Uma introdução para este evento do Dia Internacional do Holocausto, ouvimos as palavras do Rabino David Weitman:

Possa D’us recordar as almas dos nossos irmãos. 6 milhões de inocentes, homens, mulheres e crianças que foram brutalmente assassinados, dizimados, massacrados e queimados. Muitas vezes queimados vivos nos campos de extermínio.

Pessoas que entregaram e santificaram sua alma perante o Eterno. Que suas almas estejam ligadas à corrente da vida eterna, junto com os Patriarcas Avraham, Yitschac e Yaacov e as Matriarcas Sara, Rivca, Rachel e Léa e os justos e justas que repousam no Jardim do Éden, Amên.

Excelentíssimo Vice-Presidente do Brasil, Sr. Michel Temer, excelentíssimo Sr. Governador Geraldo Alckmin e todas as demais autoridades aqui presentes, Dr. Cláudio Lotemberg, presidente da organização teto do judaísmo brasileiro CONIB e presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, Sr. presidente da FISESP, Dr. Mário Fleck, e com eles saúdo todos os diretores e presidentes de todas organizações aqui presentes.

Relembrando no Dia Internacional do Holocausto

Meus amigos, um ano atrás eu levei um grupo de 100 jovens universitários brasileiros judeus. Eles estavam dispostos a conhecer o seu passado.

Levei-os para a Europa para visitar vários campos de extermínio e tivemos uma surpresa quando fomos para Mauthausen, a famosa fortaleza perto de Viena na Áustria.

Lá vimos os horrores, vimos o inferno, os crematórios, os quartos onde torturavam, as cinzas, e de repente nos deparamos com um livro aberto.

Abri o livro e o folheei e vi a contabilidade do crime; o nome de cada judeu quando chegou, onde nasceu, de que cidade veio, quando passou na câmara de gás e quando foi para o crematório.

Folheando mais, fiquei branco ao me deparar com o nome de meu avô Chaim David.

Detalhes do horror

Olhei todos os detalhes e uma coisa que a família não sabia é que ele não foi cremado em Mauthausen, mas alguns quilômetros à frente num outro crematório menor que se chama Guzen com a data 1 de janeiro de 1945, algumas semanas antes da libertação.

Ele é um dos 6 milhões de judeus. A Polônia tinha 3 milhões de judeus antes da guerra e voltaram 250 mil.

Em outras palavras, 93% foram dizimados e eliminados. Isto se chama a contabilidade da morte, uma contabilidade inexorável que marca esse Dia Internacional do Holocausto. Os nazistas usaram seus talentos de organização e gerenciamento marcando cada detalhe de qual comboio chegou e como mataram ele.

Eu não consegui folhear mais para frente, pois estava com medo. Também estava escrito quantos quilos de cabelo eles cortaram naquele dia para fazer travesseiros, quantos dentes de ouro foram arrancados.

Não existe nada igual ao Holocausto. Enfim, nada pode ser comparado ao Holocausto, não existe nada igual!

Um genocídio deste, uma perseguição sem motivo de pessoas inocentes, só porque eram judeus, ciganos, homossexuais, intelectuais de esquerda, doentes mentais, doentes físicos! Por isso nós estamos aqui para garantir que isso não se repita jamais! Esta é senha para este Dia Internacional do Holocausto.

A força do Decálogo

Mais um pequeno pensamento: semana passada por Divina Providência, em todas as sinagogas do mundo se leu os Dez Mandamentos. Os Dez Mandamentos vieram esculpidos em dois blocos de pedra que Moshé trouxe do Todo Poderoso para entregar para todo o povo.

Mas por que dois blocos?

O Talmud, a sabedoria milenar judaica, diz que D’us queria que os Dez Mandamentos fossem lidos de duas formas: na vertical e na horizontal.

Na vertical significa o mandamento na sequência: “Eu sou o D’us que vos tirou do Egito”, “Não terás outros deuses”, e assim por diante.

Na horizontal significa que se lê da seguinte forma: “Eu sou o D’us que vos tirou do Egito” e “Não matarás”, “Não terás outros deuses” e “Não cometerás adultério”.

D’us nos diz: se você acredita no Ser Superior e sabe que cada ser humano possui o semblante Divino, então você irá respeitá-lo. Deixa-lo-á viver porque ele tem uma faísca Divina. Se você não trair seu D’us, não irá trair sua família. D’us quer que o mandamento 1 se relacione com o 6, o 2 com o 7, e assim por diante. D’us sabia que naquele momento estava em jogo o futuro da civilização humana.

