Iniciaremos analisando a destruição do Templo de Jerusalém, o primeiro, erguido pelo rei Salomão.

O Templo foi destruído por Nabucodonosor, imperador da Babilônia, e seu general Nevuzaradan, 410 anos após a sua inauguração.

Jerusalém portanto tornou-se um monte de ruínas, o Templo foi arrasado e os judeus levados para o cativeiro na Babilônia, acorrentados como escravos. Este terrível exílio durou 70 anos.

Segundo nossos sábios, o motivo principal por este castigo tão grande foram os gravíssimos erros cometidos pelos judeus, na época e que culminaram com a destruição do templo de Jerusalém.

Nossos sábios apontam principalmente três pecados capitais: assassinatos, o sangue de pessoas inocentes foi derramado, relações sexuais ilícitas eram praticadas, incluindo o adultério e outros; e a idolatria que ressurgiu entre os judeus.

Até então, o povo de Israel, guiado pelos ensinamentos da Torá, mantinha-se afastado completamente destas práticas. Infelizmente, líderes corruptos da época induziram o povo a voltar ao culto dos ídolos, das imagens, do “baal”.

Os judeus acima de tudo esqueceram que é obrigação do povo de Israel erradicar a idolatria do mundo. A volta à idolatria fez com que eles caíssem num abismo moral. Alguns judeus simplesmente abandonaram os ensinamentos da Torá, da religião, da fé e tornaram-se criminosos, assassinos.

Outros motivos para a destruição do Templo de Jerusalém

Além destes três gravíssimos erros, o Talmud menciona mais dois motivos que levaram à destruição de Jerusalém.

Um deles. “shelo berchu baTorá tchilá”, significa: eles estudavam a Torá sem se dar conta de quem outorgou a Torá.

Infelizmente naquela época os judeus viam no estudo da Torá algo intelectual, uma elucubração mental, mas esqueciam seu caráter transcendental e divino.

Não faziam a bênção matinal que todos nós fazemos, “baruch atá Hachem noten haTorá”, abençoando D’us que nos deu a Torá.

Esqueceram que esta não é uma ciência humana, mas sim sabedoria divina; fato gravíssimo já que implica em esquecer o “noten haTorá”, Aquele que outorgou a Torá.

Outro motivo mencionado é o não cumprimento da mitsvá relativa ao ano sabático. No sétimo ano, por mandamento divino, por uma injunção bíblica os judeus devem parar qualquer trabalho da terra, quer seja um campo, pomar ou vinhedo. Não podem podar, semear, arar e assim em diante.

O Talmud nos relata que naquela época, 70 “shemitot”, anos sabáticos, não foram respeitados, o que causou o exílio de 70 anos na Babilônia.

Décadas mais tarde o grande império babilônico foi conquistado por Ciro, o imperador da Pérsia. Assim, os persas permitiram aos judeus voltar para a Terra Santa e reconstruir o Templo em Jerusalém.

Setenta anos após a destruição do templo de Jerusalém, o primeiro, os líderes Ezra e Nehemias voltaram do exílio e iniciaram a construção do segundo Templo.

Este era maior em tamanho e durou 420 anos, 10 anos a mais do que o primeiro. Foi destruído pelos romanos, pelo imperador Vespasiano e seu perverso filho, o general Tito.

Jerusalém e o Templo foram arrasados pela fúria romana. Assim, muitos judeus foram levados prisioneiros, em galeras, para Roma.

Mais erros apressaram a queda do segundo Templo

Ao examinarmos o porquê da queda do segundo Templo, veremos então que novamente os judeus da época cometeram atos errados.

Nossos sábios dizem que na época do segundo Templo os judeus eram pois religiosos e observantes. Praticavam os mandamentos divinos, mas cometiam algo odioso aos olhos de D’us, o sinat chinam, que significa em hebraico ódio gratuito, um ódio sem sentido.

A inimizade reinava entre eles causando brigas terríveis. Às vezes odeia-se alguém por não suportar algo que este alguém nos fez. Todavia, neste caso, não era nem isto, era um ódio sem motivo algum, gratuito.

Os habitantes de Jerusalém simplesmente se odiavam tanto, que tentavam prejudicar ao máximo a vida do outro sem pensar nas consequências.

Sabemos que D’us abomina tal atitude tanto quanto os outros erros graves mencionados antes e foi exatamente este ódio que provocou a destruição do segundo Templo.

Lições a serem aprendidas

Daqui podemos tirar duas lições:

Primeiro, que para D’us a relação entre o homem e seu semelhante, a relação horizontal, é tão importante como a vertical, entre o homem e D’us. Por isto deve-se compreender que o ódio gratuito iguala-se aos pecados capitais, ambos são abomináveis aos olhos de D’us.

A segunda lição é se queremos consertar os erros dos antepassados. Nosso maior objetivo é trazer a época messiânica e o terceiro Beit Hamikdash. Uma época em que não haverá mais conflitos, inveja e ódio.

Então, a melhor forma para se corrigir isso é o amor gratuito, o amor sem motivo, o amor desinteressado. Simplesmente amar o próximo, gostar, engendrar harmonia, paz. Isto, sem dúvida, fará com que em breve, logo mesmo. o terceiro “Beit Hamikdash” seja erguido.

(Matéria publicada na Revista Morashá em junho de 1997)

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