EXISTE O DIVÓRCIO NO JUDAÍSMO? O QUE FAZER QUANDO UM CASAL NÃO VIVE EM PAZ E RESOLVE SE SEPARAR?

Neste caso, existe sim, dentro do judaísmo, a possibilidade do divórcio. E este procedimento é denominado guerushin, “separação”, ou simplesmente guet, que é o nome do documento do divórcio no judaísmo.

O divórcio é um dos preceitos positivos da Torá. Em caso de separação, o marido deve escrever um sefer-critut (um documento de rompimento) entre ele e a sua esposa, conforme consta na Torá, no livro Deuteronômio, XXIV.

Porém, surge aqui uma pergunta: sabemos que D’us nos quer casados. E que pelo judaísmo o casamento é sagrado, que cada pessoa deve se casar e que D’us reservou para cada pessoa a sua escolhida, a sua alma gêmea.

Assim sendo, se há a mitsvá de se casar, como pode haver também uma mitsvá de se divorciar? Mas a resposta é simples. D’us quer que a pessoa fique casada e arranjou tudo para que isto aconteça. Afinal, a sua alma gêmea já foi preparada desde o início da Criação…

COMPAIXÃO E COMPREENSÃO DIVINAS

Mas ocorre também que D’us tem compaixão, consideração, é gentil. Quando percebe que as coisas não funcionam, que há sofrimento, que o casal não consegue levar o casamento adiante, de jeito algum, Ele dá, então, uma orientação que pode ser seguida: a separação, o divórcio.

É como um livro de receitas: se você acertou a receita, muito bem. Se enganou? Então existem outros pratos nos quais os ingredientes podem ser aproveitados.

Em outras palavras, no judaísmo, o divórcio é uma forma de D’us manifestar a Sua compreensão. Ele percebe que a situação está difícil, as pessoas estão sofrendo e o relacionamento não tem como continuar.

Então o divórcio no judaísmo é iminente. Neste caso, Ele diz: “Se você quer se separar e insiste nisto, a possibilidade existe”.

ISTO SIGNIFICA QUE O CASAMENTO FOI UM ERRO?

Não. O casamento não foi e não é um erro. E nem é uma loteria, na qual você aposta e, às vezes, ganha, em outras, perde. Não.

Se você se casou com alguém com chupá e kidushin – sob o pálio da chupá e com as bênçãos Divinas, sem dúvida este alguém era a sua alma gêmea, escolhida há quase 6.000 anos e com a qual você tinha de se casar.

Dizer que o casamento foi um erro é como dizer que a mulher deu à luz a criança errada, e não há a menor possibilidade de uma mulher dar à luz a criança errada.

D’us não brinca com mentes, corações e, menos ainda, com as almas das pessoas.

RECEITA DA SEPARAÇÃO

Apenas, como ressaltamos, este casamento, tal relacionamento, tinha mesmo de ocorrer. Se o casal teve filhos, estas crianças precisavam nascer. O fato é que, no plano Divino, D’us gostaria que a pessoa continuasse casada; quando ocorre uma separação, diz o Talmud, o próprio altar chora.

Mas se a pessoa insiste e está sofrendo, Ele entende. Neste caso, o divórcio no judaísmo é permitido e ainda dá a receita de como deve ser feita a separação, de acordo com o judaísmo.

D’us fala à pessoa que ela pode fechar a porta, mas também ensina como fechá-la suavemente, sem batê-la. Isso seria uma breve imagem do divórcio no judaísmo.

ENTÃO OS RABINOS FACILITAM OS DIVÓRCIOS?

Não necessariamente. A obrigação do rabino é se esforçar ao máximo para fazer a paz entre o casal.

Quando eles chegam ao rabino com a intenção de se separar, este vai tentar restabelecer a antiga harmonia.

Se não conseguir, mesmo após várias tentativas, a solução para o caso poderá ser o divórcio. Sabemos que muitos anos atrás havia uma takaná (decreto) nas comunidades alemãs de Spayer, Worms e Maints.

Quando algum morador queria separar-se da esposa, tinha de enviar um emissário para as outras duas cidades a fim de exibir os documentos e argumentos envolvidos na contenda. E este procedimento, obviamente, ocasionava muitos gastos.

Mas o motivo desta takaná era exatamente dificultar o divórcio. Desse modo, o divórcio no judaísmo não é facilitado. A takaná foi estabelecida para mostrar ao casal que não era assim tão fácil.

CASOS “MAIS URGENTES”

Também para ganhar tempo; no entretempo poderia acontecer de eles voltarem a viver e a conviver em paz. Realmente existem casos onde o Beit Din, o tribunal rabínico competente para realizar divórcios, poderá apressá-los.

Em casos claros de infidelidade, por exemplo. Ou quando o marido quiser mudar de país ou tiver de ir para a guerra (para não deixar a sua esposa “condenada” ao casamento – na situação de aguná, como veremos adiante), ou quando um dos dois não se comportar de acordo, faltando com o devido respeito.

A Halachá menciona, por exemplo, um marido que expulsa repetidamente a esposa de casa e que está constantemente irado, descontrolado e assim por diante.

Existem casos em que, sem dúvida, o divórcio será recomendado e até apressado pelos rabinos. Porque a Torá não recomenda, de jeito algum, que o casal siga convivendo, se já pensa seriamente em separação. Isto não seria saudável, portanto é um caso em que o divórcio no judaísmo acaba sendo a única solução.

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