A razão iluminista

Meus amigos, no século 19 na Europa apareceu o iluminismo com filósofos que diziam que pode cumprir o “Não matarás” sem “Eu sou o D’us que vos tirou do Egito”; a religião não é necessária para garantir um bom comportamento humano; a razão e não D’us irá guiar a humanidade. Pode cumprir o 6º mandamento sem o 1º.

O iluminismo então criou raízes fortes na Alemanha e inspirou os nazistas. Ele representa enfim um ser humano desconectado de D’us. Em 1938, quem maltratava um animal na Alemanha nazista era preso, mas se matava um judeu não era crime.

Meus amigos, Auschwitz chegou e desmistificou e destruiu o mito que pode haver um homem bondoso e ético que não está conectado com uma Autoridade Suprema.

Certamente, as câmaras de gás em Auschwitz não foram construídas e inventadas por um povo primitivo, ignorante e bárbaro, nada disso!

Os alemães eram mestres em ciências, em cultura, eram filósofos, pessoas que entendem de arte e música e lá nestas câmaras 1 milhão e meio de crianças judias foram reduzidas a cinzas.

Hipocrisia iluminista

Havia na Europa antes da guerra 1 milhão e 600 mil crianças judias e sobraram apenas 100 mil.

Após asfixiar 12 mil judeus por dia em Auschwitz, o guarda da SS então voltava para sua casa e levava seu cachorro para passear e brincava com a boneca da filha.

Quando o cheiro dos crematórios que exalavam o odor de carne humana insuportável que subia ao céu, os guardas da SS festejavam com vinho, álcool, mulheres e jogos.

Meus amigos, vale lembrar neste Dia Internacional do Holocausto, a cena horrível no filme A Lista de Shindler daquela menina escondida no piano.

O guarda SS a percebeu e a matou cruelmente. Assim, enquanto ela agonizava mergulhada em seu próprio sangue um segundo guarda da SS senta na cadeira e começa a tocar o piano.

O primeiro então pergunta ao segundo: “Vás iz dás? Is Bach?” – “O que é isso, será Bach?”, ao que ele responde: “Não, é Mozart”.

Acima de tudo, os dois se deleitam com a música erudita ao lado da vítima morta ao chão.

Sem temor a Hashem tudo pode acontecer

Elie Wiesel, prêmio Nobel da Paz de 1986, sobrevivente do Holocausto, outra boa lembrança para este Dia Internacional do Holocausto, perguntou certa vez ao Rebe de Lubavitch, líder mundial judaico, onde ambos perderam muitos parentes e amigos no Holocausto:

“Rebe, como se pode acreditar em D’us depois de Auschwitz?” O Rebe então respondeu: “Em quem mais você quer que eu acredite, no ser humano?”

Nós não perdemos a fé, mas a moral exclusivamente humana é subjetiva. Ela pode ser corrompida, ela pode justificar surpreendentemente inquisição, gulags, guilhotinas e até câmaras de gás.

O grande patriarca Abraão já disse: “Rac ein yirat Elokim bamakom hazé” – “Não há temor a D’us neste local”. Assim, se não tem temor a D’us, tudo pode acontecer.

Igualmente, Fiódor Dostoiévski já escreve em seu livro Os Irmãos Karamazov: “Num lugar onde não tem D’us, tudo é possível, tudo é permitido”.

Os 10 Mandamentos – Horizontal e Verticalmente

Meus amigos, D’us quer que os Dez Mandamentos sejam lidos horizontalmente e verticalmente para as pessoas terem a base para uma sociedade justa, harmoniosa e pacífica.

Nosso povo soube se reerguer das cinzas do Holocausto, mas não esquecemos do passado. Quem tem passado tem futuro. Isto é por que estamos aqui neste Dia Internacional do Holocausto.

Quero agradecer aqui publicamente ao Sr. Vice-Presidente e ao Sr. Governador por esta terra tão acolhedora, por este Brasil que nos recebeu de braços tão abertos. Aqui podemos professar nossa fé, onde viemos contribuir.

O Brasil nos recebeu assim como recebeu os judeus portugueses 4 séculos atrás, fugindo das perseguições religiosas da Europa.

Nós temos orgulho da cédula do nosso dinheiro onde está escrito “D’us seja louvado”. A nossa presença aqui é pois um exemplo. Trata-se de uma lição para as futuras gerações. Estejam alertas que qualquer ato de antissemitismo, xenofobia, intolerância e racismo é um atentado à dignidade humana.

Meus amigos, muito obrigado. O povo judeu veio aqui inegavelmente para fazer o bem. Veio portanto para contribuir com o progresso deste florão da América, esse Brasil maravilhoso.

(Discurso proferido em 27 de janeiro de 2014)

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