Levando-se em consideração que a terceira causa mais comum de mortalidade nos Estados Unidos é o abuso de substâncias químicas, as chamadas drogas, que vem se transformando, literalmente, num assunto vital — e a tendência no Brasil é semelhante —, achamos este tema de suma importância.

A ideia de que só pobres se envolvem com drogas e álcool não passa de um mito, pois é algo muito longe de ser verdade. Pobres e ricos são igualmente humanos, com defeitos e virtudes.

Negar seus próprios defeitos faz parte da natureza do homem. Seu olho direito sempre contempla suas virtudes, ao passo que seu olho esquerdo só enxerga os defeitos alheios. E esta característica passa a ser mais comum em indivíduos bem-sucedidos, que — aparentemente — têm tudo para serem vencedores verdadeiros, porém acabam se transformando em vencedores viciados.

O perigo das drogas que não escolhe suas vítimas

Estes profissionais vitoriosos pensam que prosperidade e sucesso servem como um escudo contra a dependência química, ignorando o fato de que, às vezes, podem proporcionar uma ilusão de força e poder. O que eles não sabem é que o vício não discrimina suas vítimas; a utopia de muitos — a igualdade entre ricos e pobres — encontra sua realização nesta triste e infeliz realidade.

Muitos “vencedores” já perderam demais, inclusive suas próprias vidas, por causa da dependência química. Muitos milionários, que vivem em belas mansões e possuem os carros mais luxuosos, renderam-se às drogas e ao alcoolismo. E o pior: o próprio sucesso dificulta pois sua recuperação. Eles pensam que são diferentes dos “perdedores”; mas não são. Quão perigoso é tal pensamento.

Reconhecer que está doente já é portanto a metade do tratamento. A outra metade então é querer se curar, e viver. Não cabe superstição aqui, mas sim ação conjunta.

(Extraído do prefácio do livro Vencedores Viciados, Editora Maayanot, S. Paulo)

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