dedicado pouca atenção à família.

Apostando no potencial das crianças

Num outro caso, havia uma escola com uma classe de meninas tão terríveis que nenhuma professora aguentava. Até que certa vez entrou uma docente que começou a elogiar a turma, acreditou no seu potencial a ponto de mudar a postura do grupo e torná-las a melhor turma da escola.

Ao ser questionada pelo diretor como havia conseguido tal milagre, ela alegou que em uma lista que ele entregara no começo das aulas se via o alto QI delas. Portanto, ela sabia que lidava com uma boa turma. Ou, em outras palavras, parece que entendia bem do assunto do equilíbrio na educação.

O diretor não entendeu até ver a lista e descobrir que os números se referiam aos armários das garotas.

Mas o importante é que essa professora acreditou no potencial delas. Igualmente devem ser os pais, acreditar em seus filhos, pois somente assim eles  conseguirão ir longe.

E acrescentou que “o cuidado com o lar deve ser como a construção de um santuário, a volta para casa deve ser algo prazeroso, não uma obrigação”.

Bolsa de estudos, aparelhos digitais e redes sociais

O Rabino também teceu observações a respeito das escolas judaicas.

Incentivou a concessão de mais bolsas de estudos aos alunos que necessitam. Citou o exemplo do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que mantém seu filho numa classe de alunos com diferentes níveis sociais.

“Incentivar a escola a ter bolsas é saudável e estimula o talento dos alunos que convivem”.

Relatou também problemas da nossa época: o uso excessivo de celulares por crianças (algumas de 8 ou 9 anos).

Elas vão a um evento e não se sociabilizam. Ficam introspectivos nos aparelhos, de maneira que, ainda pior, chegam a usá-los na escola. Dessa forma se excluem socialmente dificultando que se alcance um equilíbrio na educação delas propriamente.

Também abordou o tema de festas suntuosas: “Moderar e não exagerar, isto é o caminho certo”.

Ao ser questionado a respeito das redes sociais, criticou pela exposição e o perigo que elas podem representar, em especial para crianças menores.

“Os pais devem ser proativos e não reativos, estarem lá antes do problema acontecer”, concluiu, desejando votos de um bom ano à plateia.

Certo é que essa mesma plateia certamente saiu com uma ampla bagagem e os espíritos renovados.
(Matéria produzida por Melina M. Knoploch para o Jornal Tribuna Judaica em outubro de 2013)

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